miércoles, 23 de enero de 2013

Adolfo Córdova: e suas percepções sobre a arquitetura do Perú.

Adolfo Córdova: e suas percepções sobre a arquitetura do Perú.
Arq. Jorge Villavisencio

Considero que conhecer a arquitetura e o urbanismo em Latinoamerica se torna indispensável não só para os arquitetos e estudantes de arquitetura, mais sim para as pessoas comuns interessados que tratam de entender o processo da “modernidade”. O surgimento disto vem à tona com nossas realidades nesta parte do planeta que não são tão distantes como parece, é desta forma que faremos algumas apreciações da arquitetura e o urbanismo da modernidade no Perú. Temos aproveitado o recente livro do arquiteto Dr. Elio Martuccelli Casanova – “Conversaciones con Adolfo Córdova" do ano de 2012 (versão original em espanhol), onde faremos a apresentação do livro com algumas reflexões acima de seus textos.

F.01 – Capa do livro: “Conversaciones con Adolfo Córdova” de 2012.
Fonte: Instituto de Investigación de la Facultad de Arquitectura, Urbanismo y Artes de la Universidad Nacional de Ingeniería.

Para que não conhece o arquiteto peruano Adolfo Córdova Valdivia (1924-) se fará uma breve apresentação, Córdova nasce na cidade de Arequipa (cidade localizada no sul do Perú), estuda arquitetura na centenária Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Artes da Universidade Nacional de Engenheira – FAUA/UNI., onde egressa no ano de 1946. Foi distinguido com vários prêmios relacionado com a arquitetura, autor de livros e diversos artículos, em especial fundador do “Agrupamento Espaço”, importante movimento cultural que abre as porta para a arquitetura moderna no Perú, membro de importantes comissões como da Lei dos Municípios, onde faz a primeira tentativa de regionalização do Perú. Também foi Decano da FAUA/UNI e professor emérito durante mais de 30 anos. Atualmente e coordenador do mestrado em Vivenda na Escola de Pós-graduação da FAUA/UNI.

Mais antes de apresentar o livro de Martuccelli, gostaríamos de fazer algumas colocações sobre o arquiteto Córdova, para mim que tenho estudado na escola de pôs grado da FAUA/UNI, tenho assistido diversas vezes algumas apreciações que fez Córdova na linha do tempo sobre a arquitetura e o urbanismo, isto acontecido entre os anos de 2008 a 2010, apresar que suas cátedras forem nas áreas onde é coordenador, meu mestrado é de Historia, Teoria e Critica da arquitetura. Considero eu, e claro penso que para muitos arquitetos peruanos e do exterior o professor Córdova é uma lenda viva em prol da arquitetura e da cultura de maneira ampla.
Mais lembro muito bem que meu exame de admissão o arquiteto Córdova era parte do júri, e fez a seguinte pergunta – arquiteto Villavisencio no seu trabalho investigativo (tese) qual e sua linha de investigação? Rapidamente respondi que seria na área de arquitetura hospitalar, tema que segundo pude perceber (por seu aspecto fisionômico de tranquilidade mais com muita energia – na minha maneira de ver condição especial dos experientes mestres da arquitetura) mais considero que Córdova achou interessante. Anos mais tarde no meu trabalho investigativo sobre hospitais, Martuccelli me apresenta o livro de “Planeamiento, programación y diseño de hospitales” (versão em espanhol ), livro que termina sendo a conclusão do Curso sobre Hospitais que se deu na FAUA/UNI, onde justamente o arquiteto Adolfo Córdova Valdivia era o Decano da FAUA/UNI na época (1967). Pensamos que como Decano da FAUA foi promotor do Curso de Hospitais na área da arquitetura, é muitos anos depois indique a área que queria atingir, entendo agora a fisionomia do professor Córdova. Alias o curso sobre hospitais e as conclusões deste tem uma relação direta como o processo moderno de fazer hospitais, teve muita participação de palestrantes do Brasil, Colômbia, Bolívia, Equador e do Perú como sede do curso, um equipo multidisciplinar de arquitetos, médicos, engenheiros, mais sobre este assunto publicarei posteriormente.

O livro “Conversações com Adolfo Córdova” (versão em espanhol – 2012) de Elio Martuccelli esta claramente divido em duas partes. A primeira onde Martuccelli faz a introdução do livro e um capitulo exclusivo sobre o projeto modernizador do Perú, titulo “La arquitectura, el urbanismo, la acción politica y el proyecto modernizador”. A segunda parte trata-se das conversações com Adolfo Córdova que foi em três partes, que na realidade forem três entrevistas com perguntas claras por parte de Martuccelli e de respostas também claras mais na minha maneira de ver com certo ar de nostalgia por parte de Córdova, estas entrevistas forem: a primeira de 10 de fevereiro de 2005, a segunda de 5 de janeiro de 2006 e a terceira e ultima conversação o dia 16 de janeiro de 2007. Reparemos que forem três anos consecutivos, e inclusive teve perguntas reincidentes o a re-confirmacão dos fatos sobre a “agrupação espaço”, entendemos que o interesse em conhecer mais sobre este importante aspecto cultural e politico tem conotações importantes como veremos mais na frente.

F.02 – Imagem exterior da “Casona” da Rua Recavarren da antiga Escola de Pós-graduação da Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Artes da Universidad Nacional de Ingeníeria.
Fonte: Silvia Villavisencio Tancredi (2009)

Na introdução Martuccelli fala de maneira nostálgica do antigo local a “casona” onde estava localizada a Escola de Pôs-grado da FAUA/UNI, teve a oportunidade de realizar meu mestrado neste local, localizado na rua Recavarren no Distrito de Miraflores na cidade de Lima, “A casona da rua Recavarren tinha um espirito apaziguador e prazenteiro, ... Adolfo era um dos que se lhe encontrava em certos horários, ...onde aconteciam papos enriquecedores.” (Martuccelli, 2012:11). Também para Martuccelli a Agrupação Espaço é um lugar comum quando se trata de falar sobre a arquitetura moderna do Perú. Inclusive a citação sendo inevitável falar como a “história oficial”, mais se trata como “... uma visão alternativa dos fatos, aprofundando alguns aspectos tratados e descobrindo alguns não muito conhecidos: espero em parte ter logrado” (Martuccelli, 2012:15).

Para mim que trato de fazer uma síntese do livro, e claro com algumas reflexões por parte da minha pessoa, não tem como dar ênfases aos fatos da “agrupação espaço”, alias como tinha dito no inicio fazer de conhecer alguns aspectos históricos dos movimentos vanguardistas da arquitetura em Latinoamerica, especificamente neste caso do Perú.

A “agrupação espaço” nasce de um polemico manifesto nos 15 de maio de 1947, que da a ideia da modernidade com racionalidade que leva o progresso, nesta definição que faz Martuccelli podemos perceber claramente que o ambiente no Perú no tempo da metade do século XX, onde diz: “A Agrupação Espaço foi no Perú como o mais similar a um movimento artístico de vanguarda,... um coletivo ativismo com forte desejo de participar dos retos e dos problemas do seu tempo. A vanguarda aspirava se estender outros âmbitos sociais, culturais e políticos,....interessa apontar que a “agrupação espaço” vanguardista a diferença de outras tinha um peso que predominante por arquitetos e não de poetas e pintores”. (Martuccelli, 2012:29) Poderíamos entender que os arquitetos predominavam dentro da esfera da cultura, considero importante dizer que os arquitetos e sua arte de projetar tinham aspectos de um “olhar prospectivo” que era o processo moderno de esse olhar. Sem lugar a duvidas Adolfo Córdova e Eduardo Neira e com concretização da “Revista Espaço” de quem era comandada pelo também arquiteto Luis Miró Quesada, acontecido entre os anos de 1947 a 1950.

F.03 – Imagem da Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Artes da Universidad Nacional de Ingeníeria. (2010)
Fonte: Manuel Ferreyra

Hoje a centenária Faculdade de Arquitetura da UNI pode contar sua historia tanto assim que alguns ex-alunos podem lembrar que vários professores da época pertenciam ao “Agrupamento Espaço” – “O edifício em sua recente construção em 1951, projetado pelo arquiteto Mario Bianco foi alento – desta forma o edifício ensinava a seus alunos os novos lineamentos de um moderno desenho”. (Martuccelli, 2012:31) Este aspecto tem dois assuntos o primeiro a participação de professores e alunos “participavam” deste processo de modernização. Segundo que o edifício da faculdade de arquitetura falava por si mesmo, era exemplo de um edifício neta-mente moderno. (ver imagem F.03 – acima)

“... os artistas e arquitetos peruanos experimentarem a modernidade, mais situados na dicotomia de seu lugar e de seu tempo, do particular e o universal, que não o porquê seja à maneira de exclusão”. (Martuccelli, 2012:47) Este ponto foi fundamental porque sabemos que a arquitetura moderna procurava o “universal”, a procura estava na particularidade – talvez um exemplo mais concreto deu-se com o arquiteto Enrique Seoane Rós, que também era professor de projetos na faculdade de arquitetura da UNI.

F.04 – Fotografia no IV CLEFA no Convento Santo Domingo – arquitetos Fernando Belaunde, Adolfo Córdova e Felix Candela (1968)
Fonte: No livro “Conversaciones con Adofo Córdova” de Elio Martuccelli, 2012. (p.161)

Na primeira conversa que tiverem Córdova com Martuccelli foi em 2005, confirma por parte de Adolfo Córdova onde diz: que com Miró Quesada como professor e com o Manifesto no 15 de maio de 1947 do Agrupamento Espaço, começam a trabalhar de forma organizada e solicitam para Miró Quesada fazer a Revista Espaço, considero que ao ter o elemento de difusão concretizado na revista, foi fundamental porque era a única forma de transmitir os pensamento com caráter moderno, assim a participação do arquiteto Carlos Williams e dos amigos Jorge Piqueras, Samuel Pérez, César de la Jara, Leopoldo Chariase, Sebastián Salazar Bondy entre outros sustiverem o produto cultural moderno. “Além da Revista em forma paralela a Agrupação Espaço realizava conferencias, teatro e consertos de musica organizados por Celso Garrido Lecca e Enrique Iturriaga na baixa dos banhos”. (Martuccelli, 2012:76)

Mais na segunda conversa de 2006, Córdova afirma que “Sim forem anos muito duros se tinha muita dificuldade de fazer a Revista, mais vezes em forma irregular foi muito difícil manter o ritmo que era essencial numa revista” (Martuccelli 2012:90) Penso que o momento era especial, levar a modernidade nas costas para um grupo de pessoas ate em forma reduzida não foi uma tarefa fácil, a sequencia era fundamental para manter os pensamentos modernos, apesar que na linha do tempo do agrupamento espaço durou relativamente pouco tempo mais marcou para a arquitetura e para os pensamentos dos simples mortais um inicio que era diferenciado, para sair do marasmo do antigo tem que arriscar, vanguardas tem essa aptidão , mais si não fosse pelas pessoas que vão atrais de seus ideais não tivesse acontecido.

Sabemos que a modernidade chegou à forma tardia no Perú, não foi muito diferente no Brasil, mais si não fosse à chegada do mestre Le Corbusier com seus cinco princípios modernos, como disse na terceira entrevista em 2007 o arquiteto Córdova ao dizer “Le Corbusier, marco muita influencia em nos” (Martucceli, 2012:113). Em inclusive afirma quando fazem a pergunta: “Da arquitetura de Latinoamerica o que interessa? Na resposta diz – o Brasil abrirem nossos olhos nos inícios da década de 1950. Oscar Niemeyer e o impacto do Ministério de Educação e Saúde no Rio de Janeiro. Depois Brasília com seu edifícios tratados de forma escultórica...” (Martuccelli, 2012:114). Mais devemos recordar que na Revista do “Arquitecto Peruano” de Fernando Belaunde no Perú, Mario Pani de México, Hector Mardones de Chile. Assim como as influencias nas visitas ao Perú por parte de Walter Gropius. Richard Neutra, Felix Candela entre outros renomados arquitetos marcarem a vida deste importante arquiteto peruano Adolfo Córdova.

F.05 – Imagem do projeto do Edifício de apartamento dos arquitetos Adolfo Córdova e Carlos Williams – Chiclayo – Perú (Premio Chavín 1959).
Fonte: No livro “Conversaciones con Adofo Córdova” de Elio Martuccelli, 2012. (p.157)

Para terminar gostaria de dizer que nos textos apresentados o Dr. Elio Martuccelli tem muitos outros temas que são interessantes para mencionar, mais considero que seria impossível explicar tantos assuntos, deixando aquele gostinho de querer saber mais, mais considero que faz parte desta breve exposição de seu livro “Conversaciones con Adolfo Córdova” (2012), sem lugar a duvida tanto na Introdução como no Capitulo inicial Martuccelli deixa muitas reflexões sobre a modernidade. As entrevistas/conversações com o calejado arquiteto e professor Adolfo Córdova nos deixa muitos ensinamentos não só na área da arquitetura, o do importante processo de ação na busca da modernidade com o nascimento do “Agrupamento Espaço”, mais as reflexões que ele faz com a vida cotidiana de forma agradável de contar sua larga trajetória em pro do cambio, que na nossa maneira de ver - marcou e marcará ainda muito em dizer sobre o processo histórico da modernidade.

Goiânia, 23 de Janeiro de 2013..
Arq. Jorge Villavisencio.


Bibliografia
MARTUCCELLI, Elio; Conversaciones com Adolfo Córdova, Instituto de Investigación de la Facultad de Arquitectura, Urbanismo y Artes de la Universidad Nacional de Ingeniería, 2012.

Nota:
As citações apresentadas neste texto forem originalmente no idioma espanhol, a tradução forem feitos por Jorge Villavisencio.
As imagens F.01, F.04 e F.05 – forem scaneadas do livro original em espanhol “Conversaciones con Adolfo Córdova” de Elio Martuccelli (2012).

domingo, 13 de enero de 2013

O sentido da modernidade brasileira.

O sentido da modernidade brasileira.
Arq. Jorge Villavisencio

Ao iniciar o ano de 2013, queríamos dar algumas pinceladas do que representa a arte moderna brasileira, que tem como fundamento a visão de vanguardas, pensamos que é importante relacionar a arte moderna (que como sabemos a arquitetura faz parte das visões artísticas em todos os tempos) com a vida contemporânea. Aproveitamos o livro de Katia Canton “Do moderno ao contemporâneo” de 2012. Trata-se de fazer algumas possíveis reflexões sobre o tema da arte brasileira acima de seus textos, muitos assuntos me chamarem a atenção deste livro, primeiro pelo agradecimento que faz Canton ao seu editor Alexandre Martins Fontes, entendemos isto como empenho de muitos anos de esforço e de acreditar nas suas pesquisas. Segundo em fazer um livro que tenha acesso para as massas populares, não só pelo preço como ela diz: “valor de uma revista” sino pela linguagem simples mais consistente que Canton nos ocupa no seu texto.
CANTON, Katia; Do Moderno ao Contemporâneo, Editora Martins Fontes – terceira tiragem, São Paulo, 2012.

E aqui vão minhas primeiras reflexões: sobre a primeira acreditar nas pesquisas é importante para qualquer pessoa em querer “difundir” seu trabalho em muitos anos de esforço, penso eu que não seria justo para o povo que procura certas formas de cultura que são plasmadas nas artes sejam estas modernas ou contemporâneas, o não conhecer ou pelo menos se informar das formas conexas que tem a arte com a vida cotidiana. Sobre a segunda: e muito “restritivo” obter livros dentro de uma realidade brasileira que tem outras prioridades básicas da vida (mais devo ser correto ao dizer que nestes últimos anos o poder aquisitivo brasileiro tem melhorado – ainda não é o suficiente como queríamos que fosse mais é sensível a uma melhora, apesar de todos das problemáticas socioeconômicas que vive nosso planeta iminente já globalizado), entendemos que escritos como este cumpre com valorações que são sensíveis (claro para quem quiser ver) com nossas formas de vida cotidiana, além claro, de conhecer o processo da iniciação histórica no espaço-tempo nos primórdios artísticos da modernidade . “Nos anos 1960, já dizia o critico brasileiro Mario Pedrosa – a arte é o exercício experimental da liberdade” (Canton, 2012:11).

Como sabemos a modernidade se afirma com a revolução industrial na metade a final do século XIX e perdura durante todo o século XX, mais também a politica influi a sociedade com os pensamentos a partir do ano dos 1917, com a revolução da extinta União Soviética – politica dividida entre o socialismo e o capitalismo.

Sem lugar a duvidas nestes tempos criam novas formas de ver o mundo, já seja pela ”... conter o espirito do tempo, refletir visão, pensamento, sentimento de pessoas, tempos e espaços.” (Canton, 2012:13), mais o que busca é o novo, para isso é necessário “rupturas” nos pensamentos do passado, mais devo ser claro sem esquecer a antiguidade, que serve de base para entender os pensamentos modernos ou contemporâneos. Mais esta ruptura se torna necessário, porque ao final de contas o que procura é a vida com visão “prospectiva”, sem isto se tornaria a vida (expressado nas artes) inconsistente, o produto do “novo” é essencial no pensamento atual. Desta forma nas artes os diversos movimentos modernos se manifestam no abandono dos impressionistas nas academias, na procura de mais liberdade, e assim nascem os pós-impressionistas, os cubistas, o futurismo italiano, etc. O abandono radical das artes realistas fica por detrás, o que procuram são mais “emoções” – lembremos o dito pelo mestre Niemeyer – “a arquitetura tem que emocionar”, faço esta pequena mais simbólica lembrança deste arquiteto que sempre procuro levar o espírito da sua arte através de seus desenhos dentro da cultura brasileira, e claro de aqui a nossa homenagem a Oscar Niemeyer, é gostando o não, sempre será o grande mestre Niemeyer gerador de arte.

Um dos assuntos da Ph.D. Katia Canton nos traz e a ideia do “flâneur” – aquele que transita sem rumo e percebe as entranhas da modernidade, segundo Canton que invento a palavra foi o crítico poeta francês Charles Baudelaire (1821-1867), pensamos que é muito próprio da modernidade a procura da percepção do novo, mais como seria possível conhecer o novo sem entender a promenade (conotação de visão ampla), as diferentes visões e percepções que nos entrega esta ferramenta de visão. Não nos referimos a uma hipótese, mais confirmamos os pensamentos visionários que cada pessoa possa ter com percepções diferentes, não existira pensamento de vanguarda si todos pensássemos igual, o importante são das “diferencias” e o que enriquece os pensamentos na cultura está ligada nas formas como percebemos a arte. A “promenade” na arquitetura tem essa virtude de ordem qualitativa, mais cada um tem sua própria percepção, essa sensibilidade já depende de cada um – e subjetivo, por isso “... é preciso aliar a sensibilidade pessoal do observador, que se torna cada vez mais afiado no próprio exercício da vivencia e observação das obras de arte...” (Canton, 2012:20).

A arte moderna no Brasil vem dos movimentos da Europa e dos Estados Unidos, se situam inicialmente na cidade de São Paulo, estes trazidos pela boa economia que vinha através do cultivo do café, uma burguesia que era crescente nas suas economias, esta sociedade procurava novos sentidos para a vida, e uma delas se deu na arte, proeminentes artistas surgem como o pintor Lazar Sagall (1921-1957), a pintora paulista Anita Catarina Malfatti (1889-1964), o artista carioca Emiliano Di Cavalcanti (1897-1976), o ensaísta paulista Oswald de Andrade (1890-1954), o escritor maranhense José Pereira da Graça Aranha (1868-1931), o novelista e poeta paulista Mário de Andrade (1893-1945), a pintora capivarense paulista Tarsila do Amaral (1886-1973), dentre outros, muitos destes voltavam de Europa onde rapidamente impulsionarem outras formas de pensar – o modernismo estava presente, todos estes forem precursores da arte moderna brasileira, penso que muitas de formas de pensar (inclusive ate hoje) devemos muito a estes importantes pensadores e artistas modernos.

Para Katia Canton a arte contemporânea “... buscam um sentido, mas o que finca seus valores e potencializa a arte contemporânea são a inter-relações entre as diferentes áreas do conhecimento humano.” (Canton, 2012:49).

Para terminar, como sabemos as diferencias que se da entre o pensamento moderno e o contemporâneo, primeiramente que o pensamento moderno foi um projeto claramente definido que pensamos que se iniciam com a Revolução Francesa no decênio (1789 a 1799) nos seus celebres predicados “Liberté, Egalité, Fraternité”, o “Iluminismo” mudou radicalmente as diferencias entre a antiguidade e a modernidade. O movimento das pessoas marco concreto do moderno, o simbolismo do novo e principalmente do ser racional configuram ate hoje nossas formas de fazer cidades e suas edificações e nas formas do pensar. Mais si pensamos na contemporaneidade, estamos vivenciando numa “provável perspectiva”, algo mais abstrato, sem rumo definido, essa é a incansável procura, são as hipóteses que se irão confirmando o não, como exemplo concreto viver atualmente sem pensar para preservar o “meio ambiente”, e estar fora do pensamento contemporâneo, à sustentabilidade do planeta o exige, já não e uma questão abstrata, é algo concreto, “Quando confrontamos os desafios do século XXI, é a natureza global dos impactos ambientais dos seres humanos que torna imperativo ver todas as pessoas do mundo como nossos parentes. Caso contrário, pouco de nós sobreviverão. Não há ilhas seguras no século XXI.” (Roaf, 2006:21-22), mais penso que virão outras considerações que fazem parte do pensamento moderno e da procura de uma perspectiva contemporânea como da “fraternidade”, algo assim como propõe Sue Roaf como as pessoas do mundo se tornassem parentes, além claro que neste mundo de extremos como da voracidade do capitalismo, faz parte de um individualismo exacerbado, quando sabemos que os pensamentos comuns das grandes massas dos povos fazem que se tenha um equilíbrio, pensar no individual torna-se quase insustentável. Lembremos neste texto que na arte de pessoas como Sagall, Malfatti, Di Cavalcanti, Oswald de Andrade, Graça Aranha, arquitetos brasileiros como Niemeyer, Lelé, Vilanova Artigas, os irmãos Roberto, Lucio Costa, Correa Lima, entre outros, puderem fazer a grande diferença de um projeto moderno claramente definido.

Goiânia, 13 de Janeiro de 2013.
Arq. Jorge Villavisencio


Bibliografia

CANTON, Katia; Do Moderno ao Contemporâneo, Editora Martins Fontes – terceira tiragem, São Paulo, 2012.

ROAF, Sue; Ecohouse: a casa ambientalmente sustentável, Editora Bookman, Porto Alegre, 2006.

viernes, 7 de diciembre de 2012

Niemeyer é seu legado de cultura arquitetônica.

Niemeyer é seu legado de cultura arquitetônica.
Arq. Jorge Villavisencio

O dia 5 de dezembro de 2012, precisamente às 21.55 horas morre o mestre Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho aos 104 anos. No primeiro momento para que tem acompanhado seu extenso e valioso trabalho somos sensíveis pelo seu desaparecimento. Sendo este blog dedicado à arte da arquitetura pensamos que poderíamos fazer algumas reflexões, talvez a titulo pessoal de homenagear, mais com conotações da vida deste importante arquiteto da América do Sul.

F.01 - Congresso Nacional de Brasília.
Fonte: Arquivo pessoal – Jorge Villavisencio.

Niemeyer apresentou um extenso legado sobre seus projetos arquitetônicos, poderíamos referimos a uma “arquitetura moderna” onde possibilitou ter um olhar prospectivo, e claro como projeto moderno claramente definido como sabemos.

F.02 - Ministério de Educação e Saúde de Rio de Janeiro.
Fonte: Arquivo pessoal – Jorge Villavisencio.

Não poderíamos referimos a seu trabalho num só momento, mais bem em uma linha do tempo em etapas, para-nos que temos investigado ao longo do tempo podemos definir claramente três épocas da sua arquitetura, o moderno de 1928 a 1967, o contemporâneo de 1967 a 1991, e o pôs-contemporâneo de 1991-2012. Sobre este assunto trataremos de explicar num outro momento.

F.03 - Igreja São Francisco de Assis – Pampulha, Belo Horizonte.
Fonte: Arquivo pessoal – Jorge Villavisencio.

F.04 - Casa do Baile – Pampulha, Belo Horizonte.
Fonte: Arquivo pessoal – Jorge Villavisencio.

Também queremos contar um pouco de nossa vivencia/experiência que tivemos com Oscar Niemeyer. No ano de 1978 ainda estudantes de arquitetura da PUC-Goiás, ele veio a nossa escola a apresentarem seu livro “A forma da arquitetura”, devemos lembrar que Niemeyer voltava de seu exilio provocado pelo Golpe Militar no Brasil, é entendemos que em sua bela palestra em conjunto com o sociólogo e seu amigo Darcy Ribeiro, fizerem uma serie de reflexões sobre a arquitetura, lembro-me disto muito bem, tanto assim que marcou minha profissão de arquiteto e urbanista. Talvez Niemeyer avido por explicar seus projetos que tinha feito na França e Argélia, etc. Mais com uma simplicidade que é digna do verdadeiro mestre. Ao colocar que a arquitetura e secundaria o importante é o ser humano, o amigo, a isto gostaria de agregar que a arquitetura e o urbanismo são para as pessoas sem distinção de raça, credo, o nível socioeconômico, a “arquitetura é para todos”. O momento politico do Brasil era muito diferente da atualidade, nos arquitetos e estudantes de arquitetura procuramos ser mais políticos, claro na busca de uma democracia que seja concordante dos povos não só do Brasil, sino da maioria dos Governos militares que imperavam na América do Sul. Uma contaminação que esperamos que “nunca mais se repita”.

F.05 - Lembrança do professor Oscar Niemeyer no livro “A forma na Arquitetura”, Avenir Editora, Rio de Janeiro, 1978.
Fonte: Arquivo pessoal – Jorge Villavisencio.

Naquele livro que apresentava Niemeyer, que para ele era um pequeno texto onde se referia da “forma” ou o formalismo da arquitetura, talvez muito de nos preocupados com na organização dos espaços num lado mais funcionalista do tipo das teorias de Adolf Loos, mais entendemos muito bem que é parte de função “a forma”, as formas – as belas formas da estética, e não seria possível de apresentar um projeto que funcionasse muito bem, mais que tenha forma, a procura das formas belas. Com se refere ao longo do tempo que o que fascinam são as curvas, e não a linha reta.

F.06 - Edifício COPAN, São Paulo.
Fonte: Arquivo pessoal – Jorge Villavisencio.

Tenho assistido algumas vezes as reflexões que faz Niemeyer, mais poucas vezes refirio-se a seu Pai tão alegre, de sua Mãe, das suas tias Milota, Maria Eugenia, todos tão generosos sobre a vida, isso da à ideia da importância do professor Oscar no seu lado humano, a importância do “ser” é o que realmente interessa.

F.07 - Catedral Metropolitana de Brasília.
Fonte: Memorial JK – Juscelino Kubitschek.

Na varias entrevistas que forem publicadas pela sua morte (ver links embaixo), foi homenageado e se fala que ainda tem algumas de dezenas de projetos que forem concluídos, que pronto deverão ser iniciadas suas obras, por isso ainda teremos a Niemeyer em “espirito”, lembremos que ele era comunista de coração e agnóstico. Mais ele fez mais de duas dezenas de centros ecumênicos de diferentes religiões. Lembro-me do caso da Igreja Católica de São Francisco de Assis da Pampulha que cúria só deixa celebrar cultos ecumênicos quase 20 anos depois de inaugurada a igreja. Mais gostaríamos de ressaltar da Catedral Metropolitana de Brasília, que para mim é a grande obra do mestre Niemeyer, não só pela importância do lugar, ou pela religião, mais sim a síntese do era a arquitetura para Niemeyer. Talvez ao dizer a importância de sua Avo na vida dele “Valha-nos Deus Ribeira brava”.

F.08 - Cassino – Pampulha, Belo Horizonte.
Fonte: Arquivo pessoal – Jorge Villavisencio.

F.09 - Vista interior do Cassino – Pampulha, Belo Horizonte.
Fonte: Arquivo pessoal – Jorge Villavisencio.

Gostaria de terminar este pequeno texto, mais com sinceridade do caso, Niemeyer ainda estará vivo por muito tempo, e quedam as palavras do amigo Darcy Ribeiro que o arquiteto Oscar Niemeyer será o único brasileiro lembrado no século XXX. É possível sim porque a quantidade e qualidade de obras que deixa no Brasil e no mundo todo deixa esse legado de “cultura arquitetônica” para tudo mundo ver, arquitetos o não, e para todos , disfrutar e apreciar, independentemente si gosta o não, as obras estão ali, e o vivo reflexo de uma arquitetura moderna que ainda será tema discussão por muito tempo. Obrigado mestre Niemeyer por ter dado seu legado para o povo, não são de teu amado Brasil como você dizia, mais sim de uma arquitetura que ainda esta latente na América do Sul, digno representante deste espaço, essa é minha opinião.

Goiânia, 7 de Dezembro de 2012.
Arq. Jorge Villavisencio.


Nota:
Embaixo estão algumas publicações (entre o dia 5 e 6 de Dezembro de 2012) que forem feitas no transcurso da morte do arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012).

http://www.lemonde.fr/ameriques/portfolio/2012/12/06/oscar-niemeyer-l-architecte-de-la-sensualite_1800540_3222.html

http://elcomercio.pe/espectaculos/1506157/noticia-oscar-niemeyer-poeta-curvas-y-diez-frases-no-olvidarlo?ft=grid

http://www.nytimes.com/2012/12/06/world/americas/oscar-niemeyer-modernist-architect-of-brasilia-dies-at-104.html?hpw

http://www.latimes.com/news/obituaries/la-me-oscar-niemeyer-20121206,0,554245.story

http://edition.cnn.com/2012/12/06/americas/gallery/oscar-niemeyer-dies/index.html?hpt=hp_mid

http://www.bbc.co.uk/news/world-latin-america-17935688

http://www.internazionale.it/portfolio/gli-spazi-di-niemeyer/

http://www.bild.de/reise/2012/architekt/tod-niemeyer-architektur-brasilia-27547900.bild.html

http://www.granma.cu/espanol/noticias/6-diciembre-oscar-niemeyer.html


lunes, 12 de noviembre de 2012

Cidades, edifícios: aspectos tecnológicos – infiltrações.

Cidades, edifícios: aspectos tecnológicos – infiltrações.
Arq. Jorge Villavisencio

Uns dos aspectos que às vezes não são percebidos visualmente, mais em muitos casos criam desconforto são os problemas relacionados com as “infiltrações”, que na maioria das vezes a arquitetura e principalmente na maneira como nos comportamos nas nossas cidades pode amenizar este desconforto, na maioria das vezes se torna elementos de “risco”, pensamos que a falta de pesquisas/investigações sejam unos dos motivos para que no “ciclo hidrológico” que sempre existira, porque a mãe natureza sabe com perfeição como solucionar seus problemas, mais umas das faltas ou descaso mais palpitante é que no lugar da planificação de cidades e nos projetos e construções de edifícios não nos adaptamos a própria natureza (relevo), tentamos modificar as mesmas, muitas vezes sem necessidade, e como consequências temos desastrosos resultados na maneira como convivemos com nossos edifícios e cidades. Claro o comportamento das pessoas que habitas nestes espaços faz que torne ainda mais insustentável, criando ainda mais alterações no convívio no dia a dia. O proposito deste texto talvez seja visualizar estes espaços que forem construídos, ou alertar para os que ainda não forem construídos, desta forma posam ter “alternativas”, as que comumente utilizamos como maneira de projetação ou na planificação de cidades.

F.01 – Como estão nossas cidades?
Fonte: José Camapum de Carvalho e Ana Cláudia Lelis, Geotécnica, UNB, 2010.

Como primeira medida não podemos entender a projetação de um edifício si não conhecemos o “entorno urbano”, seria como isolar-se de uma problemática que esta latente no convívio de cidades, porque ao final de contas a gente vive em sociedade, e como é logico as soluções devem ser tomadas por “consenso”, como sabemos ter consenso não e uma tarefa fácil, mais é necessária, penso que no Ministério das Cidades obrigo em forma consciente que os municípios através de suas Prefeituras realizem seus “Planos Diretores”, de esta forma o planejamento no ordenamento territorial seja capaz de realizar diretrizes que norteiem seus consensos nos longos debates em que forem realizados, em especial ao “uso do solo”.

F.02 – Ciclo hidrológico.
Fonte: José Camapum de Carvalho e Ana Cláudia Lelis, Geotécnica, UNB, 2010.

Basicamente o ciclo hidrológico está relacionado com a agua, definindo: “a circulação de agua na atmosfera, nos estados solido, liquido o gasoso, esse movimento é mantido pela gravidade, pela energia solar, pelo efeito do vento e pelo próprio potencial de retenção de água do solo” (Carvalho, 2010:7). Pensamos que na medida que conheçamos as formas como se produzem na atmosfera estes elementos ditos por José Carvalho, podamos atenuar a problemática, que em resumo são seis: por precipitação, infiltração, escoamento, evaporação, transpiração e por ultimo por condensação.

No caminho das aguas existem fatores climatológicos em cada região, por isso é necessário conhecer as realidades, através de pesquisas ate certo ponto regionais. Cada cidade ou região guarda características diferentes, estes provocados por seu relevo, por seu clima, pela porosidade do solo, assim como fatores de descaso pelas autoridades publicas onde teve desmatamento, modificação (natural às vezes sem necessidade), como sucede em muitas cidades onde a exploração imobiliária e iminente, e nos usos no solo não são respeitados para o que foi planejado ou determinado, criando uma atmosfera diferente do que ela é.

O processo acelerado da expansão urbana é um fato social, mais na maioria das vezes sucede em forma incontrolada, agredir o meio ambiente faz que se perca qualidade de vida nas cidades e suas regiões. Como tínhamos dito anteriormente as politicas urbanas tem que ser em forma consensual, que é um instrumento básico para a supervivência. Penso que atualmente temos avançado em alguns casos, como exemplo o respeito ao meio ambiente se torna ou se tornará mais necessário, “As soluções urbanísticas nas cidades aliadas aso processo de educação e a conscientização ambiental da sociedade definirão o futuro do planeta” (Carvalho, 2010:9), sem sombra de duvidas a “cultura” como meio importante de conscientização das diversas problemáticas que vivem as cidades olham estas em “prospecção”, de esta forma se poderá minimizar os desconfortos que atualmente vivemos.

O equilíbrio ambiental é o sucesso, para uma boa qualidade de vida, a participação em todas suas formas se torna cada vez mais necessário, como exemplo fiscalizar as áreas publica, não é uma tarefa só dos governos de turno, porque eles passarão, mais nos que moramos nas nossas cidades temos a obrigação, com uma vida com mais saúde, não e possível que por uns poucos paguemos o preço tão alto em uma vida exacerbadamente sem controle nenhum, cabe a todos nos colocar um alto, no descaso que só buscam uma vida individualizada, em desapreço das maiorias, por isso é que temos direitos, mais também deveres a cumprir.

F.03 – Alternativas sustentáveis: Poços de infiltração feitos com pneus usados.
Fonte: José Camapum de Carvalho e Ana Cláudia Lelis, Geotécnica, UNB, 2010.

As novas pesquisas tecnológicas denotam alternativas mais sustentáveis, “Além das alternativas convencionais de materiais para construção dos poços de infiltração, podem ser utilizados materiais alternativos” (Carvalho, 2010:24). Penso que a procura de novas alternativas com tecnologia, além que soluciona em parte os problemas, como neste caso o excesso de agua, gera como pensamento cultural mais sadio e de forma sustentável.

F.04 – Bacias de Retenção.
Fonte: José Camapum de Carvalho e Ana Cláudia Lelis, Geotécnica, UNB, 2010.

Algumas propostas em forma tecnológica como as bacias de “retenção”, podem se tornar bacias permanentes, inclusive nas poucas áreas verdes existentes nas cidades, área publica como parques ou grandes praças poderiam solucionar em parte o excesso das aguas, sejam estas causadas pelas chuvas, além que cria uma imagem interessante na paisagem urbana, nestas lagoas artificiais de hoje, mais no futuro serão espaços definitivos, em que consideramos boas alternativas, com custo no muito alto, em relação ao custo beneficio da vida nas cidades.

F.05 – Bacias de Detenção.
Fonte: José Camapum de Carvalho e Ana Cláudia Lelis, Geotécnica, UNB, 2010.

As bacias de “detenção” também ser torna uma alternativa tecnicamente correta, talvez hoje a um custo elevado, porque estes espelhos de agua não só ajudam visualmente na, a maneira de paisagem melhora, mais soluciona em parte os excessos de aguas, a canalização da drenagem da rede publica pluvial pode ser levadas em parte a estes espaços, cidades como pouca humidade relativa no ar como na região do centro-oeste pode amenizar este problema, mais é necessário que a agua se faça recircular, evitando assim problemas de doenças através de insetos.

Por ultimo temos analisado que muitas vezes ao conseguir regularizar-se as edificações, rapidamente são modificados deixando de lado as áreas permeáveis (áreas verdes ou pisos com qualidade drenam-te) para transforma-los em lajes totalmente impermeável, prejudicando a vazão das aguas pluviais, como sabemos o problema não só e de aquela edificação, mais o problema persiste, e a cidade torna-se ainda mais insustentável, penso que a através de novos trabalhos científicos com técnica autossuficiente de maneira sustentável como as bacias de retenção ou detenção poderá minimizar em algo a problemática existente. Edificações que presam obedecer aos códigos de edificações, tem que arcar com custos extras nas suas edificações, utilizando tecnologia que impermeabilize seus edifícios através de mantas asfálticas ou produtos químicos, que resguardem contra o excesso de humidade, porque lembremo-nos que a tecnologia ajuda em resolver alguns problemas, mais a consciência que é pautada na cultura é mais concordante com as verdadeiras e reais necessidades da vida das pessoas que habitam em seus edifícios na sua cidade.

Goiânia, 12 de Novembro de 2012.
Arq. Jorge Villavisencio


Bibliografia

DE CARVALHO, José; LELIS, Ana Claudia; Cartilha Infiltração, Universidade Nacional de Brasília, Brasília DF., 2010.

ROAF, Sue; ECOHOUSE: A casa ambientalmente sustentável, Ed. Bookman, Porto Alegre, 2007.

http://jvillavisencio.blogspot.com.br/2011/01/sustentabilidade-e-busca-da-xi.html

lunes, 1 de octubre de 2012

Casa do Baile na Pampulha em Belo Horizonte: um olhar diferenciado.

Casa do Baile na Pampulha em Belo Horizonte: um olhar diferenciado.
Arq. Jorge Villavisencio

Para quem teve a sorte de conhecer in loco esta obra formidável do arquiteto Oscar Niemeyer, deixa para gente, muita reflexão do que é a arquitetura moderna. A obra da “Casa do Baile” (1940-1942) está localizada as margens da lagoa da Pampulha, na cidade de Belo Horizonte, capital do Estado de Minas Gerais. Considero ser um bairro bastante peculiar, claro este inspirado na proposta urbana do “visionário” o mineiro Juscelino Kubistchek (1902-1976) naquela época prefeito da cidade de Belo Horizonte.

F.01 – Obra da Casa do Baile (1940-1942) Pampulha-BH – de Oscar Niemeyer – o entorno.
Fonte: Jorge Villavisencio (2012)

Hoje este edifício cumpre um papel importante para a cidade, primeiro porque foi mantido na sua essência a “memoria” da cidade, assim como a espacialidade do projeto de uma arquitetura moderna que olha em prospecção. O uso atual do edifício que é utilizado como Centro de Referencia Urbano de Belo Horizonte. Consideramos importante seu uso, já que faz que seja conhecido não só pela população da cidade, sino para todos que visitam este espaço dedicado para a “cultura”, que é um passo importante para o desenvolvimento do povo que e tão carente destes espaços.

F.02 – Obra da Casa do Baile (1940-1942) Pampulha-BH – de Oscar Niemeyer – o espaço interior dedicado para o uso da “cultura”.
Fonte: Jorge Villavisencio (2012)

Sem sombra de duvidas as linhas sinuosas esta presente nos projetos de Niemeyer, tanto assim que ao dizer “que as linhas curvas é que o atraem”, e claro estes dois volumes em forma cilíndrica unida por uma passarela (marquise) que acompanha as linhas da lagoa, “... a arquitetura tira partido de sua implantação dentro da lagoa e estabelece um dialogo desenvolto pelas aguas através uma marquise ondulada que, ao mesmo tempo, protagoniza o espaço construído e emoldura, em conjunto com os pilares, a paisagem natural” (in. David Kendric Underwood, 2010).

F.03 – Obra da Casa do Baile (1940-1942) Pampulha-BH – de Oscar Niemeyer – a marquise como ato reflexivo do conceito da “promenade”.
Fonte: Jorge Villavisencio (2012)

Ao chegar ao edifício encontramos uma ponte que esta inserida entre a Avenida Otacílio Negrão de Lima (no. 751) e o edifício, entre eles se encontra um pequeno canal, que da a ideia de estar o edifício flutuando como si fosse uma ilha, que nos leva a uma reflexão profunda, como o expõe Martin Heidegger (1889-1976) no seu brilhante texto “Habitar, Construir, Pensar”, onde coloca de donde começa a ponte – da avenida ao edifício ou do edifício para a avenida, estó tem um fundo importante nos aspectos intuitivos do pensar sobre a arquitetura e na construção de cidades (no urbano), é claro, nos aspectos genéricos da vida comum.

F.04 – Obra da Casa do Baile (1940-1942) Pampulha-BH – de Oscar Niemeyer – vista da ponte.
Fonte: Jorge Villavisencio (2012)

No cabe duvida que a mão do paisagista do mestre Roberto Burle Marx (1909-1994) esta presente, nestas mãos do artista plástico que em minha opinião vem de pensamento do neoplasticismo, se atem a estas pinceladas que entregam essa magnitude que o obra precisa, e valido lembrar que o edifício da Casa do Baile pode-se dizer que é de pequeno porte em área construída (a diferencia de outras obras de Niemeyer), mais tem uma essência e qualidade espacial que nos leva a disfrutar como ato de “contemplação” que penso que Niemeyer propôs nesta obra.

F.05 – Obra da Casa do Baile (1940-1942) Pampulha-BH – de Oscar Niemeyer – desenhos originais de Oscar Niemeyer
Fonte: Exposição no edifício da Casa do Baile (hoje Centro de Referencia Urbano de Belo Horizonte – 2012)

Outro proeminente artista plástico nas mãos de Candido Portinari (1903-1962) que fez os diferentes murais nos seus azulejos que está presente na obra. Assim como a obra do Ministério de Educação e Saúde (1936-1947) de Rio de Janeiro, emblemático edifício da arquitetura moderna brasileira da época do prospectivo politico Ministro Gustavo Capanema (1900-1985), claro, baixo a tenacidade de Lucio Costa e da assessoria de Le Corbusier e dos “jovens arquitetos brasileiros” (Hugo Segawa, 1998) estó na época do Presidente Getúlio Vargas (1882-1954), não fosse sido possível que a obra da Casa do Baile tivesse a importância que em minha opinião e “relevante” não só para a arquitetura brasileira mais sim uma arquitetura moderna que procurava uma arquitetura com estilo internacional, mais considero que teve sim está obra a mão de uma arquitetura que era topicalizada dentro da paisagem tropical, algo que em algumas das obras de Niemeyer penso que teve o cuidado profundo. Só para lembrar as obras de Niemeyer da Pampulha for para ele seu “primeiro projeto individual” com projeção internacional, além claro que a arquitetura brasileira já participa do cenário internacional
.
F.06 – Obra da Casa do Baile (1940-1942) Pampulha-BH – de Oscar Niemeyer – vista parcial exterior do edifício – o paisagismo de Burle Marx.
Fonte: Jorge Villavisencio (2012)

Revisando algumas imagens (in loco) da historia deste edifício vi que nos anos 80 este edifício foi depredado (detonado: na gíria de uma linguística contemporânea), mais a tenacidade do próprio Niemeyer e claro dos políticos de turno puderam resgatar a originalidade e a importância deste edifício.

F.07 – Obra da Casa do Baile (1940-1942) Pampulha-BH – de Oscar Niemeyer – vista parcial.
Fonte: Jorge Villavisencio (2012)

Como tínhamos mencionado no inicio deste artigo, o edifício serve como Centro de Referencia Urbano de Belo Horizonte, penso que o edifício serve e servirá para as gerações futuras, não só como memoria arquitetônica, mais também como resgate cultural, é para mim, e penso que para muitos a sustentabilidade se dá como pensamento a futuro – por isso existe a frase celebre onde diz: “deixar para as gerações futuras”, e tudo isto deve estar imbuído num pensamento que não só pensa de forma prospectiva, sino também como uma nova perspectiva que este presente no pensar de uma cultura contemporânea.

Goiânia, 1 de Outubro de 2012.
Arq. Jorge Villavisencio


Bibliografia

BRUAND, Yves; Arquitetura contemporânea no Brasil, Editora Perspectiva, São Paulo, 2008.

FRAMPTON, Kenneth; Historia crítica da arquitetura moderna, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2008.

NIEMEYER, Oscar; A forma na arquitetura, Avenir Editora, Rio de Janeiro, 1978.

OHTAKE, Ricardo; Oscar Niemeyer, Editora Publifolha, São Paulo, 2007.

NIEMEYER, Oscar; Minha Arquitetura 1937-2004, Avenir Editora, Rio de Janeiro, 2002.

UNDERWOOD, David Kendric; Oscar Niemeyer e o modernismo de formas livres no Brasil, Editora Cosac & Naify, São Paulo, 2010.

HEIDEGGER, Martin; Habitar – Construir – Pensar, de Conferencias y Artículos, Ediciones del Serval, Barcelona, {1954}, 2001.

http://jvillavisencio.blogspot.com.br/2011/05/pampulha-o-pensamento-de-visao-moderna.html

lunes, 24 de septiembre de 2012

Ensino da arquitetura (Segunda parte)

Ensino da arquitetura nas didáticas contemporâneas
Arq. Jorge Villavisencio

No ano de 2010 realize um texto sobre as reflexões no ensino da arquitetura (texto este foi escrito em espanhol) cujo titulo: “Visualizando la enseñanza de la arquitectura: del pasado-presente, hacia el futuro promissor” (1), que tratava no inicio dos uso das novas tecnologias e ferramentas (informática) no processo do ensino da arquitetura e no urbanismo; também fazia algumas reflexões no sentido de “estar ou não de acordo com aquele texto” desta forma se poderia encontrar ou dar-se para motivar novas formas “ideias ou ideais” no processo do ensino.

Então, si bem e certo que temos como base o pensamento moderno, onde este calcula e leva a ver a vida de maneira “prospectiva”, mais o termo moderno como base solida do “pensamento moderno”, muito diferente do pensamento contemporâneo, onde seja uma possível “perspectiva”, e só isso, e não um projeto claramente definido como foi na modernidade. Mais ambos os momentos da historia neste caso da arquitetura e da vida, porque e bom lembrar que a arquitetura esta dentro das ciências humanas aplicadas e que a arquitetura e o urbanismo estão feitos para os seres humanos, mais como dizia em ambos os momentos o que visa é o “futuro promissor”.

F.001 – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – Universidade de São Paulo – FAU/USP.
Fonte: Jorge Villavisencio (2010)

Mais como explicava a teoria sobre o ensino da arquitetura que para P. Zumthor (2) ao dizer que: “A força do bom desenho radica em nos mesmos, nas nossas habilidades para perceber o mundo com emoção e com a razão. Um bom desenho arquitetônico e sensual. Um bom desenho arquitetônico é inteligente” (Tkinking Architeture, Birkhäuser, Basep, 1998:18-19), sem duvida é concordante a o que Oscar Niemeyer diz que principalmente “a arquitetura tem que emocionar”, e claro a “razão” esta imbuído no pensamento dos pós-guerras mundiais, onde não podemos gastar por gastar nos projetos e nas obras de forma arbitraria ou absurda, claro isto deverá ser visto de maneira ética e sustentável.

F.002 – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – Escola do Ambiente – UNIEvangélica.
Fonte: Jorge Villavisencio (2010)

Também penso que nestes quatro enunciados como: a escala; espaço/tempo; o lugar e a materialidade, podem explicar os passos a seguir como um roteiro para prática das teorias acadêmicas, algumas qualidades que em muitos casos já faz parte da experiência/vivida pelo acadêmico [definamos melhor: pessoas que conheçam diversos lugares dentro e fora do pais], reforça essa capacidade de interação como a projetual e o vivido [ou pelo menos observado de forma leve – claro pela falta de experiência] a importância de conhecer e pesquisar pode fazer a diferencia no ato projetual, pareceria que vem a nossas mentes como um “estalo” onde podem ser resolvidos, ou pelos menos temos outras alternativas para a produção projetual. Como definição do projeto: “Esta se aproxima ao aluno ao processo projetual como busca da solução de um encargo. O programa aparece como ordenador e gerador de espaços e de suas relações” (2).

F.003 – Facultad de Arquitectura, Urbanismo y Artes – Universidad Nacional de Ingeniería, Lima - Perú, FAUA/UNI.
Fonte: Jorge Villavisencio (2010)

Uma das soluções de visão estão inseridas dentro a “heurística” como instrumento de auto ajuda para a solução como explica José Luque Valdivia “...a estrutura e um modelo construído pelo pesquisador partindo fatos como hipótese de trabalho, mais ao ser verificado, está adquire um caráter explicativo. Se trata de um modelo heurístico, de um instrumento de investigação que permite o descobrimento das leis gerais de dedução logica.” (3) Mais definamos que a “heurística” como arte de inventar ou descobrir, e desta forma poderia levar a possíveis soluções.

F.004 – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – Universidade Mackenzie, São Paulo.
Fonte: Jorge Villavisencio (2010)

Dentre das varias definições do que é arquitetura, além claro, das definições históricas do tratado de Vitruvio “utilitas, firmitas e venustas” (século I) que derem bases para as outras, mais como entendemos a arquitetura estão complexa, que é difícil (impossível) de ter uma só definição exata, igual e especifica de uma só, mais tem algumas como as Alvar Aalto onde diz: “A arquitetura é uma criação artificial que como linguagem humana tem sustância formal. O mundo do formal e das operações das coisas, e das posições relativas entre elas, de suas relações abstratas com respeito a própria natureza, como e as matemáticas ou a musica”.(3) Este claro tem algumas implicâncias, pois desde o modernismo a procura por uma arquitetura que seja universal, em palavras de hoje arquitetura globalizada. Mais hoje como conceito contemporâneo fazer arquitetura ou cidades que sejam concordantes com o ambiente, a sustentabilidade depende disso – não tem como a natureza adaptar-se ao projeto/obra, seria mais pertinente que o projeto/obra possa adaptar-se ao maximo (si for possível) a natureza, porque lembremos muito antes do homem aparecer na terra, a mãe natureza já sabia como resolveria problemas no seu cotidiano.

F.005 – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – Escola da Cidade, São Paulo.
Fonte: Jorge Villavisencio (2010)

E aqui vão outras reflexões, tantas vezes ditas pelo arquiteto baiano o mestre Joao Filgueiras Lima – Lelé, onde explica claramente que a finalidade da arquitetura esta na “obra construída e não só no projeto”, e claro porque poderíamos fazer um monte de projetos como exercício da vida acadêmica, mais sabemos que quando olhamos para nossas obras estas já construídas além da historia projetual e construtiva existem na teoria que estão inseridas na obra, como o todo, e não tem como no seja assim, o difícil e de explicar isso para os acadêmicos (as) e inclusive tenho reparado nestes últimos tempos que o aluno (a) esta muito interessado nas nossas experiências pessoais em nosso escritório/ate lie, sem sombra de duvida ao contar os casos (experiências vividas) – podem virar para os acadêmicos parte de seus “estudos de casos” que são assuntos muitos importantes para a decisão do partido arquitetônico ou urbanístico, as teorias e as historias estão aí apara a gente ver e reflexionar, desta a forma a critica da arquitetura e dos fenômenos que produzimos na organização dos espaços, onde estas criam e facilita a mesma critica da arquitetura, estas enuncias por Wayne Attoe. (4)

F.006 – Faculdade de Arquitetura, anos 40.
Fonte: não identificado.

Gostarias de terminar nosso texto, ou pelo menos deixa-lo por agora (ate uma terceira parte no futuro) porque entendemos que a temática sobre o ensino da arquitetura e muito amplo, e só através das partes que poderíamos no futuro entenderem o todo. Mais entendemos que o ensino da arquitetura se da com o “dialogo”, lembremo-nos da importante escola de arquitetura moderna da Bauhaus, onde o comprometimento aluno-professor era fundamental para o bom desenvolvimento do processo educativo, antes da projetação existia uma cumplicidade em conhecer de perto os diversos ofícios que são essenciais para o crescimento do aluno, e claro de uma escola de arquitetura e urbanismo com uma apropriada visão do todo, que como sabemos isto ocorre muitos antes da projetação.

Goiânia, 24 de Setembro de 2012.
Arq. Jorge Villavisencio


Bibliografia

(1) http://jvillavisencio.blogspot.com.br/2010/07/ensenanza-de-la-arquitectura-primera.html

(2) Revista de la Facultad de Arquitectura y Urbanismo A3 – Año 2, N° 3 – Pontificia Universidad Católica del Perú, Lima, 2008 – Texto: talleres 1 y 2 – Experiencias del Taller de Diseño del primer año, por Karen Takano; Adriana Scaletti; NelsyBeth Villapol. (p.18-27)

(3) Revista de Arquitectura, La forma del proyecto: enseñar y aprender a proyectar, Universidad de los Andes, Bogotá, Colombia, 2009. – Texto: La enseñanza del proyecto de arquitectura, por Philip Weiss Salas (p.54-73)

(4) ATTOE, Wayne; “La Critica en arquitetura como disciplina” – Escuela de Arquitectura y Panificación Urbana, Universidad de Wisconsin, Milwaukee, Editorial LIMUSA, México, 1982.

lunes, 10 de septiembre de 2012

Bertran: na busca do espaço no cerrado brasileiro

Bertran: na busca do espaço no cerrado brasileiro
Arq. Jorge Villavisencio

O historiador e poeta Paulo Bertran Wirth Chaibub (1948-2005) nascido na cidade de Anápolis, aquele da palavra inventada por ele “cerratense” para designar nesta parte do centro oeste brasileiro – o cerrado, como sabemos Bertran realizo uma basta pesquisa não só como uma historia do lugar como temos mencionado, sino nas formas de comportamentos e atitudes desta parte do Brasil.

                                     
SAUTCHUK, Jaime; Paulo Bertran: O Cerratense; apoio: Graça Fleury, Maria Helena Wirth, Instituto Bertran Fleury; Ed. IDESA – Instituto de Desenvolvimento Econômico e Socioambiental, SECULT, Goiânia, 2012.

Bertran tem lado artístico peculiar que faz parte de sua vida – a poesia sempre teve um lugar especial, pelo menos o que temos percebido nos seus textos. Mais sempre o quase sempre “valorando” a região, mais também contando algumas passagens de sua vida pessoal, em espacial de seus antecessores, a percepção que temos é que a família se torna fundamental, na maneira de expressar nas suas poesias como as que conta: “Meus Avós” ou dos “Fazendeiros Enxangues”, mais a “Mãe Terra”; “Serra Dourada:Pré-escrito com Areias e Casas”; “O ofertório das chuvas” entre outras faz parte do sentido de sua pesquisas.

A apesar de que seus estudos de bacharelado em Economia na Universidade de Brasília que poderia também ser em artes (poeta e musico que ele era), teve uma visão positivista, pouco depois continuo sua pós-graduação na França, “Pessoalmente, era uma enciclopédia ambulante, multidisciplinar, pois se embrenhava em todos os campos, da geologia, a geografia, da biologia, a botânica, da literatura, da arquitetura, das festas populares aos ritmos e danças – nada escapava ao seu meticuloso crivo.” (1)

Sem duvida uma cultura que lhe permitiu levar a determinados meta-pensamentos, que forem repassados através de seus textos, e claro das pessoas que conviverem com ele. Alguns de seus importantes trabalhos foram de esclarecer o Tratado das Tordesilhas (1494), percorreu toda essa imensidão do espaço desde Belém do Pará ate o litoral sul. Também fez uma pesquisa na cidade de Lisboa sobre o “Projeto de Resgate da Documentação Histórica da Capitania de Goiás”, só para lembrar que cidade de Goiás foi à antiga capital do Estado de Goiás, só a mudança da capital do Estado se realiza em 1933 no plano urbanístico realizado pelo arquiteto e urbanista Attilio Correa Lima. Curiosamente no mesmo ano se realiza a Carta de Atenas (1933) onde patuá com o pensamento do L´Esprit Nouveau todo isso aconteceu no Congresso Internacional de Arquitetura Moderna – CIAM.

Dentre seus escritos temos livros como: Formação Econômica de Goiás (1978); Uma Introdução Econômica do Centro Oeste (1988); Memoria de Niquelândia (1985); Historia de Niquelândia (1998); Noticia Geral da Capitania de Goiás (2 volumes – 1997); Historia da Terra e do Homem no Planalto Central (1994); Cerratenses (Poesias – 1998); Goiás (1722-2002); Cidade de Goiás: Patrimonio da Humanidade (2004); Memorial das Idades do Brasil (coautoria Graça Fleury – 2004); Palmeiras de Goiás: primeiro século (2005); Sertao do Campo Aberto (2007).

Também teve homenagens com seu nome estampado com selo (emissão personalizada) da Casa do Correios do Brasil; Troféu Chama Viva (in memoriam) da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás (2005); Premio Brasileiro Imortal pela Academia Brasileira de Letras (2008); Medalha da Ordem do Mérito Anhanguera – Governo do Estado de Goiás (2005); Premio Altamiro de Moura Pacheco - Assembleia Legislativa de Goiás (2011) e Comenda Padre Silvestre Alvares da Silva – Prefeitura de Jaraguá (2011).

“Um dia, no sertão,
o estio, vira boi e poesia

Oco do mundo
Buritizais na contra-luz

A vida a cantar
Cantar para subir a Serra.”

(poesia – Paulo Bertran)

Gostaria de terminar este pequeno texto valorizando a obras do ilustre poeta, historiador e pesquisador desta região do Planalto Central do Brasil – o cerrado, sem duvida Paulo Bertran teve um “espírito” muito persuasivo em querer fazer conhecer seu espaço natalício, isso talvez tenha um valor agregado, em valorar está região do Brasil, também por ter visto o nascimento da capital federal Brasilia, a nossa maneira de ver teve influencia nas suas pesquisas além da publicação de seus vários livros faz que sua sensibilidade espacial seja percebida nos seus textos. Valorar estes espaços e ter compromissos pessoais com a vida – ou ter-lha dignamente faz que tenha sentido ter vivido com intensidade. Valeu Paulo. Tenho certeza que outros “cerratenses” viram para continuar a semente que você e tantos outros ilustres cidadãos plantarem nesta parte do mundo.

Goiânia, 10 de Setembro de 2012.
Arq. Jorge Villavisencio.

(1) SAUTCHUK, Jaime; Paulo Bertran: O Cerratense; apoio: Graça Fleury, Maria Helena Wirth, Instituto Bertran Fleury; Ed. IDESA – Instituto de Desenvolvimento Econômico e Socioambiental, SECULT, Goiânia, 2012. (p.14)