martes, 21 de abril de 2015

A escolha da temática: trabalho de conclusão do curso em arquitetura e urbanismo.

A escolha da temática: trabalho de conclusão do curso em arquitetura e urbanismo.
Jorge Villavisencio

A através do tempo temos percebido das dificuldades por parte dos estudantes de bacharelado em arquitetura e urbanismo na escolha da temática que serão desenvolvidos para o Trabalho de Conclusão do Curso, devemos indicar que é um pré-requisito das faculdades de arquitetura e urbanismo para obtenção do titulo de Arquiteto e Urbanista que posteriormente será registrado no Conselho de Arquitetura e urbanismo – CAU.

Sem lugar a duvidas falar deste tema tão importante para os futuros arquitetos e urbanista poderá de alguma forma de facilitar alguns assuntos que são pertinentes para a escolha do tema.
Temos tomado algumas referencia bibliográfica para poder escrever sobre este assunto, como de Juan Antonio Ramírez – no seu livro “Cómo escribir sobre arte e arquitectura”; José Paulo Pietrafesa e Odiones de Fátima Borba – “Do contexto ao texto: desafio da linguagem cientifica”; do mestre Le Corbusier – “Mensagem aos estudantes de arquitetura”; Luis Piscoya Hermosa – “El processo de la Investigación Científica”; Claus Moller – “O lado humano da qualidade”; entre outras referencias que penso que são importantes para o desenvolvimento do presente texto, com caráter cientifica.

A primeira pregunta que vem na mente: Que temática se deve escolher?

Esta pregunta termina sendo muito personal, já que cada um tem uma livre escolha para o processo da pesquisa e posteriormente a entrega de seu projeto. Mais ao longo deste texto poderá ajudar para a escolha do tema.

Algumas perguntas iniciais que cada um se deve fazer: Quem escreve?; Que pensam do assunto a ser tratado?; Quais são seus sentimentos globais sobre a vida, e da disciplina em particular?; A que publico se dirige seu trabalho?
(Ramírez, 1996:13)

É ate fácil de responder as preguntas feitas por Ramírez, mais não é assim, primeiro porque se deve ter o cuidado na seleção das respostas, uma vez feitas às escolhas na pode se dar marcha ré, já que poderia comprometer toda a pesquisa e sua intenção de seu projeto. Sabemos que a arquitetura e urbanismo esta cheia de “intenções” – que na realidade é a parte de seu ser, de seu sentimento, como o explica Le Corbusier:

“Ela é desenhada por valores espirituais originários de um estado particular da consciência e por fatores técnicos que asseguram a materialização da idéia, a resistência da obra, sua eficácia, sua duração”.
Consciência=razão de viver= o homem.
Técnica=tomada de contato do homem com seu meio.
Produto de estudo: a técnica.
(Le Corbusier {1943}, 2005:35)

Pensamos, que este estado “particular da consciência” está relacionado à própria escolha do tema, primeiro porque em nossa opinião o tema eleito tem a ver com seu estado de espirito, algo que está aderido a nossa própria personalidade, uma sensação de uma dialética de familiaridade com o tema, algo que nos põe no nosso próprio interior – poderíamos definir: algo que gostamos, é que gostaríamos de desenvolver, neste caso o tema de arquitetura e urbanismo.

Segundo, as Escolas de Arquitetura e Urbanismo deixam claro que a escolha do tema deve ser por parte dos alunos, algumas escolas tem algumas linhas de investigação: como exemplo na área de arquitetura escolar, área relacionada à cultura: bibliotecas, centro de cultura, teatros, cinemas, centros de arte e outros, edificações habitacionais ou multifuncionais, centros administrativos de diversos tipos, hospitais ou unidade de saúde, projetos de intervenção de edifícios históricos, requalificação de projetos urbanos e paisagísticos, projetos de tecnologia e esportes, na área de edifícios e espaços urbanos com visão de sustentabilidade, projetos de arquitetura de interiores Luminotécnico e de sonorização, e tantos outros que poderão ser desenvolvidos.

Mais sem duvida a escolha do tema a ser desenvolvido no seu projeto tem uma relação de “empatia” com seu próprio espirito (inteligência emocional), sua própria sensação de querer saber mais sobre o tema de sua eleição. Também se exige um conhecimento básico sobre o tema de eleição, pode ser inclusive um tema que foi desenvolvido ao longo da vida acadêmica, em especial das disciplinas de projeto arquitetônico e de projeto urbanístico.

Mais estamos de acordo com classificação das diferentes tipologias de edifícios ou edificações penso que o arquiteto e professor Edgar Albuquerque Graeff como os define em quatro esferas: “a primeira de Edifícios para a Sobrevivência; segundo Edifícios para a Produção; terceiro Edifícios para a Organização; e quarto Edifícios para o desenvolvimento”. (Graeff, 1986:67-68)

Também, influi muito a escolha do professor/orientador para o desenvolvimento do Trabalho de Conclusão do Curso, existem orientadores que conhecem mais determinados temas, pode ser na área de edificações, o na área urbana. Considero por conveniente que antes da eleição de seu orientador, tenham uma conversão sobre o tema de sua eleição, em alguns casos que alguns professores abrem mão da orientação, já que conhecem pouco do tema, é talvez indiquem outros professor que tenha mais domínio do tema, seja este por sua própria experiência vivida, ou por os trabalhos desenvolvidos nos seus mestrados, especializações ou doutorados. Uma boa comunicação entre aluno/orientador deve ser fluida e de bom trato por ambas as partes, é fundamental para o bom desenvolvimento do trabalho.

Algumas sugestões que faz Moller para o bom desenvolvimento do trabalho e de as relações interpessoais: “Devolva as coisas no mínimo nas mesmas condições em que forem emprestadas, tenha ordem em seu trabalho planifique bem seus caminhos a seguir; Comunique-se sempre com a pessoa ou ligação dos seguintes defeitos, deficiências ou outras circunstancia especiais que forem percebidas; Reabasteça qualquer item que poderá utilizar depois, não espere que se termine dificultará seu trabalho e seu tempo perdido; coloque as coisas onde se possam achar... Sempre verifique a qualidade de seu trabalho, antes de passa-lo adiante – seja uma pessoa do tipo *faz/verifica*”.
(Muller, 1992:65-69)

Para os futuros arquitetos e urbanistas, nesta face do seu trabalho de Conclusão do Curso é bastante exigente que em outras faculdades/profissões. Já que além do projeto arquitetônico ou urbanístico, se tem que apresentar o caderno teórico que fundamenta o trabalho, não se trata de apresentar um determinado projeto, sem uma base solida que seja determinante para uma boa qualidade de seu projeto, que em resume, é tudo o que foi aprendido ao longo do curso, aspectos que são necessários é importantes que forem percebidos. Como exemplo nos estudos de caso, onde a disciplina de história da arquitetura ou urbanismo podem ter influído no seu pensamento ou na sua forma de pensar, assim desta maneira facilitará seu trabalho.

O caderno teórico deve seguir certa normatização e caraterização de um trabalho cientifico, sumários, bibliografias, fontes primarias e segundarias, citações, referencias, fotografias, e outros assuntos que faram parte de seu projeto.

“A escolha do tema do projeto de pesquisa precisa ser bem pensado, de forma de permitir um bom envolvimento com o objeto de estudo. Para tanto, é necessário fazer uma leitura exploratória de artigos científicos na temática que for de interesse do pesquisador. Sugere-se que o tema, a ser desenvolvido na pesquisa, seja envolvente do ponto de vista pessoal e que esteja relacionado com a formação profissional. É necessário observar, também, se a proposta é viável cientificamente, ou seja, se tem literatura disponível e o orientador com experiência naquela temática. Observe se haverá disponibilidade de recursos técnicos, tecnológicos e financeiros.”
(Pietrafesa/Borba, 2006:77)

Outro assunto a ser destacado é a relação com contemporaneidade, o estudo/projeto pode ser histórico mais é conveniente que a relação com o passado/presente este em todo momento, a percepção é importante, a relação com o passado é importante, mais deve ser visto como ponto contemporâneo, como é de hoje, quais suas influencias com o contemporâneo.

“A apertura de interesse historiográfico tem o todo, quanto há sucedido, por outro lado dirige a atenção nas vertentes da realidade ate agora, por outro lado basta definir e valorizar o campo denso de seus eventos, reservando uma indagação cuidadosa...”.
(Pizza, 2000:65)

Como tínhamos explicado anteriormente, se exige além do projeto de arquitetura ou urbano, o “caderno teórico” com uma metodologia que servirá para uma maior apreciação do trabalho completo, apressar que na maioria dos trabalhos científicos tem uma metodologia, que por si devem chegar algumas conclusões, uma espécie de analise dos resultados, mais no caso da arquitetura e urbanismo o resultado é o próprio projeto de arquitetura ou urbanismo.

“O analise dos resultados devem ser praticados na própria luz dos critérios lógicos e epistemológicos. Os primeiros se referem principalmente à correção formal dos razoamentos ou deduções que se realiza o pesquisador, e o grau de assertividade das conclusões obtidas. Os segundos estão conectados com a própria capacidade explicativa das hipóteses estabelecidas, e de seu caráter preditivo...”
(Piscoya, 2007:95)

Considero que todo projeto de arquitetura ou urbanismo tem dois momentos primordiais, o primeiro onde trata de “justificar” determinado projeto arquitetônico ou urbanístico, e num segundo momento é a “explicação” do projeto uma espécie de memorial descritivo. Tenho reparado que muitos dos trabalhos de conclusão não têm estas duas partes, e se fazem confusões. Considero que é muito mais difícil justificar que descrever. A primeira trata de entender o “porque” de tudo, e a segunda descreve os fatos (projetos) de como acontecem.

Escrever como modo de pensar – “Os conceitos e o desenvolvimento argumental estão semielaborados na mente do autor. Sabemos que aproximadamente o que queremos dizer, e temos alguma forma de ordem expositivo, assim como os ingredientes eruditos a utilizar, mais não estão decididos em alguns de seus desenvolvimentos, nem os *golpes de efeito*. Podem faltar informações complementarias que procuramos no desenvolvimento do trabalho. Escrever neste caso e dar forma a um pensamento, que não existia com anterioridade, nem as emoções do escritor, eventualmente exaltados pelos seus descobrimento...”
(Ramírez, 1996:42-43)

Para terminar, todo trabalho tem que ter uma pesquisa previa, um entendimento do espaço a ser criado e projetado, como sabemos não são simples desenhos de um determinado projeto, tem muita teoria e pesquisa/investigação acima deste.
Consideramos que o apresentado neste texto nos abre a uma provável “sistematização” de um conjunto de escritos sobre a importância de um Trabalho de Conclusão do Curso. Assunto que pensamos que abordaremos posteriormente, como exemplo sobre a “escolha do lugar” onde estará inserido determinado projeto, se pensa que desta forma poderemos contribuir para um melhor resultado. Consideramos de suma importância de abordar este importante tema (pouco tocado) desta poderemos (o não) elucidar alguns assuntos de pertinência dos estudantes de arquitetura e urbanismo. Mais devemos deixar claro, não existe uma formula precisa de como devemos realizar um trabalho de conclusão do curso, o que podemos fazer dar algumas pautas desta forma podamos (provavelmente) ter mais coerência e consistência para um determinado trabalho.

Goiânia, 21 de abril de 2015.
Arq. MSc. Jorge Villavisencio.


Bibliografia

RAMÍREZ, Juan Antonio; Cómo escribir sobre arte e arquitectura, Ediciones del Serval, Barcelona, 2005.

PIETRAFESA, Paulo; Borba Odiones (organizadores); Do texto ao contexto: desafios da Linguagem Cientifica, Ed. Centro Universitário da UniEvangélica - KELPS, Anápolis/Goiânia, 2006.

LE CORBUSIER; Mensagem aos Estudantes de Arquitetura {1943}, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2005.

GRAEFF, Albuquerque Edgar; Edifício, Editora Projeto, São Paulo, 1986.

PISCOYA, Hermoza Luis; El processo de la Investigación Científica, Editora Fondo da la Universidad Inca Garcilaso de la Vega, Lima, 2007.

MOLLER, Claus; O lado humano da qualidade, Livreira Pioneira Editora, São Paulo, 1992.

PIZZA, Antonio, La construción del pasado, Celeste Ediciones/Universidad Peruana de Ciencias Aplicadas, Madrid, 2000.



domingo, 15 de marzo de 2015

Estratégias e percepção do espaço da arquitetura contemporânea

Estratégias e percepção do espaço da arquitetura contemporânea
Jorge Villavisencio

O presente texto trata de oferecer algumas estratégias que provocam percepções no espaço da arquitetura contemporânea. Nós, que tentamos entender como é a motivação projetual da arquitetura, traçamos alguns eixos que nos permitem visualizar de forma mais clara as estratégias nas propostas projetuais de hoje.

“As variadas formas de um edifício dentro da paisagem urbana têm como certa linguagem visual que neste proporciona uma – palavra – diferente de cada tipo de estrutura.”
(Arnheim, 2001:162)

Entendemos que essas formas variadas obedecem à tipologia da edificação proposta, além, é claro, do entorno urbano onde ela será inserida. Pensamos que as cidades absorvem seus edifícios com determinada naturalidade, mais ainda se eles provocam debate espacial, já que são percebidos não só pelos arquitetos e urbanistas, mas também pela população comum, que é a grande maioria.

Sem dúvida, a arquitetura e seus edifícios são criados com determinada “intenção” palavra repetida tantas vezes pelo Dr. Lucio Costa, entre outros da época da arquitetura moderna. Mas esta intenção obedece as várias “condicionantes” devem ser analisadas e depois diagnosticadas, que servirão posteriormente para ter as diretrizes projetuais para a realização de determinado projeto.

“A arquitetura está além das coisas utilitárias.
A arquitetura é assunto de plástica.
Espírito de ordem, unidade e intenção.
A arquitetura deve ter o espírito de seu tempo”.
(Le Corbusier, XXXI:2009)

Para Mario Biselli, o momento projetual tem que existir com certa “inquietação”, como processo criativo da arquitetura, que obedece a certas formatações, metodologias que poderão dar início a uma “inovação” que é o espírito dos tempos. Esta antecipação das tendências é a revisão de paradigmas que acontecem no espaço e no tempo.

Mas devemos deixar claro que o processo projetual não é um acontecimento de fórmulas precisas, ele pode e deve seguir certas metodologias que estão inseridas dentro da análise e dos diagnósticos, vistos e revistos dentro das condicionantes que fazem parte das pesquisas prévias ao projeto. Condicionantes como: pré-dimensionamento, legislação, isolação, ventos, topografia e outros que são as partes da análise. Sem essa análise, e sem diagnostico é pouco provável que sejam atendidas as exigências de um determinado projeto com qualidade esperada.

“A forma – Percebemos com claridade cada edifício, porque cada um tem sua própria forma. A forma é uma figura ou determinação exterior de algo. Como Aristóteles planteia que é aquilo que determina que seja algo o que é”.
(CLAUX, 2005: 44)

Uma boa alternativa seria decidir qual são suas vantagens e suas desvantagens, claro dentro de uma gama de possibilidades. Sem dúvida, ao fazer essas alternativas surgem novas ideias, de como se poderia fazer o objeto num determinado lugar, qual seria a relação espacial entre o sujeito e o objeto, neste caso o projeto arquitetônico de uma tipologia para determinada edificação.

F.001 – Museu das Artes do Século XXI, em Roma da arquiteta Zaha Hadid – 1998-2009.
“As formas externas do prédio são escultóricas e dinâmicas, e podem ser lidas como se une uma parede estrutural estivesse equilibrando um enorme volume em balanço.”
Fonte: Fundamentos da Arquitetura, 2014.

“... as ideias contemporâneas em arquitetura se referem àquelas que surgiram durante o século XX e XXI. A arquitetura é bastante influenciada pelo Zeitgeist (o espírito da época), mas quando comparada a outras manifestações culturais, como a arte, desenho de produtos ou tecnologia, suas relações são muito lentas. Não é raro, edificações ou monumentos públicos grandes demoram uma década ou mais para serem concebidos, desenvolvidos e construídos.”
(Farrely, 2014:136)

Dentro de algumas destas estratégias projetuais analisaremos estes sete pontos: lugar, programa, circulação, estrutura, matéria, espaço e volume. Mas, sem dúvida, cada um destes pontos tem uma conceptualização vivida pela própria semântica da palavra e de seu próprio significado, assim terá uma relação mais firme para a tomada de decisões para que se produza o “partido arquitetônico”. Consideramos que não é uma tarefa fácil, mas pensamos que depois de analisados os pontos com imagens de projetos que ilustrarão a percepção da cada significado, desta forma cada leitor poderá ter seu próprio diagnóstico.

O “lugar” onde estará inserido o projeto. O lugar, como espaço além das dimensiones físicas necessárias, faz parte das recordações e tem mudanças com o passar do tempo. Nestes espaços acontecem atividades, eventos e ocasiões. Um lugar tem um senso de identidade e de memória.

F.002 – Concurso Grande Museu do Egito, Héctor Vigliecca, 2002-2003.
Fonte: vigliecca.com.br

O “programa”, uma vez que conhecemos o lugar onde será construída a obra, listamos e diagramamos espaços/ambientes que é o pré-dimensionamento espacial, estes são os requerimentos dos futuros usuários, desta forma saberemos das suas atividades que serão realizadas na edificação, assim poderemos estabelecer espaços e subespaços que precisam de certas caraterísticas.

F.003 – Concurso Instituto Moreira Sales, Andrade Morettin, 2011.
“Estratégias programáticas”
Fonte: andrademorettin.com.br/projetos/instituto-moreira-salles

F.004 – Concurso Instituto Moreira Sales, Andrade Morettin, 2011.
“maquete”
Fonte: andrademorettin.com.br/projetos/instituto-moreira-salles

F.005 – Concurso Instituto Moreira Sales, Andrade Morettin, 2011.
Fonte: andrademorettin.com.br/projetos/instituto-moreira-salles

A “circulação” ou percurso é o caminho até a porta de entrada, que será a primeira impressão que o visitante terá da arquitetura. Depois, a maneira como o percurso continua dentro dos espaços funcionais dentro da edificação, as relações entre o exterior e o interior e os diferentes níveis do piso também contribuirão para a arquitetura da edificação. Estas relações dos espaços onde funcionam as diversas atividades devem satisfazer aos usuários.

F.006 – Embaixada da Holanda em Berlim, Rem Koolhaas / OMA, 2003.
“Maquete”
Fonte: elmaxilab.com

F.007 – Embaixada da Holanda em Berlim, Rem Koolhaas / OMA, 2003.
Fonte: elmaxilab.com

A “estrutura” é um conjunto de elementos que suportam e transmitem as cargas desde o subsolo. Um sistema estrutural é um conjunto de elementos resistentes que são capazes de manter a “forma” de uma edificação ao longo do tempo, sob a ação de cargas nos quais serão submetidos.
O arquiteto estrutura os espaços para que habitem os seres humanos, e estrutura também os diferentes elementos que delimitam espaços.

F.008 – Swiss Re Next, Suíça, Christian Kerez, 2008.
“Maquete”
Fonte: kerez.ch/

F.009 – Escola Leutschenbach, Christian Kerez, Suíça, 2002-2009.
Fonte: kerez.ch/

A “matéria” são os materiais empregados dentro de um sistema estrutural que respondem as forças, inerentes ao próprio material (que dependem de sua resistência, seu comportamento, suas propriedades e sua qualidade) como as forças externas em que se apresentam segundo a posição estrutural, a translação de forças que ele recebe, suportam seu apoio, o clima, a umidade, etc.

F.010 – Museu Kolumba, Peter Zumthor, Colônia, Alemanha, 2005-2007.
Fonte: archdaily

F.011 – Museu Kolumba, Peter Zumthor, Colônia, Alemanha, 2005-2007.
“matéria”
Fonte: archdaily

O “volume” é um conjunto de medidas geométricas que sustentam a “forma” da edificação. Há uma importante ligação entre a arquitetura e a geometria. É possível expressar conceitos de arquitetura usando termos simples que caracterizam a forma ou volume da edificação. Algumas formas são dinâmicas, escultóricas e fortemente influenciadas pela aparência externa do prédio.
Percebemos as formas porque existem contrastes, só percebemos as formas quando temos contraste no campo visual. A ideia de figura-fundo é a estrutura básica das nossas percepções.

F.012 – Torre Siamesa, Alejandro Aravena, Santiago, 2003-2005.
Fonte: alejandroaravena

F.013 – Torre Siamesa, Alejandro Aravena, Santiago, 2003-2005.
“diálogo da forma exterior e interior”
Fonte: alejandroaravena

O importante da arquitetura é reconhecer o “espaço”. A arquitetura é um produto dos seres humanos que consta de espaços dentro das quais as pessoas desenvolvem suas atividades. Estes espaços cumprem determinadas funções e neles são delimitados por diferentes elementos que se estruturam entre si. Criar e estruturar a forma de espaços arquitetônicos para que sejam úteis e agradáveis, poderíamos definir, que é a dialética entre a forma, a função e a estrutura de espaços arquitetônicos. Para Bruno Zevi – o espaço e a essência da arquitetura.

F.014 – Museu Iberê Camargo, Alvaro Siza, Porto Alegre, 1998-2008.
“o espaço exterior”
Fonte: revistas unisinos

F.015 – Museu Iberê Camargo, Alvaro Siza, Porto Alegre, 1998-2008.
“o espaço interior”
Fonte: revistas unisinos

Pensamos que neste breve texto analisamos estes pontos que consideramos importantes da arquitetura contemporânea. Acreditamos que servirão para fazer seus diagnósticos das relações com o espaço a ser projetado. Não existe uma fórmula precisa para fazer arquitetura, mais bem existem métodos de análise que foram descritos ao longo do texto. Para finalizar, estamos de acordo com o dito por Zevi “Mais o espaço em si – a essência da arquitetura – transcende os limites da quarta dimensão”.


Goiânia, 15 de março de 2015
Arq. MSc. Jorge Villavisencio



Bibliografia

ARNHEIM, Rudolf; La forma visual de la arquitectura, Editora Gustavo Gili, Barcelona, 2001.

MONTANER, Josep Maria; A modernidade superada: Ensaios sobre arquitetura contemporânea, Editora Gustavo Gili, Barcelona, 2013.

CLAUX, Inés; La arquitectura y el proceso de diseño, Editado Universidad de San Martin de Porres, Lima, 2005.

FARRELY, Lorraine; Fundamentos de Arquitetura, [Fundamentals of Arcuiteture-2° edition trad. Alexandre Salvaterra], Editora Bookman, Porto Alegre, 2014.

ZEVI, Bruno; Saber ver a arquitetura, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2009.

TIETZ, Jürgen; História da arquitetura contemporânea, Editora H.F. Ullmann, Colônia, 2008.

UNWIN, Simon; Exercícios de arquitetura, Editora Bookman, Porto Alegre, 2013.

TINEM, Nelci; O alvo do olhar estrangeiro: O Brasil na historiografia da arquitetura moderna, Editora Manufatura, João Pessoa, 2002.

LE CORBUSIER; Por uma arquitetura [Vers une architeture-1923], Editora Perspectiva, São Paulo, 2009.




domingo, 8 de febrero de 2015

A nova percepção da arquitetura escolar.

A nova percepção da arquitetura escolar.
Jorge Villavisencio

A idéia deste texto e de ter uma percepção contemporânea sobre a arquitetura escolar, dentro da arquitetura as edificações de tipologia educacional através do tempo tem demonstrado que existe uma preocupação constante para uma demanda que na atualidade se torna crescente. Pensamos que se deva a uma certa necessidade de procura do mercado por uma qualificação mais aprimorada das diferentes áreas da educação. Mais devemos deixar claro que a arquitetura publica de tipologia educacional está bem ramificada, só como exemplos temos grandes áreas: educação superior, educação tecnologia e educação escolar. Neste texto deveremos abordar esta ultima sobre seus significantes e seus significados.

Para esto temos tomado como referencia básica a Arquitetura Escolar Paulista dos inícios do século XXI, especificamente sobre os trabalhos realizados sobre o Fundo de Desenvolvimento da Educação – FDE. Mais também temos tomado outras experiências não só do Brasil, mais também da Colômbia, Croácia e dos Estados Unidos.

F.1 – Escola Prof° Irene Caporali de Souza/Antonio Marmora Filho, de Paulo Sophia Arquiteto & Associados, Mogi das Cruzes, São Paulo.
Fonte: FDE, 2004.

Um dos pontos que achou importante ressaltar e que: “A pesar dos conceitos de quantidade e qualidade não serem excludentes, a historia da arquitetura demonstra que nem sempre isto ocorre. Normalmente, quando se aumenta a quantidade, há redução da qualidade produzida. Ao se falar de obra publica, a coincidências desses conceitos depende de determinação e decisão dos dirigentes envolvidos, porém equacioná-los não é uma tarefa fácil em vista de inúmeras limitações existentes de prazo, recursos disponíveis e legislação a cumprir. Resolver apenas a quantidade atende o objetivo de minorar o problema de vagas, no entanto, deixa-se de produzir bens culturais que contribuam para a melhoria das nossas cidades com espaços mais apropriados ao convívio dos cidadãos”. (FDE, 2006:19)

Pensamos que os efeitos de quantidade não reflexa a má qualidade espacial da arquitetura caso do FDE, que forem na realidade modelos de uma estrutura pré-fabricada em forma “modular” forem previsões para o acumulo espacial, desta maneira reduz os custos das obras, que será o centro da discussão do projeto de FDE.

F.2 – Escola EE Jardim Luiza/Vila dos Comerciários, de Ferro & Talaat Arquitetos, São Paulo.
Fonte: FDE, 2004.

Outro dos pontos importantes e onde será implantada a Escola, lugares como foi implantado as escolas em São Paulo (ver imagem F.3) se apresentam com uma alta responsabilidade social, queremos dizer que às vezes podem ser localizadas as Escolas em lugares menos privilegiados social e economicamente, então pode ser sim a diferença. E não só pensar que uma escola de qualidade poderia estar nos setores urbanos mais privilegiados.

É correto pensar o que Milanesi diz: “que a idéia precede na forma”, cada um de nos temos uma experiência com relação ao que é uma Escola, e claro o que acontece dentro e fora dos espaços escolares, é uma vivencia adquirida nestes edifícios educacionais (em todos os níveis) e dos projetos culturais que também se produzem através do espaço e do tempo.

F.3 – Escola EE Ataliba Leonel/Pedro de Morais Victor, de SPBR Arquitetos, São Paulo.
Fonte: FDE, 2004.

“A idéia precede na forma. Quando uma instituição se propõe criar um espaço cultural, primeiramente deve estabelecer os objetivos e dimensioná-los em função ao meio. Se isso não for delineado com clareza, provavelmente o resultado, por mais bela que seja a construção, será frustrante. E, como tal, um desperdiço de recursos – quase sempre públicos...” (Milanesi, 2003:197)

Sem duvida todos os projetos de arquitetura devem ser dimensionados ao meio, seria como negar ao entorno urbano e sua cidade. Mais ainda tratando-se de um projeto educacional. Está reflexão que faz Milanesi tem uma percepção profunda (assim pensamos), mais devemos esclarecer que sejam as edificações chamadas de publicas o privadas, tem uma mesma conotação, se deve a que é de levar um ensino de qualidade.

F.4 – Escola de Briam Kim (2004), New Jersey.
Fonte: Arcoweb, 2012.

Um exemplo claro ao dimensionar o meio onde está relacionado à própria memória da cidade, como na Escola de Briam Kim em New Jersey e sua ampliação do ano de 2004, onde existe esta escola desde o século XIX. Como proposta foi à ampliação desta escola, guardando a sua memória arquitetônica, um desafio para Kim, porque não poderia perder sua identidade tectônica (ver imagem F-4). Não e questão de uma simples ampliação a idéia é de preservação espacial e dos usos dos materiais “do lugar” e da tecnologia utilizada em forma contemporânea.

Outro exemplo foi a Escola de Randick & Turatto do ano de 2003 na Croácia (ver imagem F-5), apesar que e lugar se torna difícil na inserção de uma escola mais ao mesmo tempo cheia de historia pra contar. Sem duvida a memória deste espaço guarda uma percepção diferenciada devido a sua uma visão que é percebida pelos moradores. Na implantação desta escola num lugar (topografia) bem acidentada faz que se tome partido desta importante condicionante para a arquitetura. Podemos dizer que espaços urbanos antigos têm comunicação com a contemporaneidade, muito disto se deve a boa proposta arquitetônica.

F.5 – Escola de Randick & Turatto (2003), Croácia.
Fonte: Arcoweb, 2012.

Nesta escola de Mazzanti tem conotações importantes, primeiro o país de Colômbia teve uma revolução na procura de minimizar os problemas políticos que vivia o país durante décadas. Uma forma correta de dar uma melhor relação com a população foi ao inserir nos espaços urbanos edifícios públicos de tipo cultural como bibliotecas, centros de cultura, escolas entre outros que derem uma nova dimensão na nova sócio-política desse país.

F.6 – Escola de Giancarlo Mazzanti, Medellín.
Fonte: Arcoweb, 2012.

Então, não se trata de fazer simples edifícios públicos na Colômbia, mais sim mudar a estrutura urbana das diferentes cidades como Bogotá, Santa Marta, Medellín e assim por diante, desta maneira a população tenha educação e cultura, e através destas Escolas foi modificando os novos pensamentos de uma nova escola mais contemporânea e mais perto da realidade atual.

Pensamos que estes edifícios educacionais, a “Escola”, levam novos modos de vida, uma forma de chegar mais perto do povo, das necessidades reais e atuais, onde sabemos que as pessoas mudam seus pensamentos através do conhecimento, alem claro da mudança social é também do mercado atual globalizado, onde a concorrência e cada vez mais acirrada, e se torna fundamental ter o conhecimento suficiente para preencher a esse necessitado mercado, onde a qualificação dentro das escolas agora faz parte da convivência do dia a dia, as necessidades espaciais da nova Escola é percebida por seus alunos com conforto, segurança, além claro dos professores e funcionários é tudo seu entorno urbano.

Goiânia, 08 de fevereiro de 2015.
Arq. MSc. Jorge Villavisencio.


Bibliografia

FERREIRA, Avany de Francisco; MELLO, Mirela Geiger de; Arquitetura escolar paulista: estruturas pré-fabricadas. Fundo de Desenvolvimento da Educação – FDE, São Paulo, 2006.

MILANESI, Luís; A Casa da Invenção, Ateliê Editorial, São Paulo, 2003.

FERREIRA, Avany de Francisco; MELLO, Mirela Geiger de, Arquitetura escolar paulista: anos 1950 e 1960, Fundo de Desenvolvimento da Educação – FDE, São Paulo, 2006.

http://arcoweb.com.br/projetodesign-assinantes/arquitetura/giancarlo-mazzanti-escola-publica-14-01-2011









miércoles, 28 de enero de 2015

As teorias do medo na arquitetura.

As teorias do medo na arquitetura.
Jorge Villavisencio.

A através do tempo e do espaço a arquitetura e o urbanismo nas cidades tem recolhido várias formas de percepção dos comportamentos das sociedades. Dentre destes o “medo” influi no só os comportamentos das pessoas, mais também na maneira que os arquitetos projetam suas cidades e seus edifícios.

O jornalista e cientista político norte-americano Corey Robin no seu livro (2004) “Fear: The History of Political Ideas” – traduzido em espanhol por Guillermina Cuevas Mesa com titulo “El miedo: Historia de una idea política” feito na cidade de México pela editora do Fondo de Cultura Economica de 2009.

A idéia deste ensaio e de fazer no só e de fazer um analise do explica Corey Robin, mais também alguns aspectos que são pertinentes segundo nosso ponto de vista deste fato atinge diretamente a sociedade, que de alguma forma modifica “intensamente” nossa maneira de pensar e de atuar.

F1. Imagem de N. Andry – A ortopedia e a arte de prevenir e de corrigir aos meninos das deformidades corporais de 1749.
Fonte: Foucault (2009)

Para nos que investigamos a vida arquitetônica dos edifícios-hospitais, o medo esta presente em todo momento, não só pelo fato das enfermidades que atingem aos pacientes, finalidade de cuidar a saúde das pessoas que precisam da medicina.

Mais o hospital deve estar preparado para cumprir com as necessidades espaciais. Penso que devemos deixar de forma mais clara: como isto acontece?

Os enfermos (doentes) vão nestes nosocômios para cuidar da saúde, mas as enfermidades podem acontecer de duas maneiras. A primeira de forma endógena que se produz pela mesma flora do paciente, que é obrigação da medicina e do corpo médico resolver esta problemática. A segunda é de forma exógena que acontece dentro dos espaços dos hospitais, produzido pela contaminação intra-hospitalarias, este é responsabilidade dos arquitetos que projetam esta tipologia de edifícios. Entendemos, sejam de forma endógena ou exógena o medo está presente em todo momento, em especial de poder resolver a “espacialidade” da arquitetura para que não se produzam a contaminação/infecção dos ambientes nos hospitais, ou pelo menos minimizar esta problemática.
(Karman, 1978; Bicalho, 2010; Alatrista, 2008; Góes, 2004)

Penso, que resolver a totalidade da contaminação/infecção dos espaços hospitalares e uma tarefa quase impossível – mais minimizar é sim possível. Tanto assim que as Comissões de Controle dos hospitais de grande porte, tem-se preocupado em poder resolver esta problemática dentro dos ambientes e dos procedimentos para tratar aos pacientes.

Segundo Michel Foucault no conceito do “panotismo” (panóptico) regulamentado no século XVIII as medidas que se tinha que adotar ao se declara a peste de uma cidade. “Em primeiro lugar a divisão espacial do “fechamento” da cidade e a proibição de sair da zona baixo a pena de morte, sacrifício de todos os animais errantes; divisão da cidade em seções diferentes no que estabelece o poder de um intendente – autoridade de um sindico ...este espaço fechado, recortado, vigiado em todos seus pontos os indivíduos encontra-se inserido num lugar fixo, que nos menores movimentos onde estão controlados em todos seus acontecimentos ... Prescreve a cada um seu lugar, a cada um seu corpo, a cada um sua enfermidade e sua morte ...não a mascaras que se colocam e se quitam, a assinação do “verdadeiro”, nome de seu verdadeiro, lugar do seu verdadeiro, corpo de seu verdadeira enfermidade. Más a divisão massiva e binária entre uns e os outros, apela a separação das distribuição individuais, a uma organização em profundidade das vigilâncias e dos controles...” (Foucault, 227-230).

Todo isto que nos explica Foucault nos leva pensar que nas teorias do medo, por quere alcançar certa segurança nas maneiras de desenvolver nossas vidas, suas cidades, seu edifícios com certo controle, convicto pela própria vigilância das organizações pertinentes. O medo relacionado diretamente com a segurança, projetos como os de Bentham nas casa das feras Le Vaux construído em Versalhes. Os sintomas do medo na observação das pessoas e dos animais inspiram a Bentham. Desta forma a geometria determina como instrumento físico da arquitetura e atua diretamente sobre as pessoas “da ao espírito – poder sobre o espírito”.

F2. Projeto de Bentham
Fonte: Foucault (2009)

Sem jerarquia social, sem vínculos genuínos de afeto a contento, homens e mulheres perderem a seguridade neles mesma e no seu entorno urbano “a duvida apodera-se das regiões mais altas da inteligência e paralisa todas as demais” (Robin, 2009:164). Não se encontra nada que controle seus impulsos e desejos; nada de contento, significado e direção de seus atos, mais bem uma planície vasta e aberta a todo e nada é possível.

Do medo ao terror e ansiedade: Em muitos aspectos, o segundo volume de “La democracia en América” de Tocqueville segue os passos de Montesquieu no “Espiritu de la leyes”. Como Montesquieu contra Hobbes, Tocqueville considera o medo como uma inseguridade que flutuava livremente, mais com uma percepção focada no prejudicial, e fora de todo componente moral.

Porque o cambio do medo ao terror? Em parte deste contexto. Criar uma ordem política depois de Luis XIV não era o mesmo reto dos franceses e dos ingleses. Si bem e certo Montesquieu trato de imaginar um estado da natureza, como diz nas primeiras paginas do “Espiritu de las Leyes”, apenas armo oito partes breves ao respeito. Na mesma brevidade na sua explicação sugere a imutabilidade de sua imaginação política de sua época ante o espectro da guerra cível. “Montesquieu recorre ao medo como parte de sua política”. (Robin, 2009:109).

F3. Livro “El miedo: Historia de uma idea política” (2009)
Fonte: Corey Robin

Com a crise nos Estados Unidos de Norte America nos inícios do século XXI, forem unos anos de crise, e para os expertos foi como um alivio bem recebido. Coisa que nos não concordamos. Mais a historia na pesquisa feita de Corey Robin é isso. Si bem os comentaristas acusarem a esquerda radical de aclamar os ataques de 11 de setembro como um caso de “los pollos llegan a casa a rostizarse” (Robin, 2009:294), o quartel principal se sentia em plena euforia nos médios dominantes. Quase imediatamente depois dos seqüestradores derribarem o WTC, jornalistas e escritores aproveitarem os acontecimentos do dia seguinte para comentar o miasma cultural e o materialismo decadente dos Estados Unidos. “Maureen Dowd escreveu que o 11 de setembro colocou ao descoberto a cultura narcisista *eu-nois* dos anos noventa, quando nascidos depois da segunda guerra mundial”. (Robin 2009:295).

Sem duvida Corey Robin argumenta que o medo como repressão política e muitos mais comuns nos Estados Unidos do que gostaria crer; trata-se de um medo nas ameaças contra a seguridade física e o bem estar moral da população frente as elites que se posicionam como protetoras, o bem, o medo, se sentem poderosos ao respeito dos menos poderosos e vice-versa. Estes tipos de medo – o primeiro une a nação – o segundo a divide e se reforçam mutuamente e as elites combinam e coletam as forças. O medo coletivo ao perigo distrai o medo entre as elites e as classes baixas, e dão a estas mais razões para temer as primeiras. “O fim a obediência e a proteção, escreveu Hobbes ao referir na proteção que brindam os estados contra os ataques externos e a anarquia local”. (Robin, 2009:309)

Mais precisamente o medo muda nossas formas de pensar, num primeiro momento pensamos que nos destrói e nos altera nossa forma normal e racional de pensar e atuar. Mais podemos perceber que o medo também nos “motiva” para endireitar nosso pensamento, de uma forma mais racional e moral. A pesquisa de Corey Robin que é mais histórica, nos levam a uma reflexão das possibilidades (assim penso – nem por isso tem que concordar) de ter a favor do “medo” que é nada menos uma forma de defesa e de precaução, antes fatos que podem acontecer.

Na arquitetura dos hospitais, como explicamos na parte inicial deste texto a “prevenção” é uma fonte de defesa ante o “medo”, ante qualquer acontecimento, nos fortalece para que não se perca o controle como o explica Foucault, o medo nos altera emocionalmente, mais nos leva a redirecionar nossos pensamentos, para um “poder” muito maior de repensar nossas atitudes, do o que é relevante para nossas ações do dia a dia.

Goiânia, 28 de Janeiro de 2015.
Arq. MSc. Jorge Villavisencio.


Bibliografia:

ROBIN, Corey; El miedo: Historia de una idea política, Editora Fondo de Cultura Económica, México, 2009.

FOUCAULT, Michel; Vigilar y castigar: nacimiento de una prisión, Siglo XXI editores, s.a. de c. v., México, 2009.

BICALHO, Flávo; A arquitetura e a engenharia no controle de infecções, Editora Rio Books, Rio de Janeiro, 2010.

ALATRISTA, Celso & Socorro; Programa Médico Arquitectónico para Diseño de Hopsitales Seguros, SINCO editores, Lima, 2008.

GÓES, Ronald; Manual prático de arquitetura hospitalar, Editora Edgar Blücher Ltda., São Paulo, 2004.



domingo, 23 de noviembre de 2014

Arquitetura do tijolo.

Arquitetura do tijolo.
Jorge Villavisencio.

Desde os tempos remotos da humanidade o ser humano está integrado com o uso da terra como elemento fundamental para sua supervivência, e da capacidade de utilização para a construção de seus edifícios de diversos usos, e da suas cidades.

Este texto que trata sobre o uso do tijolo cerâmico e de suas diferentes tipologias tem uma relação direta com a arquitetura, sempre foi assim, talvez neste escrito possamos fazer uma critica de sua capacidade de uso ou da utilidade nas diversas tecnologias que forem aplicadas através do espaço e do tempo. O texto consta de duas partes a primeira algo mais tecnologia dentro do que foi pensado por Milito, Dafico e Hirschfeld, e a segunda parte algo mais reflexiva espacialmente dentre dos pensamentos de Graeff, Montaner e Diez.

F.01 – Mies van der Rohe (1926) – Monumento a Liebknecht e Luxemburgo.
Fonte: Revista Summa+, 2014.

Mais devemos deixar claro, que a o uso do tijolo está aplicado dentro das tecnologias construtivas, está é, que as “condicionantes” que são utilizadas na arquitetura a “tecnologias” faz parte da nossa realidade em fazer arquitetura. Condiciona o uso dos materiais como elemento construtivo, e inclusive hoje, a forma correta e contemporânea de pensamento e de antes de realizar determinado projeto que está em mente, fica a arquitetura muito condicionada na “escolha dos materiais” que serão aplicadas nas suas obras.

No Brasil a alvenaria e de seus fechamentos os “tijolos de barro ainda são muitos utilizados em obras residenciais, e são de boa opção para alicerces, paredes de vedação e pequenas construções com estrutura até cinco pavimentos. Existe o modelo maciço de forma retangular de 5 x 10 x 22 cm., chamado de comum, e de 9 x 9 x 19 cm., com medidas maiores que o comum, mas com vários orifícios, chamado de baiano. Com relação ao isolamento térmico e acústico, os tijolos maciços são mais eficientes, bem como sua durabilidade, o que torna mais resistente”. (Hirschfeld, 2005:50)

F.02 – Eladio Dieste – A sociedade do tijolo.
Fonte: Revista Summa+, 2014.

Para Henrique Hirschfeld que faz de maneira resumida o uso do tijolo cerâmico ou de barro, vemos que trata em primeiro lugar de “pequenas residências”, mais não e assim, o tijolo pode ser utilizado em qualquer tipo de obra seja esta de habitação unifamiliar ou coletiva, como das diferentes tipologias que tem a arquitetura basta só lembrar o livro do “Edifício” de 1986 do emérito arquiteto e professor Edgar Albuquerque Graeff donde trata das diferentes tipologias que pode ter a arquitetura. O segundo ponto do isolamento térmico, isto é importante por quanto o tijolo que é feito de matéria prima o barro da terra, se adrede bem a esta condicionante, ameniza a intensidade da condicionante da isolação, mais devemos dizer que também retém o calor por varias horas, inclusive dependendo do lugar, em especial nos trópicos fica o calor retido ate a noite. E por ultimo o terceiro ponto sobre a acústica por experiência própria em alguns momentos temos utilizado o tijolo maciço até em parede dupla, deixando um vazio (ar) no meio como tratamento acústico, e seu comportamento tanto nas paredes de vedação externa e interna tem dado bons resultados.

Para Dafico o tijolo cerâmico “Tijolos ou blocos vazados são pecas de alvenaria que apresentam furos ou canais paralelos a qualquer um de seus eixos. Bloco de vedação são blocos para paredes de vedação, suportando seu peso próprio em pequenas cargas. Bloco portante ou estrutural é o destinado a execução de alvenaria estrutural. Sua composição: são geralmente fabricados com argilas ricas em ilita (taguá) composta com argilas ricas em montmoritonita. Sua fabricação: a massa é estudada com umidade em torno de 25%. A coluna extrudada passa por um cortador automático (fios de arames fortemente distendidos), obtendo-se a peça na dimensão correspondente perpendicular aos furos. Após a conformação, o produto é secado e a seguir cozido a cerca de 95°C.
No caso dos tijolos cerâmicos maciço são produzidos normalmente com argilas de granulométria fina, com grandes quantidades de matéria orgânica se apresentando com composição de caulinita, ilita e ou montmoritonita, rica em ferro e álcalis. Sua fabricação: o tijolo maciço, ainda predominante no Brasil, é moldado manualmente através de uma massa muito mole (umidade entre 30 e 40%). O produto é seco ao sol e, a seguir, queimado a uma temperatura de 800 a 900°C. Se utilizássemos em procedimento semimecanizado para a produção desse tijolo, sua qualidade atingiria níveis aceitáveis, com resistência mecânica bem elevada. Na moldagem em prensas manuais, podemos trabalhar com massa na umidade máxima de 25%, garantindo maior ganho de resistência e aumento de produtividade, alem de reduzir defeitos provenientes da moldagem manual com massa mole”. (Dafico , 1999:1003-106).

Sem duvida para José Dafico a produção de tijolos cerâmicos maciços ou furados tem um significado muito técnico na sua produção, no qual acho que deva existir um alto controle de qualidade para sua produção, mais ainda hoje que existe uma normatividade em na produção de tijolos.

F.03 – Francisco Cadau e Andrea Lanziani – Vazados e Estriados.
Fonte: Revista Summa+, 2014.

Para Milito diz “que o tijolo comum (maciço, caipira) são blocos de barro comum, moldado com arestas vivas e retilíneas, obtidos após a queima das peças em fornos contínuos ou periódicos com temperaturas da ordem de 900 a 1000°C. O tijolo cerâmico furado (baiano) ou vazado, moldados com arestas vivas e retilíneas. São produzidos a partir da cerâmica vermelha, tendo como conformação obtida através de extrusão. A seção transversal destes tijolos é variável, existindo tijolos com furos cilíndricos e com furos prismáticos”. (Milito, 1998:59-60)

As alternativas na sua produção como explica José Milito, tem uma gama de possibilidades segundo o modelo o tipo de obra, consideramos importante por quanto o poder tipológico da arquitetura onde será aplicado na obra poderá ter a alternativas necessárias, está é, que a modulação prevista para determinada obra poderá ter menos desperdício em sua modulação, é menos desperdício está vinculada ao fato da sustentabilidade.

Tanto, Hirschfeld, Dafico e Milito tem um basto conhecimento tecnológico na produção de tijolos cerâmicos como temos apreciado nas citações, mais considero importante agregar, que hoje no mundo contemporâneo a arquitetura e seus usos de materiais está vinculado a conscientização da natureza como o explica Josef Maria Montaner “Uma arquitetura conciliada com a natureza deve estar associada não somente a processos como reciclagem ou a economia de energia, as também a outras questões –chave ...não há sentido em uma arquitetura pretensamente ecológica que elimine o que já existe no ambiente nem se insere na malha urbana. A chave não está nunca no edifício em si, mas em sua adequada relação com seu entorno, com as camadas do existente” (Montaner, 2013:167).

F.04 – Gabinete de Arquitetura: Solano Benítez, Gloria Cabral, Alberto Marinoni e outros – Centro de Reabilitação Infantil da Teletón.
Fonte: Revista Summa+, 2014.

Para Fernando Diez explica que “... o primeiro ato da arquitetura consiste em cavar um poço de terra, onde o espaço do poço é o primeiro espaço delimitado. Segregando do grande espaço continuo da superfície. Naturalmente que este espaço reclama uma segunda ação: o que fazer com a terra extraída. Na técnica elementar da trincheira, a terra extraída coloca-se como um montículo ao lado do poço, melhorando sua altura do lado desejado. Porem este montículo pode ter inclinação natural do talude da terra. A tradição construtiva foi encontrada maneiras de melhorar o uso da terra, que pode ser compactada ou socada, porém em transformar em adobes em peças empilhadas... Essa pequena historia imaginária sobre a origem do muro serve para voltar a refletir sobre a proximidade entre o solo e o tijolo. O segredo da forma do tijolo encontra-se em sua regularidade geométrica e sua maleabilidade. Pequeno, pode ser transportado e colocado com facilidade. Caso lhe seja adicionado paciência, a pequena peça pode dar forma a enormes massa”. (Diez, 2014:78).

F.05 – Ventura Virzi arquitetos – Encaixado.
Fonte: Revista Summa+, 2014.

Penso agora no Tratado neste conceito vitruviano da “solides” serve como aprimoramento das essências da arquitetura em dar-lhe a “seguridade” na obra, a sua vez dar lhe maleabilidade espacial, que algo nossos arquitetos nos seus projetos procuram, uma constância que está na procura de uma forma que permita a sua vez ter seguridade construtiva na forma em que foi pensado, mais na sua vez ter capacidade espacial de reflexão.

Goiânia, 23 de Novembro de 2013
Arq. MSc. Jorge Villavisencio.


Bibliografia

MILITO, de José Antonio; Técnicas de construção civil e construções de edifícios, Ed. PUC-Campinas, São Paulo, 1998.

HIRSCHFELD, Henrique; A construção civil fundamental: Modernas tecnologias, Ed. Atlas, São Paulo, 2005.

MONTANER, Josef Maria; A modernidade superada: Ensaios sobre arquitetura contemporânea, Ed. Gustavo Gili, São Paulo, 2012.

DAFICO, Alves José; Materiais de construção, Ed. Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 1999.

GRAEFF, Albuquerque Edgar; Edifício, Ed. Projeto, São Paulo, 1986.

Revista SUMMA+, Edição No. 137 (em português), DIEZ, Fernando; Tecido e Solidez, pp.78-80, São Paulo, 2014.


sábado, 20 de septiembre de 2014

A arquitetura contextualizada com o meio ambiente.

A arquitetura contextualizada com o meio ambiente.
Jorge Villavisencio

Desde os primórdios da humanidade está relacionada com o meio ambiente, os seres humanos tem-se servido da natureza. Segundo Josep Maria Montaner diz que “a busca da integração a natureza marca a maior parte de evolução histórica da arquitetura”. É correto pensar que desde os Dez livros de Vitrúvio no século I DC. em que se analisa vários de seus capítulos deste primeiro Tratado da Arquitetura das necessidades da boa convivência com a natureza, e principalmente de como se poderia aproveitar esta relação com medidas conexas com a forma de como se projeta edifícios e cidades.

A proposta deste texto é de ver a relação si existiu uma boa relação com a natureza, e de como na contemporaneidade vai evolucionando na arquitetura destas relações.

F.01 – Edifício Aqua Tower – arquitetos Jeanne Gang + Studio Gang Firm – Chicago, USA.

Penso que deste o inicio do tratado de Vitrúvio e possivelmente anterior a estes livros, o homem se serve da própria natureza. Mais hoje como veremos mais na frente teve um inicio de um bom contexto que levo as melhorias dos edifícios e suas cidades em especial ao que trata da salubridade urbana. Como sabemos esta relação da arquitetura com natureza foi (penso que até hoje não foi superada) e com os adventos da Revolução Industrial do século XIX esta relação foi quebrada e banalizada com uma desmesurada apropriação do meio ambiente.

Mais na contemporaneidade está relação tem melhorado, até porque já é de necessidade extrema a boa convivência com a natureza, penso que sim temos avances neste século XXI, que como sabemos já tem passado 15 anos deste século e algumas medidas se tem tomado ate de forma urgente. Penso que a arquitetura e o urbanismo não se exime das produções e das responsabilidades, mais bem hoje temos mais consciência (não todos) mais uma forte maioria está sensível a este fato.

F.02 – Edifício Turning Torso – arquiteto Santiago Calatrava – Mälmo, Suécia.

Algumas cidades em especial mega-cidades tem ditado normas ate de forma corretiva e punitiva para que as novas edificações cumpram com esta nova normatividade na realização de novos projetos. Mais na minha maneira de ver na arquitetura moderna em especial o dito na Carta de Atenas de 1933 no CIAM, que trata das novas necessidades do homem moderno, e dita certa formas de projetar edifícios e cidades. Sem duvida tem passado mais de 85 anos deste Congresso Moderno é de necessidade atualizar alguns assuntos, mais queda uma base solida para que hoje possamos repensar o dito.

Mais temos que esclarecer que a arquitetura moderna foi um projeto “claro e definido” e a contemporaneidade está na busca de um novo projeto que possa ser claro como foi na arquitetura moderna. Penso que este tema da “boa convivência com meio ambiente” que em muitos escritos se fala da sustentabilidade, mais este fato de sustentar não é uma novidade, porque nas academias de arquitetura sempre tocamos temas importantes desta boa relação com a natureza exemplos claros como melhor aproveitamento dos ventos, a iluminação natural, o uso correto da topografia, das águas entre outros.

F.03 – Edifício Shard London Brigde – arquiteto Renzo Piano – Londres, Inglaterra.

Como temos explicado da boa relação com o meio ambiente, está dependente do correto estudo das “condicionantes” que fazem parte na toma de decisões para a “apropriação” do espaço onde será inserido determinado projeto. Penso que no fundo esta colocação faz a diferença entre a boa arquitetura e uma arquitetura ruim como vemos todo dia. A desmesurada voracidade do capitalismo exacerbado faz que se produzam edificações que não tenham a qualidade esperada. Penso que está situação deve ir mudando com uso de nova normatividade por vias da força se vai consolidando. Assunto que não deveria ser assim, porque penso que nas maiorias a consciência social toma mais incremento dia a dia.

Desde dos anos 60 o uso incorreto dos panos de vidro nas edificações com um desrespeito da condicionante da orientação solar fazem que estes edifícios consumam energia desnecessária e só se pensa em climatização artificial. Como expressa Montaner a repetição de edifícios que só se pensa no lucro das construtoras tem criado mais caos na forma de projetar edificações. Todo este perfil terá que ir mudando. Até porque as pessoas são hoje mais esclarecidas (ou pelo menos mais informadas com uso das mídias – internet) onde existem expressões importantes nos meios de comunicação social, onde deva existir mais consciência de respeito com a boa convivência com o meio ambiente.

É importante e necessário que a arquitetura com pensamento ecológico recupere espaços e territórios que se encontrem degradado, e que tenham uma condução mais esmerada com as novas demandas – o respeito ao meio ambiente – espaços e edifícios que retomem seu verdadeiro objetivo de servir de forma digna as pessoas. Demonstrar que socialmente possa acontecer uma nova forma de pensar, mais equilibrada, mais consciente, mais solidaria com os outros.

F.04 – Edifício Nexus - arquitetos Oppenheim Architecture + Design – Miami, Florida, USA.

Penso que esta passando da hora de agir de outra maneira. De mudar radicalmente na maneira de construir edifícios e cidades. É tempo de mudar, durante muitos anos o homem se serviu da própria natureza, agora é diferente, pelo menos penso eu (é também muitas pessoas) desta maneira no dever dos homens “servir a própria natureza”, o meio ambiente está em crise, consideramos que é possível. Na arquitetura existe uma sinergia com adaptação social que foi consolidada com o tempo e o espaço, muitos de nos temos consciência das verdadeiras necessidades do homem e suas famílias, de seus trabalhos, de seu lazer, sabemos que é possível conviver de forma mais harmônica a construção de cidades e seus edifícios, sem ter que servir-se, podemos de forma clara poder servir de forma consciente ao meio ambiente, a natureza.

Goiânia, 20 de setembro de 2014.

Arq. MSc. Jorge Villavisencio.


sábado, 13 de septiembre de 2014

Percepções do Memorial “Darcy Ribeiro” da Universidade Nacional de Brasília.

Percepções do Memorial “Darcy Ribeiro” da Universidade Nacional de Brasília.
Jorge Villavisencio.

No ano de 2010 o arquiteto João Filgueiras Lima – Lelé projeta o memorial “Darcy Ribeiro” dentro do Campus da Universidade Nacional de Brasília. Quem conheceu ao Lelé (recentemente falecido em 2014) pode entender diversas qualidades não só como arquiteto e urbanista, mais também como “humanista” que através de seus trabalhos refletem essa qualidade.

Seus principais trabalhos forem à rede de Hospitais Sarah Kubitschek nas cidades de Brasília, Fortaleza, Curitiba, Recife, Belo Horizonte entre outros. Mais na área de hospitais seu primeiro trabalho que data do ano 1968 do Hospital de Taguatinga no Distrito Federal.
Nessa efervescência da arquitetura moderna no translado da capital do Brasil para Brasília, se consolida uma arquitetura que fazem parte da historia moderna no só do Brasil, mais sim de outras partes do mundo.













Foto 001 – Memorial Darcy Ribeiro (2010) do Arq. João Filgueiras Lima – Lelé.
Vista Exterior.
Fonte. Jorge Villavisencio (2014)

Consolida-se como consciência social o que foi revisado na Carta de Atenas no ano de 1933. Brasília assim como uma cidade nova com condições modernas materializa pensamentos vindos pelo Dr. Lucio Costa, de Oscar Niemeyer, de João Filgueiras e tantos outros que colaborarem na construção de seus projetos modernos na cidade de Brasília.

Como podemos apreciar na imagem F.001 sua forma externa trata-se de uma circunferência perfeitamente reconhecida a distancia. Si bem é certo o material leve no seu do ferro inspira ao contemporâneo mais também a uma certa forma no passado das antigas casas dos indígenas desta parte do continente, algo que vem e pode ter um lado historicista.


























Foto 002 – Memorial Darcy Ribeiro (2010) do Arq. João Filgueiras Lima – Lelé.
Vista do jardim interno parte central do eixo da circunferência.
Fonte. Jorge Villavisencio (2014)

Mais o Lelé era muito preocupado pelo seu lado no uso das estruturas de seus projetos, até em alguns momentos fazia ele mesmo o calculo estruturais. Decisões que em alguns momentos os arquitetos que não só somos de prancheta (hoje o uso do computador).

Teve a sorte que diversas vezes que teve com ele falamos deste assunto, na realização do projeto se concretiza na execução da obra. O canteiro de obra para Lelé é processo mais digno da arquitetura “a concretização do espaço criado”.
Como tinhas comentado no início Lelé seu lado humanista que é palpável na parte interna central (ver imagem F.002 e F.006), o jardim interno a nossa maneira de ver é centralidade de seu projeto, a relação do espectador com o objeto – a edificação.













Foto 003 – Memorial Darcy Ribeiro (2010) do Arq. João Filgueiras Lima – Lelé.
Vista do eixo da circunferência.
Fonte. Jorge Villavisencio (2014)

Muitos dos projetos de Lelé utilizaram recursos de ambientação (ver imagem F.003) que cria uma sustentabilidade dos seus edifícios, como podemos apreciar esta sucção do ar quente através desta cúpula que direciona e canaliza em forma de cone invertido, além claro que cria uma estética que ate mais leigos na área de arquitetura fazem ser sensíveis ao que Lelé quer dizer.













Foto 004 – Memorial Darcy Ribeiro (2010) do Arq. João Filgueiras Lima – Lelé.
Vista externa do espelho de água.
Fonte. Jorge Villavisencio (2014)

Como se sabe a cidade de Brasília é um lugar muito seco, em épocas do ano (na seca) se torna a cidade difícil de viver e respirar. Então Lelé cria no espaço exterior (ver imagem F.004) um espelho de água que condiciona ao ambiente interno da edificação para torna-lha mais amena, deixando que o calor e a secura, desta forma melhoram as condições dos que freqüenta o Memorial, alem claro desta reflexão da estética do edifício.













Foto 005 – Memorial Darcy Ribeiro (2010) do Arq. João Filgueiras Lima – Lelé.
Vista interna do pé direito duplo.
Fonte. Jorge Villavisencio (2014)

É previsível que o edifício como memorial, como objeto dedicado para a cultura tenha uma biblioteca, e também um auditório. Penso que o primeiro trata de levar a cultura através de seus livros e escritos como consulta freqüente proposta dentro dos lindeiros da Universidade Nacional de Brasília, e o segundo deste espaço dedicado para as exposições e debates que são tão importantes para a vida cultural da edificação. Ambos os produtos tão necessários dentro dos pensamentos do professor Darcy Ribeiro.













Foto 006 – Memorial Darcy Ribeiro (2010) do Arq. João Filgueiras Lima – Lelé.
Vista interna do restaurante.
Fonte. Jorge Villavisencio (2014)

A convivência é lugar predominante dentro do interior do edifício, assim como da ambientação humanista do jardim interno, este espaço de convivência trata de levar aos freqüentadores para o objeto a ser parte do espectador – considero que a passividade da contemplação está inserida dentro da edificação, originada principalmente pelo jardim interno – mais também o serviço que oferece o restaurante deste ambiente.













Foto 007 – Memorial Darcy Ribeiro (2010) do Arq. João Filgueiras Lima – Lelé.
Vista interna do auditório.
Fonte. Jorge Villavisencio (2014)

Quando estamos no interior desta parte do edifício (ver imagem F.007) não só sé se torna interessante dentro deste espaço – com uma forma que caracteriza as obras de Lelé, mais também os fatores climatológicos criado com seus ventos cruzados fazem parte de uma exigência programática na proposta do auditório.













Foto 008 – Memorial Darcy Ribeiro (2010) do Arq. João Filgueiras Lima – Lelé.
Detalhes das escadarias do auditório.
Fonte. Jorge Villavisencio (2014)

Os detalhes que caracteriza as obras do Lelé no uso das cores, assim como os detalhes da escadeira (ver imagem F.008) que estão perfeitamente sincronizados como as necessidades de uma antropométrica estudada, que fazem em que se sente mais leve em sua proposta técnico-construtiva.













Foto 009 – Memorial Darcy Ribeiro (2010) do Arq. João Filgueiras Lima – Lelé.
Placa da inauguração oficial do memorial Darcy Ribeiro.
Fonte. Jorge Villavisencio (2014)

Sem duvida toda obra do arquiteto João Filgueiras Lima – Lelé, tem qualidades que podem ser explicadas como as percepções que tivemos ao longo deste texto, mais sempre ficará o gostinho que querer explicar algo a mais, é desta forma que nossos escritos relacionados com suas obras, e de sua própria vida do Lelé termina como si pudéssemos o quiséssemos explicar a síntese deste grande poeta da arquitetura.

Goiânia, 14 de Setembro de 2014.
Arq. MSc. Jorge Villavisencio.