jueves, 2 de noviembre de 2017

Percepções da Casa de Carapicuíba de Puntoni e Bucchi – São Paulo.

Percepções da Casa de Carapicuíba de Puntoni e Bucchi – São Paulo.
Jorge Villavisencio.

No ano 2007 foi realizado projeto da Casa de Carapicuíba pelos arquitetos Alvaro Puntoni e Angelo Bucci, com colaboração de Fernando Bizarri, Juliana Braga e Ciro Miguel. A área de construção é de 300.00 m2.

C.01 – Maquete – Casa de Carapicuíba (2007) – Alvaro Puntoni e Angelo Bucci arquitetos.
Fonte: ArchDaily/Brasil – Fotos Nelson Kon.

Para a realização desde breve texto e a escolha desta obra em que trataremos de encontrar alguns assuntos que possam ser importantes (que é nossa intensão) na maneira de projetar edificações, segundo no nosso ponto de vista com a boa proposta deste projeto do partido arquitetônico, é para facilitar o nosso sistema de analise utilizaremos estes sete pontos: o lugar, o programa, a circulação, estrutura, a materialidade, a espacialidade e por ultimo o volume e seu lado formal.

O Lugar:

A cidade de Carapicuíba se encontra na região metropolitana de São Paulo, tem uma população de 230.355 habitantes (IBGE, 2010), tem uma área de 34,97 km2.
A origem desta cidade foi uma aldeia de índios, e seu nome segundo o professor Carlos Drumond vem do peixe: cará cumprido. No descobrimento do Brasil por volta de 1580 era uma aldeia fundada pelo Pe. José de Anchieta.

C.02 – Planta de Situação.
Fonte: ArchDaily/Brasil – Fotos Nelson Kon.

A casa está locada em um terreno bastante inclinado, e sua topografia tem uma diferença de cotas de nível de 6 metros, além que nos fundos existe uma pequena mata, junto a um vale.
Pensamos em primeiro lugar, que a mata termina sendo um ponto importante da valorização do espaço, além-claro que colabora com o fator climatológico da edificação, assim como a contemplação deste espaço natural. A condicionante topográfica faz que o programa possa ser diluído espacialmente na sua setorização.

O Programa:

Como tínhamos indicado anteriormente a setorização está vinculado ao aspecto da sua geografia natural (topografia). No nível térreo (chamaremos de nível 0.00) temos dois setores vinculado quase no meio por uma passarela de aço, que integra, ao mesmo tempo da privacidade na parte dos fundos onde se encontra as circulações verticais (escadas) que dão acesso para os outros níveis, nesta parte comparte bem o espaço do terraço (com base de concreto com pisos elevado em madeira) ser serve como espaço de convivência, além da valorização do ambiente natural que serve de contemplação.

C.03 – Corte longitudinal – projeto executivo.
Fonte: Site escritório de arquitetura Bucci e Puntoni.

Outro ponto importante está vinculado na parte da frente (ao lado da calçada e da rua) onde se dá importância a um pequeno espaço de vinculo espacial, poderíamos dizer como uma “gentileza urbana” com bancos de concreto que não só podem ser utilizado pelos moradores, mas também pelas pessoas que transitam nesse lugar.

C.04 – Vista do escritório e do pavimento térreo (nível 0.00).
Fonte: ArchDaily/Brasil – Fotos Nelson Kon.

Na parte ao nível – 3.00, encontra-se ambientes que são de uso de convívio social como a sala de estar, e espaços de serviço como é a cozinha e escadas de serviço que vai para o pavimento inferior (nível – 6.00), assim como os dois terraços em ambos extremos de deste nível.

No nível – 6.00 que é o mais baixo nível, temos o setor intimo com três dormitórios, dois deste podem se juntar com uma divisória pivotante que dá mais flexibilidade e estes ambientes. Temos um banheiro comum com uma bancada de lavatórios, tanto os ambientes destinados para chuveiro e a bacia (wc), penso que pode ser útil na medida que vários usuários podem utilizar o banheiro ao mesmo tempo.

C.05 – Vista do nível mais baixo (nível – 6.00).
Fonte: ArchDaily/Brasil – Fotos Nelson Kon.

Neste nível se encontra uma sala de TV com varanda coberta dando a uma piscina do tipo raia. No lado extremo temos a área de serviço.
Penso que a locação da sala de TV para a varanda coberta e a piscina dá prioridade ao espaço intimo da casa, priorizando desta forma aos proprietários.

Já no nível + 3.00 que é o nível mais alto está o espaço destinado ao escritório, que esta dividido pelo lavabo criando assim dois ambientes, que em uma delas tem uma pequena varanda coberta. Este é espaço é importante no sentido de dar privacidade ao trabalho, que, ao mesmo tempo dá um formalismo na casa, abordaremos este assunto na parte correspondente ao aspeto formal, à volumetria.

A Circulação:

Como sabemos esta parte da circulação é importante neste projeto, no sentido que como se trata de quatro níveis a vencer, criando desta forma uma verticalidade na mesma circulação. As demais partes da casa se vê uma circulação horizontal de cada nível, dando um ar de flexibilidade como temos indicado no programa.

C.06 – Vista do nível mais baixo (nível – 6.00).
Fonte: ArchDaily/Brasil – Fotos Nelson Kon.

Estrutura:

Sua estrutura é bastante “intrigante” por encontrar uma palavra que possamos dizer (ver imagem C.04). Com duas pilastras que são notadas em todos os níveis. Mas em especial no nível 0.00 que é o térreo, que de alguma forma cria leveza, apesar de que a casa se caracteriza sua estrutura de concreto armado. Na laje que suporta ao nível – 3.00 tem uns tirantes em aço em que se da um equilíbrio estrutural aos terraços, estes criam balanços que dão cobertura não só ao nível – 3.00 mais também ao nível – 6.00. Vale notar que algumas destas escadas são de estrutura em aço. Não poderíamos de deixar de falar dos muros de arrimo, que são elementos fundamentais no processo do partido da casa, já que dois níveis deste estão debaixo do nível térreo.

C.07 – Vista parcial da estrutura diferentes níveis.
Fonte: ArchDaily/Brasil – Fotos Nelson Kon.

Consideramos importante lembrar que no nível mais baixo (nível – 6.00) existem três paneis de concreto armado que sustentam o nível superior (nível – 3.00).

Materialidade:

Podemos verificar que a materialidade da casa de Carapicuíba de Puntoni e Bucchi em questão dos materiais empregados é sem preconceitos com uso do concreto, a pedra, o vidro e o aço, criam sim umas possibilidades de variabilidade, que a nossa maneira de ver agregam valor a seus materiais, que como intuíamos cria sim aquele ar de leveza espacial, apresar do uso do concreto que de por si é bastante denso. Nos chama a atenção da materialidade na parte externa no nível (+ 3.00) mais alto que é o espaço destinado ao escritório onde utilizam umas chapas em aço corrugado, que a nossa maneira de ver reforça a ideia de leveza.

C.08 – Vista parcial da materialidade.
Fonte: ArchDaily/Brasil – Fotos Nelson Kon.

Espacialidade:

Os nexos e desconexos, pensamos que estão relacionados ao mesmo programa, é na maneira que foi projetada, a setorização da mesma está vinculada a própria circulação vertical, fazendo estes planos vinculados, mas não ao comum das casas ou residências onde o programa setorizado se da em base ao intimo, ao social, e a de serviços, mais bem vincula estes espaços na maneira de vincular o uso familiar ou intimo, como tínhamos explicado no programa em que vincula espacialmente a área intima com a área social (no mesmo nível – 6.00), supomos que o uso dos mesmos é de uso mais familiar que social, a convivência do núcleo familiar se torna mais fundamental parafraseando ao livro de Neufert – na arte de projetar. Poderíamos definir como uma espacialidade contemporânea.

C.09 – Planta do térreo nível 0.00 – projeto executivo.
Fonte: Site escritório de arquitetura Bucci e Puntoni.

C.10 – Planta do nível – 3.00 – projeto executivo.
Fonte: Site escritório de arquitetura Bucci e Puntoni.

C.11 – Planta do nível – 6.00 – projeto executivo.
Fonte: Site escritório de arquitetura Bucci e Puntoni.

Volume:

Seus volumes são prismáticos, com ângulos retos, até certo ponto minimalista, mas claramente definidos pelos seus níveis, a valorização do vazio esta presente em todo momento, tanto no sentido horizontal como vertical. Este faz que o vazio espacial crie leveza, como boa circulação de ar, que são indispensáveis para que seja um bom projeto. Sem duvida o volumem do escritório (ver imagem C.04) está presente na visualização da casa, como procurando um equilíbrio espacial, onde pensamos que se torna interessante, além-claro dos usos de seus materiais.

C.12 – Vista dos níveis – 6.00 e – 3.00.
Fonte: ArchDaily/Brasil – Fotos Nelson Kon.

Por ultimo pensamos que a Casa de Carapicuíba de Bucci e Puntoni pode sim é inspirará para outros projetos como estudo de caso. Agradecemos de forma espacial a ArchDaily Brasil nas belas fotografias de Nelson Kon, que sem duvida colaborou muito para o escrito deste ensaio relacionado com a arquitetura.

Em resume: vitalidade urbana (gentileza urbana) e respeito ao meio ambiente como a valorização da contemplação, flexibilidade espacial, valorização dos vazios espaciais, equilíbrio e pesquisa na estrutura, uso correto dos materiais com variabilidade e formas simples prismáticas, reforçam todo o conceito ainda mais da arquitetura contemporânea.

Goiânia, 02 de novembro de 2017.

Arq. MSc. Jorge Villavisencio.



lunes, 23 de octubre de 2017

Museu de Pachacamac – do passado ao presente, espaço de cultura.

Museu de Pachacamac – do passado ao presente, espaço de cultura.
Jorge Villavisencio.

Quando nos referimos aos espaços de cultura, neste caso o Museu de Pachacamac, localizado na parte sul (Distrito de Lurín) da cidade de Lima Metropolitana, pensamos que tem conotações importantes, não só como o edifício museu, mais sim como espaço da “memoria urbana” da cidade. Que com o passar do tempo torna-se parte importante da cultura desse povo.

M.01 – Vista externa do edifício museu.
Fonte: Jorge Villavisencio (2017)

Mas para o resgate do espaço da “memoria histórica” é necessário politicas governamentais que cumpram com seu legado que a própria historia nos dá. Para Milanesi o edifício cultural “Por meio de uma decisão política, um administrador público decide investir recursos numa grande obra cultural, arquitetura avançada, serviços modernos, contemporaneidade.” (Milanesi, 2003:60)

Sem duvida ter bondade politica, além que Pachacamac está dentro do patrimônio cultura de uns pais (Perú) que tenta preservar sua memoria, seu passado (ver imagem M.03), penso que ainda incipiente. Mas com a construção do Edifício-Museu de Pachacamac cria avance em conquistar e preservar sua historia.

M.02 – Maquete do Santuário Arqueológico de Pachacamac.
Fonte: Jorge Villavisencio (2017)

O projeto arquitetônico do Museu de Pachacamac, nome em espanhol “Museo de Sitio de Pachacamac” foi elaborado pelos arquitetos Patrícia Llosa e Rodolfo Cortegana, com colaboração de Angélica Piazza, Daniela Chang , Llona/Zamora entre os anos de 2015 e 2016.

O nome Pachacamac (significado: “alma da terra que anima o mundo”), que na realidade são vários edifícios que forem construídos desde as épocas pré-inca e inca poderíamos dizer entre os séculos VIII e XIV. O Santuário Arqueológico de Pachacamac (ver imagem M.02) foi um grande centro cerimonial de sucessivas sociedades pré-hispânicas. Estiveram conformadas por templos, praças, palácios e outros. Seus templos principais forem “Templo Velho”, “Templo Pintado” e “Templo do Sol”, estes construídos em diferentes épocas.

M.03 – Vista parcial do Santuário Arqueológico de Pachacamac.
Fonte: Jorge Villavisencio (2017)

Para o arquiteto e historiador peruano José Canziani Amico diz: “O primeiro em registar estes indícios em Pachacamac foi o arqueólogo e pesquisador alemão Max Uhle (1856-1944), quem finais do século XIX achou em níveis inferiores uma sequencia estratigráfica que culminava com a ocupação Inca onde encontravam materiais culturais que os antecediam, onde incluíam estruturas com típicos pequenos adobes Lima.” (Canziani, 2009:290).

“As evidencias arqueológicas reunidas desde os trabalhos pioneiros de Max Uhle indicam que o antigo Centro Cerimonial da época Lima adquire um Horizonte Médio uma extraordinária relevância em toda a costa central, ode sua influencias culturais se perceve dentro da costa norte. Por tanto, é de supor que desde seu passado estabelecer um notável prestigio onde Pachacamac acrescentaria em épocas tardias, convertendo em uns dos Santuarios e oráculos mais reconhecidos nos Andes centrais” (Rostworowski 1992:1999; in Canziani, 2009:404).

M.04 – Vista externa do Museu de Pachacamac.
Fonte: Jorge Villavisencio (2017)

Então, poderíamos dizer que a importância do “lugar” não é de agora mais como explica Canziani, tem uma importância relevante no contexto pré-hispânico. Talvez este novo Museu de Pachacamac, assevera a importância, é-claro da continuidade espacial ao lugar, é faz parte da sua historia. (ver imagem M. 06).

Porque, pensamos que os edifícios de índole cultural tem essa virtude de despertar essa curiosidade já que a arquitetura é arte e cultura. “Dentro deste campo das praxes alternativas, há um campo muito amplo de todas as experiências nas quais, além do espaço do museu, a arte e a arquitetura andam juntas a fim de realizar intervenções no espaço público...” (Montaner, 2016:100).

M.05 – Vista da rampa exterior.
Fonte: Jorge Villavisencio (2017)

Com o passar do tempo este tipo de edifícios torna-se talvez menos importantes, mais seus reflexo no contexto urbano, histórico e da própria “memoria” traz em si um apocalítico de essência espacial, claro dentro do pensamento figurativo do incompreensível e do misterioso, como é o todo do Santuário Arqueológico de Pachacamac.

Dentre do novo Museu de Pachacamac existe uma nova atmosfera cultural, de querer resgatar algo que possa ser não só como historia das épocas passadas, além-claro da preservação do lugar. “Mas, nos nossos dias, o problema muda de aspecto devido aos novos recursos proporcionados aos arquitetos, a fim de enfrentarem, com êxito, os rigores da temperatura atmosférica.” (Warchavchik, 2006:127). Fazemos esta analogia como pensamento figurativo do incompreensível e do misterioso como se indicou anteriormente.

M.06 – A forma do projeto – arquitetos Patrícia Llosa e Rodolfo Cortegana.
Fonte: Jorge Villavisencio (2017)

Nossa leitura se vê o edifício do novo museu contemporâneo quatros assuntos, o primeiro esta relacionado com a forma “austera” (ver imagem M.10) em que foi projetada obra, seu lado formal quase enterrado em algumas partes (pela própria topografia existente), dando desta forma continuidade espacial, além de sua materialidade em concreto aparente (ver imagem M.05), fazendo mimese com a própria terra, só com alguns detalhes coloridos em vermelho, outorgando talvez uma visibilidade de ar moderno, mas seu lado formal ate difícil de entender o porquê dessa forma.

M.07 – Flexibilidade no espaço interior.
Fonte: Jorge Villavisencio (2017)

“Pelo tanto, quando um arquiteto decide empregar formas muito complexas que são difíceis de reconhecer (ver imagem M.06), não é provável que se faça com o proposito de que o visitante perca-se em um labirinto. Mas organiza-se seu edifício de tal maneira que sua estrutura básica é potencialmente visível...” (Arnheim, 2001:97).

M.08 – O espaço interior.
Fonte: Jorge Villavisencio (2017)

A segunda leitura trata-se do lado “cósmico”, pensamos nos escritos de Christian Norberg-Schulz, nos seus arquétipos das paisagens naturais (ver imagem M.04), onde lugares como os de Pachacamac são restringidos ao nosso mundo concreto, onde estas são reduzidas a poucos e simples fenômenos. Onde o céu sem nuvens é o grande espectador, com muita luz sem sombras, como manifesto da uma “ordem eterna e absoluta”.

O terceiro ponto está vinculado a “flexibilidade” (ver imagem M.07 e M.08), neste mundo contemporâneo que é tão cambiante e até em alguns casos até descartável, se incita para que os espaços especialmente os internos sejam mutáveis, mais se tratando de um museu, onde as exposições tem áreas permanentes, mas também tem áreas (espaços) itinerantes, dependendo o que possa ser exposto naquele momento.

M.09 – Vista da rampa interior - os brise-solei.
Fonte: Jorge Villavisencio (2017)

Por ultimo, na nossa ultima e quarta leitura (ou ponto da leitura espacial) está relacionada com a “durabilidade”, os materiais empregados (concreto aparente) resultam em uma boa resistência através do tempo, à materialidade da esse ar de passividade espacial (ver imagem M. 10)com seu tom cinza, preservando sua energia. Lembrando que este tipo de edifícios deve ser de baixa manutenção.

Não podemos deixar de recalcar neste breve texto, da importância do lugar como contexto da memoria histórica, como é o todo do Santuário Arqueológico de Pachacamac, onde este novo edifício do museu ganha talvez uma nova vida, é desperta curiosidade e tensão, definem melhor a questão pública e de cultura que é tão necessário para o desenvolvimento.

M.10 – A materialidade do edifício – Museu de Pachacamac.
Fonte: Jorge Villavisencio (2017)

“De imediato, chama atenção para uma serie de questões sobre quem pertence a cidade, que define seus domínios públicos e como diferentes grupos definem a noção do público.” (Ghirardo, 2009:117).


Goiânia, 23 de outubro de 2017.

Arq. MSc. Jorge Villavisencio.



Bibliografia:

MILANESI, Luís; A casa da invenção, Ateliê Editorial, Cotia, São Paulo, 2003.

CANZIANI, José; Ciudad y territorio en los andes: contribuciones a la historia del urbanismo prehispánico, Fondo Editorial Pontificia Universidad Católica del Perú, Lima, 2009.

MONTANER, Josep María; A condição contemporânea da arquitetura, Editora Gustavo Gili, Barcelona, 2016.

WARCHAVCHIK, Gregori; Arquitetura do século XX e outros escritos, Editora Cosac Naify, São Paulo, 2006.

ARNHEIM, Rudolf; La forma visual de la arquitectura, Editora Gustavo Gili, Barcelona, 2001.

GHIRARDO, Diane; Arquitetura Contemporânea: uma história concisa, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2009.


lunes, 18 de septiembre de 2017

Percepções dos lugares naturais, segundo Norberg-Schulz.

Percepções dos lugares naturais, segundo Norberg-Schulz.
Jorge Villavisencio.

Neste breve texto vamos abordaremos os lugares naturais. Quando nos encomendam um determinado projeto de arquitetura o primeiro que se nos vem na mente “como é o lugar” onde estará inserido o projeto?

Si for à paisagem urbana existem vários referentes que podem servir para a projetação, como: o sistema viário, a forma do terreno, a circulação das pessoas, edifícios importantes históricos ou contemporâneos, a forma de como vivem as pessoas, as condicionantes, etc. Estas forças fazem que nossas percepções sejam inseridas no nosso contexto, para isto é necessário fazer uma pesquisa apurada sobre alguns assuntos mencionados. Sem dúvida tomar “conceito-partido” sobre um determinado assunto dará coerência espacial a todo o projeto.

Mas si for o caso que seja num “lugar natural” podem ter percepções bem diferentes, para isto temos tomado como referente o livro Genius Loci do arquiteto e teórico da arquitetura o norueguês Christian Norberg-Schulz (1926-2000), o significado latino de Genius Loci é “o espirito do lugar”, então, que significado pode ter esse lugar natural?

Para Norberg-Schulz em sua discussão sobre os lugares naturais, como forças originais, indica que pode ser vista baixo: a cósmica, a romântica e a clássica, no final faz uma análise das três juntas como paisagem complexa, sem dúvida estes pontos de vista como arquetípicos do lugar, nos leva a novas percepções de como nos podem auxiliar para tomar novos conceitos sobre o lugar natural.

Os fenômenos da paisagem cósmica.
Com relação à paisagem “cósmica”, nos indica: “que no deserto... o mundo concreto é reduzido a poucos e simples fenômenos”, a monotonia do deserto está presente em todo momento, como uma linha no horizonte onde nada acontece.

Neste deserto o espaço definido como “territórios qualitativos” criando assim uma ordem “eterna e absoluta”, só a terra e o céu esta presente, inclusive se descreve como um meridiano de leste ao oeste, o dia e a noite com absoluta calma, só indicando os pontos cardinais. Mas indica que o único que acontece a tempestade de areia, mas também de forma monótona, porque “ela esconde o mundo, mas não muda”. Pelo tanto o homem não encontra suas forças com a natureza, mas experimenta as suas mais “absolutas propriedades cósmicas”.

O céu ser torna interminável, ao mesmo tempo abraça o espaço, como si fosse o absoluto. Na imagem do Museu do Sitio de Pachacamac {significado: “alma da terra que anima o mundo”} (ver imagem 01 e 02) na parte litorânea na tablada de Lurín, “... estas regiões da costa litorânea presentam severas limitações de desenvolvimento agrícola, com escassez de agua, solos inadequados para o cultivo. As zonas de cultivo se limitam alguns vales e oásis...” (Canziani, 2009:35).

F.01 - Museu do Sitio de Pachacamac (2016) – arquitetos Llosa & Cortegana.
Fonte: Jorge Villavisencio (2017)

F.02 - Museu do Sitio de Pachacamac (2016) – arquitetos Llosa & Cortegana.
Fonte: Jorge Villavisencio (2017)

Como temos podido apreciar na citação de Canziani, a relação com a natureza só se dá em vales e oásis. No entanto para Norberg-Schulz o oásis é um lugar intimo dentro do macromundo cósmico, a palavra oásis vem do egípcio “lugar de habitar”. Poderíamos pensar que o oásis é o único lugar de habitar. Mas lembremos de que na vida no deserto é de forma de nômades, onde só fazem suas paradas justamente nos oásis, para continuar com sua larga jornada no deserto.
Podemos colocar o exemplo o projeto da Rick Joy (ver imagem 03) no Arizona.

F.03 – Casa Avra Verde, Tucson, Arizona – arquiteto Rick Joy.
Fonte: Pinterest (2017)

Nas diferentes culturas do oriente médio, tanto no judaísmo, como no islã e o cristianismo, se originam no deserto. “Quanto mais você penetra no deserto, mais perto de Deus você chega”.
Pensamos que na paisagem cósmica o céu é o importante, uma delgada linha no horizonte embrulhada pelo céu, poderíamos definir: como algo abstrato com ritmo temporal é simples, sem maior matacões, todo acontece com muita calma, é de forma vertical.

Outro exemplo claro de paisagem cósmica seria Brasília (ver imagem 04), um céu azul fulminante, uma secura implacável, o calor e sol faz parte da fenomenologia do território de centro-oeste brasileiro, e uma arquitetura que na sua maioria (inicios dos primeiros edifícios na fundação de Brasília) como flutuante.

F.04 – Brasília 1978.
Fonte: Jorge Villavisencio (1978)

Os contornos naturais da paisagem romântica.
Nesta segunda parte trataremos da paisagem “romântica”, Norberg-Schulz faz analogias com relação à paisagem da floresta nórdica, e claro dos diferentes aspectos que fazem parte deste lugar, como o relevo variado, com rochas, continuidade e de depressões- Além que os bosques, arbustos e moitas criam uma “microestrutura”, e o céu quase não se vê e é continuamente modificado.

Todos os aspectos acima mencionados tem um jogo teatral de seus “contornos naturais”, estes câmbios constantes provocados pelos filtros de luz e sombra. A qualidade de ar muda com seus nevoeiros que se mimetizam na paisagem.

Definido por Norberg-Schulz como um “manifesto um mutável e incompreensível”, penso que vemos umas imensidades de atos feitos pela natureza que podem ser importantes para a concepção do partido arquitetônico. Como explica “multidão de forças naturais”, criando desta forma uma empatia com a natureza, apresar claro das dificuldades de entender a diversidade que entranha em si.

Também, explica que neste lugar nórdico existem lendas como de gnomos, gigantes, que está inserido dentro da cultura popular, algo como si estivesse escondido, algo similar de como é as florestas, que um até perde o rumo, de onde está localizado. Mas indica “... que o homem para um passado distante, que é vivenciado mais emocionalmente do que compreendido como alegoria ou história”.

Na cidade de Iquitos no Perú (ver imagem 05), banhada pelo rio Amazonas, tem caraterísticas românticas, não só como historia como indica Norberg-Schulz, mais bem como processo de construção de um passado da própria vivencia e experiência indígena, forem eles que moram vários séculos que traz como premissa seu modus vivendi, com o passar do tempo essas experiências forem transmitidas para o presente, existe sim uma interação do homem com seu ambiente, muito diverso, que estão vinculados enraizados com a terra. Um ambiente denso e difícil de explicar.

F.05 – Cidade de Iquitos, Bairro de Belém.
Fonte: Jorge Villavisencio (2014)

Em Iquitos a agua e a terra faz parte de seu patrimônio, uma arquitetura orgânica que se adapta muito bem as condições da terra. Um dinamismo na sua cultura e de sua arquitetura original. Que a pesar do tempo forem mudando, mas sua essência espacial continua. Si vemos os recentes projetos contemporâneos como os apresentados na 15° Bienal de Venécia (2016), pelos arquitetos Pierre Crousse e Sandra Barclay (ver imagem 06), projeto denominado de “Nosso Frente Amazónico”. (Villavisencio, 2016).

Para Montaner explica: “... é preciso definir certos conceitos afins que são utilizados para caracterizar a arquitetura bem relacionada com o meio ambiente. Poderíamos dizer que a arquitetura bioclimática é aquela que tradicionalmente construía com materiais do local e se integrava com seu entorno imediato, inspirando-se na arquitetura vernacular”. (Montaner, 2016:113).

F.06 - Escola (2014) no Amazonas – arquitetos Jean Pierre Crousse e Sandra Barclay.
Fonte: MINIEDU (2016)

“Na pintura (ver imagem 07) titulada – O mar glacial – (1824), também conhecida como a esperança frustrada do pintor iluminista o alemão Caspar David Friedrich (1774-1840), leva a pintura ao insuperável do dramatismo” (Toman, 2006:322).

F.07 – Pintura “O mar Glacial” (1824) – Caspar David Friedrich.
Fonte: Rolf Toman (2006)

Desta forma Norberg-Schulz indica: “Multidão de forças naturais”, no sentido intima com a natureza, que requere importância nos elementos de abstração e da ordem.

Este conceito de “conhecer o macro para entender o micro”, é importante porque com o macro entendemos o todo, é no micro as próprias necessidades, desta forma se produz um melhor entendimento e interação entre o homem e seu ambiente.
Outro exemplo da casa da paisagem romântica, seria a casa Möbius (1995-1998), no local Het Gooi nos Países Baixos (ver imagem 08) do arquiteto Bem Van Berkel. Nesta obra o entrelaçamento com a natureza torna-se evidente como esconderijo, como domínio privado.

F.08 – Casa Möbius (1995-1998) – arquiteto Bem Van Berkel.
Fonte: Virtual Scale Model Moebius House – You Tube (2009)

Também explica, que na paisagem nórdica é denominada pela terra. É uma paisagem “tipicamente térrea” que não tende aproximar-se do céu, é sim pelo inúmero de elementos que os rodeiam, elementos substanciais que é a terra.

O equilíbrio da paisagem clássica.
Nesta terceira parte trataremos da paisagem “clássica”, a paisagem não e caraterizada pela monotonia, mais bem existe uma boa convivência com a natureza.

As dimensões humanas torna-se fundamental, que constituem o equilíbrio total, as paisagem ser torna delimitada como vales e enseadas. Norberg-Schulz diz como “mundos individuais”. A luz se distribui em todos os cantos, claro com caraterísticas desses diferentes mundos individuais, o ar da mesma maneira é distribuído, outorgando forma escultural. Dando assim sua presença concreta. A paisagem clássica pode ser descrita como uma “ordem significativa de lugares distintos e individuais”.

Se a dimensões humanas são fundamentais, é de bom tom lembrar: “O homem vê os objetos que estão a 1.70 m. do solo. Podemos contar somente com os objetos accessíveis ao olho, com intensões que nos mostram os elementos da arquitetura”. (Le Corbusier, 2000:XXXII).

Consideramos que os gregos são os que personificam as diferentes propriedades naturais e humanas, por tanto existe um companheirismo humano que preserva sua individualidade dentro dessa totalidade.

Por outro lado a boa convivência com o ambiente natural, faz parte desse convívio de boas inter-relações. Segundo Norberg-Schulz: “Diante da natureza, como um parceiro igual”, sem duvida nos leva a ter aquela “vitalidade humana”.

Na pintura “o sonho do arquiteto” (ver imagem 09), do pintor inglês Thomas Cole (1801-1848), podemos apreciar “... revela a desmesurada capitel no que o arquiteto se apoia em uma atitude reflexiva...” (Toman, 2006:350)

F.09 – Pintura “O sonho do arquiteto” (1840) – Thomas Cole.
Fonte: Rolf Toman (2006)

Mas em termos contemporâneos podemos citar a Casa Grelha (2000-2002) da FGMF arquitetos (ver imagem 10), inserida numa topografia acidentada, onde se criam diversos trajetos, por fora e dentro da casa, procurando contemplação em todas suas partes, além de uma boa relação com a natureza. Que na realidade são módulos de 5.5 x 5.5 x 3 metros.

F.10 – Casa Grelha (2000-2002) – FGMF arquitetos.
Fonte: Word Press (2010)

Finalmente as “paisagens complexas” seria a união das antes mencionada, porque Norberg-Schulz, onde adverte: “Como tipos (cósmica, romântica e clássica), no entanto, elas dificilmente aparecem em forma pura, mas participam de vários tipos de sínteses”.

Pensamos que a razão de percepção do espaço como paisagem natural é o que denomina Norberg-Schulz o Genius Loci – o espirito do lugar, como tipologias espaciais de própria natureza nos dá, a nossa interpretação de aquele lugar está sim recheados das forcas que natureza nos traz.

Goiânia, 18 de setembro de 2017.
Arq. MSc. Jorge Villavisencio.



Bibliografia:

NORBERG-SCHULZ, Christian; Genius Loci, Rizzolli Internacional Publications, New York, 1980. (pp.42-48), Tradução: Adriana Andrade.

CANZIANI, Amico José; Ciudad y Territorio en los Andes: Contribuciones a la historia del urbanismo Prehispánico, Fondo Editorial de la Pontificia Universidad Católica del Perú, Lima, 2009.

MONTANER, Josep Maria; A condição contemporânea da arquitetura, Editora Gustavo Gili, São Paulo, 2016.

TOMAN, Rolf; Neoclasicismo y Romanticismo: arquitectura, escultura, pintura y dibujo, Editora Tadem Verlag GmbH, Barcelona, 2006.

LE CORBUSIER; Por uma arquitetura {1923}, Editora Perspectiva, São Paulo, 2009.

FERNANDES, Mario; Brasília, Ed. Instituto Brasileiro de Estatística – IBGE, Rio de Janeiro, 1973.

VILLAVISENCIO, Jorge; Propostas e ideias na arquitetura contemporânea na bacia amazónica no Perú – 15° Bienal de Venécia 2016.
http://jvillavisencio.blogspot.com.br/2016/11/propostas-e-ideias-na-arquitetura.html



martes, 1 de agosto de 2017

Ensaio: A arte da fotografia; interpretações, sensações e inspirações.
Jorge Villavisencio.

Quando pensamos sobre uma determinada fotografia, o primeiro que se nos vem na mente “que significado tem isto”, pode ser uma foto familiar, uma paisagem, um edifício, uma cidade, entidades vivas ou mortas, um sim fim de objetos, etc. Mas tem algo a mais que pode ser interpretado de outros modos. Que pode levar a outras sensações, inclusive a novas inspirações que são sensíveis a cada um ou ao comum das pessoas.

Mas sem duvida registra aquele momento, que num futuro marca a historia de um determinado aspecto que pode ser num futuro ou presente como produto de uma investigação. O registro desse momento pode ser importante para alguém.

A observação aguçada se torna determinante para o entendimento do que a fotografia quer dizer. Para o escritor e filosofo francês Denis Diderot (1713-1784) do tempo do iluminismo do século XVIII explica:

“Comtemplar a massa do momento tumultuoso: a energia de cada individuo desenvolve toda sua violência e como ninguém tem precisamente seu mesmo grau, passa assim como a folha de um arvore: nenhuma tenha o mesmo verde; então ninguém tem a mesma ação ou a mesma postura... o artista conserve a lei das energias e seus interesses... sua composição será verdadeira na sua totalidade...” (Diderot, {1766} 1998:38).

Precisamente o registo de aquele momento, não só marca aquele tempo, mais também aquela ação que se torna impar de aquele instante. Para o notável fotografo mineiro Sebastião Salgado (1994), a fotografia é só um segundo que resume toda a vida dele, mas a fotografia é uma forma de vida, para isto se torna importante se organizar, é dar a importância ao que seja pertinente.

“... deve ser compreendido como um modelo de funcionamento, uma maneira de definir relações do poder com a vida cotidiana dos homens.” (Foucault, 2000:237).

Na vida contemporânea é com o uso das novas tecnologias como ferramentas de comunicação e de pesquisa de informação, se tornam cada vez mais comuns seu uso, nos seus smartphones, tablets, notebook, etc. Pareceria que a maquina fotográfica se torna obsoleta, mas devemos deixar claro que o fotografo profissional ainda faz uso dessas maquinas, cada vez mais com mais recursos, instrumental necessário para o desenvolvimento profissional da fotografia.
Que seria sem o descobrimento da fotografia atribuída em 1826 ao francês Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833).

Mas penso que a citação de Foucault se torna pertinente, com relação à fotografia. Quem não parou um determinado momento da vida para registrar aquele instante com alguma fotografia, é-claro registra a vida cotidiana das pessoas (ou outros), como também pode gerar essa fotografia como uma relação de poder. Cabe a cada um ter sua interpretação do que quer dizer ou gerar um determinado estimulo, seja este de forma positiva ou negativa.

Também na interpretação de determinada fotografia, pode causar um bom estimulo a criatividade de algum assunto que seja pertinente para aquele momento, mas pode também gerar um desgaste emocional de forma negativa. Penso que como é arte, depende muito do estado anímico de quem está fotografando, como também quem está interpretando.

“A evolução da civilização ao margem pertencemos a algo, de uma amplitude a um poder que transcende o que podamos fazer individualmente e como grupo”.
(Eladio Dieste; in Gutiérrez, 1998:41)

“A ideologia de uma interpretação da realidade e, como tal, é um recorte parcial dela. Quando atuamos desde uma ideologia e desde uma realidade às vezes equivocamos os caminhos, para achar respostas acertadas”.
(Gutiérrez, 1998:149)

Vamos a refletir sobre estas duas citações, a primeira do arquiteto moderno de Uruguai Eladio Dieste (1917-2000), dificilmente na atualidade podemos fazer todo de forma individual, hoje trabalhamos em equipe, exemplos claros de fotógrafos especializados, neste caso em arquitetura como: o fotografo Tcheco Michal Grosman, especializado em arquitetura de interiores e exteriores em fotos de noite; para o português João Morgado, em fotografias aéreas de arquitetura; o francês Romain Matteï, especializado em fotografias de arquitetura, vida selvagem, street viagens, experimental, e macrofotografia; o fotografo húngaro Adam Dobrovits, que de forma criativa utiliza casamentos, retratos, estúdio, natureza, fotos abstratas, surreais, macro, rural, urbanas e fotos de arquitetura; o polonês Michal Karcz, que tem uma paixão por pintura e fotografia, paixão que é o principal segredo por trás de suas fotos fascinantes e únicas; o fotografo alemão Matthias Haker, que cria interesse em fotografia de arquitetura, viagens, prédios abandonados e paisagens; para o brasileiro Paul Clemence, interessado em arte, design e arquitetura, o que permite que ele capture suas fotos de arquitetura em especial de estruturas, entre outros.

A segunda citação está relacionada com os primeiros caminhos, que nem sempre vamos a levar a diante, mais bem tomamos como primeiras ideias (experiências), que no futuro possam tornar (depois de amadurecidas e reflexionadas) em ideais. Estes ideais, penso que são mais inteligentes, porque em primeiro lugar levam a interpretações que são mais sensíveis, pelo menos de aquele tempo. Colocamos como exemplo o trabalho do fotografo Sebastião Salgado, que depois de uma experiência na África, e das formas de vida em aquele lugar, traz em suas imagens muita reflexão da realidade, levando ao espectador a uma reflexão mais profunda das necessidades sociais da vida do ser humano.

“... em muitos casos, a reflexão sobre os meios pelos próprios meios é de origem mesmo da história... de como funciona o processo...” (Johnson, 2003:121)

A fotografia tem vários recursos técnicos que se aplicam na maneira de expor o trabalho, estas podem ser fotos em preto e branco (Sebastião Salgado utiliza essa forma nas suas fotos), ou a color, estas imagens podem estar em movimento, de modo panorâmico ou de detalhe, no primeiro plano - algo que possa sugerir maior importância, ponto de fuga – que de continuidade espacial, tonalidade – que possam indagar com mais ou menos força na imagem, de vista panorâmica – utilizando lentes de grande angular, uma infinidade de recursos que tornam importantes para a expressão da foto. Muitos fotógrafos especializados, já tem como forma ou estilo fotográfico, é claro são reconhecidos por suas fotografias como temos expressado anteriormente (fotógrafos especializados em arquitetura e paisagem).

“Mas, é obvio que a probabilidade de achar alguma coisa em determinado lugar, depende tanto da probabilidade de presença da coisa no seu lugar, como a sensibilidade do instrumento da busca e habilidade do seu manejo”. (Bunge, 2000:89)

Para concluir nosso ensaio, temos tomado como referencia final a citação do filosofo e humanista argentino Mario Bunge (1919), e dizer, para que de certo a imagem, “tem que estar no lugar certo, no momento certo” (frase comum de nos simples mortais), penso que nem sempre é fácil, muito tempo de dedicação e experiência colabora com o que quer dizer determinada fotografia. Mas sem duvida se captada a fotografia tem uma resposta imediata ao comum das pessoas, que se sensibilizam, é-claro criam expectativas para o observador, é, por conseguinte criam-se sensações que podem ter inspirações.

Goiânia, 1 de agosto de 2017.
Arq. MSc. Jorge Villavisencio.



Bibliografia:

DIDEROT, Denis; Pensamientos sueltos sobre la pintura {1766}, Editorial Tecnos S.A., Madrid, 1988.

FOUCAULT, Michel; Vigilar y castigar, Editora Siglo XXI, México, 2009.

GUTIÉRREZ, Ramón; Arquitectura Latinoamericana en el siglo XX, Lunwerg Editores, Barcelona, 1998.

JOHNSON, Steven; Sistemas Emergentes: o que tem em comum as formigas, neuromas, cidades e software, Editora Fondo de Cultura Economica, México, 2003.

BUNGE, Mario; Epistemologia, Editora Siglo XXI, Barcelona, 2004.


miércoles, 26 de julio de 2017

Indagações sobre a metafísica na arte de projetar.
Jorge Villavisencio.

Segundo Maria Aparecida Martins no seu livro “A Nova Metafísica” alguns termos e visões está mudando na maneira de perceber a vida. Conceitos como reorganizar, redimensionar, redirecionar, transformar, modificar ficam como ferramentas de percepção nos novos modos de produção e visão do mundo. Desta maneira pensamos que podem ajudar a ter novos ideais e ideias que no auxiliam na arte de projetar.

Quando definimos a palavra metafísica como substantivo feminino, existem a priori dos conceitos. O primeiro no sentido aristotélico: subdivisão fundamental da filosofia, caracterizada pela investigação das realidades que transcendem a experiência sensível, capaz de fornecer um fundamento a todas as ciências particulares, por meio da reflexão a respeito da natureza primacial do ser; filosofia primeira.

No segundo sentido do filosofo prussiano Immanuel Kant (1724-1804) explica: estudo das formas ou leis constitutivas da razão, fundamento de toda especulação a respeito de realidades suprassensíveis (a totalidade cósmica, Deus ou a alma humana), e fonte de princípios gerais para o conhecimento empírico.

F.01 – Casa Batllo, Barcelona – Antoni Gaudí.
Fonte: Acervo Antoni Gaudí.

Vejamos no primeiro conceito (Aristóteles) que precede de uma “experiência sensível” da natureza do ser. Pensamos que este esta relacionado com a “energia” que cria os átomos seja animal, vegetal e mineral. Porque entendemos que o átomo é a que compõe a matéria. A pesar que o significado do átomo que significa em grego que se diz que é indivisível. Mais hoje sabemos que não é assim, este é divisível em prótons, nêutrons e elétrons. Exemplo caro que: dois átomos de hidrogeno + um átomo de oxigeno é igual a uma molécula de agua.

Desta forma: “com 7 notas musicais, quantas músicas já forem compostas? ; com 26 letras do alfabeto, quantas palavras já foram formadas?; com mais de uma centena de átomos, quantos arranjos (substancias) podem ser feitos?”. (Martins; 2009:9)

Podemos pensar que o significado de composição de direcionar e transformar está presente em todo momento, a natureza viva, que através do tempo muitos arquitetos tem se inspirado para tomar partido arquitetônicas de seus conceitos extraídos do organicismo.

F.02 – Casa Planells, Barcelona – Jose Maria Jujol.
Fonte: Pinterest.

“Embora o organismo tenha surgido nas primeiras décadas do século XX com obras de Antoni Gaudí, Josep Maria Jujol, Frank Lloyd Wright ou Alvar Aalto tenha sido definido com base nas interpretações de Bruno Zevi em mediados do século XX, sua aceitação perdura na atualidade”. (Montaner; 2016:28)

Si bem a “energia” que nos precede e vincula com a natureza como o explica Montaner sua aceitação ainda perdura. Essa força do significado “energia” da palavra grega nos invade com uma potencia, cria atividade, nós da capacidade de realizar um determinado trabalho (projeto) com certa eficácia. Agora o fato de poder transformar esses pensamentos que vem da natureza pode alterar nossos destinos na maneira de viver. Sem duvida a cidade e seus edifícios alteram nossa forma de pensar e de viver.

F.03 – Guggenheim Museum, New York – Frank Lloyd Wright.
Fonte: Associated Press.

“A palavra - Universo - quer dizer isso: uno diversificada, uma mesma energia, porém transformada. E a ciência que estuda a transformações da energia Física, e apropria energia Física também transforma seus conceitos”. (Martins; 2009:13)

F.04 – Casa da Cultura – Alvar Aalto.
Fonte: Flickr user Wotjrk.

A diversidade das cidades e edifícios deve ser de maneira ampla, sempre atendendo o que a população precisa. Que como sabemos nem sempre é atendida a pleno. A transformação de essa energia física indica e pensada de maneira metafórica vincula e transforma a novos conceitos contemporâneos, como exemplos claros na maneira de ver a arquitetura com pensamentos (conceitos) arquitetônicos bioclimáticos, ecológicos, sustentáveis e holísticos.

F.05 – Escola, Bangladesh – Anna Heringer.
Fonte: Kurt Hoebest.

Mas isto não é só de agora si colocamos de maneira ecológica e de suas transformações pensadas no século XIX fundadas por Ernst Haeckel e Charles Darwin, e de pensamento contemporâneo da arquitetura bioclimática de Anna Heringer em Bangladesh, ou de tecnologia socializada de Shigeru Ban.

F.06 – Museu de Arte, Aspen – Shigeru Ban.
Fonte: ArchDaily Brasil.

A segunda parte está relacionada com o pensamento kantiano das formas constitutivas da razão, e da própria especulação, elementos que propiciam o conhecimento empírico do cosmos ou da alma humana. Pensamos que este assunto deve tomar a devida atenção do significado do ser. Tarefa que não e fácil explicar.

“O homem é um ser energético manifestando-se em vários níveis. Se ele tem matéria (corpo físico), consequentemente tem energia. Você não se esqueceu de que a matéria é feita de átomos é os átomos são energia...” (Martins; 2009:19).

Mas o homem tem lados que fazem parte de seu ser: o espiritual (relacionado com Deus), o lado mental, o astral (relacionado com o cosmos), o etérico e o físico. Mas tudo isto de uma maneira do “todo junto”. Pareceria que pensamos todo ao mesmo tempo.

F.07 – Centro Cultural Oscar Niemeyer (2006), Goiânia – Oscar Niemeyer.
Fonte: Divulgação Ascom.

Um dos assuntos que agregam valor (como estratégia) na maneira de projetar edifícios e cidades é de tomar partido todo ao mesmo tempo: o lugar, o programa, a estrutura, a circulação, o volume, a materialidade e a espacialidade. Mas sem duvida cada parte tem que ser analisada com o devido cuidado. Se não se corre risco de tomar um partido sem fundamento. O fundamento se da com o aporte analítico das condicionantes que se nos oferecem.

F.08 – Cidade da Musica (2014), Rio de Janeiro – Arq. Christian de Portzamparc.
Fonte: Mais Arquitetura.

Como exemplo tomaremos os edifícios de ordem cultural: “Pelos caminhos da reflexão, fundamentos na observação de diversos centros e suas programações, supõe-se que eles se enquadram na Cultura de sustentação, destinando-se a um público que possa ter condições mínimas de aproveitamento de suas oferendas, dentro de aquela idéia de – bem possuído. Neste sentido, os espaços culturais, mesmos construídos para divulgar cultura...” (Milanesi, 2003:163).

F.09 – Museu Iberê Camargo (2003), Porto Alegre – Arq. Álvaro Siza.
Fonte: Vitruvius.

Tem edifícios de ordem cultural de maneira contemporânea que dão reflexo imediato e significado aos lugares onde estão inseridos os edifícios dentro da cidade. Aqui alguns exemplos de projetos contemporâneos, como do: Centro Cultural Oscar Niemeyer – Goiânia (2006) – Arq. Oscar Niemeyer, que não só levam espaços culturais, mais também áreas de convivência e de lazer; Cidade da Musica – Rio de Janeiro (2014) – Arq. Christian de Portzamparc, que agrega uma nova ordem ao espaço urbano e de outra maneira de ver a cidade; do belo projeto do Museu Iberê Camargo – Porto Alegre (2003) – Arq. Álvaro Siza, em que se apropria do espaço urbano de expetativas e de expectação como modelo de vinculo espacial; ou do projeto moderno do MASP– São Paulo (1968) – Arq. Lina Bo Bardi, que leva a arte como Museu, fica hoje como um ícone de manifestações populares em São Paulo.

“Uma critica moderna, viva e social e intelectualmente útil, ousada, não serve por isso, apenas para preparar para o prazer estético das obras históricas; serve também sobre tudo para colocar o ambiente social em que vivemos, dos espaços urbanos e arquitetônicos dentro dos quais se passa a maior parte dos nossos dias, a fim de que os reconheçamos – saibamos vê-los”. (Zevi, 2009:200).

F.10 – MASP (1968), Porto São Paulo – Arq. Lina Bo Bardi.
Fonte: Tempo Integral.

Para terminar, gostaríamos de colocar esta citação: “Existe uma conexão pensamento-realidade, muito sutil, mas muito forte. Você esta recordando que, quanto mais sutil a energia, mais forte ela é”. (Martins; 2009:47).


Goiânia, 26 de julho de 2017.
Arq. MSc. Jorge Villavisencio.


Bibliografia:

MARTINS, Maria Aparecida; A Nova Metafísica: a visão que temos nós mesmos está mudando, Centro de Estudos Vida & Consciência Editora, São Paulo, 2009.

MONTANER, Josep Maria; A condição contemporânea da arquitetura, Editora Gustavo Gili, São Paulo, 2006.

MILANESI, Luis; A Casa da Invenção, Ateliê Editora, Cotia, São Paulo, 2003.

ZEVI, Bruno; Saber ver a arquitetura, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2009.


miércoles, 22 de febrero de 2017

Aportes nas percepções urbanas de Gordon Cullen.

Aportes nas percepções urbanas de Gordon Cullen.
Jorge Villavisencio.

Si bem é certo o livro Paisagem Urbana (Concise Townscape) de Gordon Cullen (1914-1994) é de 1971, mais chega ao Brasil (versão em português) no ano de 1983 cuja tradução está a cargo de Isabel Correia e Carlos de Macedo. Penso que nesta citação pode resumir o espírito da proposta:

“Efetivamente, uma cidade é algo mais do que o bem-estar e de facilidades que leva a maioria das pessoas a preferem – independentemente de outras razões – viver em comunidade a viverem isoladas”. (Cullen, 1983:9)

Sem duvida a cidade é de viver em comunidade, a construção da mesma são as mesmas pessoas, onde habitam nos seus edifícios. “A arte de relacionamento”. (ver Imagem 02, 03 e 07)

01 – Curitiba – Museu (do Olho) Oscar Niemeyer – As sensações do espaço urbano.
Fonte: Jorge Villavisencio (2013)

Explica no seu livro que há três aspectos a considerar: a óptica, o local e o conteúdo.
A primeira trata de como transita o transeunte, é caro da visão de sucessão de surpresas, como visão serial, como imagem existente e imagem emergente. A segunda define a pessoas na noção de espaço e das sensações de espaços abertos e espaços fechados. Por ultimo a terceira com a própria constituição do espaço, más adverte que há uma grande falta de sensibilidade na construção de cidades.

“A primeira coisa a fazer é popularizar o mais possível a Arte do Meio-Ambiente, partindo do principio que uma maior participação emocional das pessoas conduzirá necessariamente ao aperfeiçoamento...”. (Cullen, 1983:17)

02 – Centro Histórico de Curitiba – O dialogo com a Paisagem Urbana.
Fonte: Jorge Villavisencio (2013)

Pensamos que a participação das pessoas podem criar novas fontes e necessidades, claro vinculadas ao meio-ambiente (ver imagem 03, 05 e 08), a construção da mesma depende do quadro de dialogo que as pessoas produzam, ouvir é muito importante, para poder entender as próprias necessidades da população. Indica: “Todavia o objetivo fundamental dos urbanistas continua ser a comunicação com o público, não entanto pela via democrática, como pela via emocional”. (Cullen, 1983:18)

Na visão serial o percurso revela uma sucessão de pontos de vista, é essas saliências e reentrâncias cria uma terceira dimensão. Assim como os desníveis os elementos de separação de transparência de visão serial. (ver imagem 01 e 04)

Sem duvida tanto nas caraterísticas urbanas como na arquitetura de edifícios a “apropriação do espaço” cria circunstancias de aderência com a visão de espaço, muitas vezes enunciadas na arquitetura moderna nos CIAM de 1933, e do próprio Lucio Costa. Não poderias projetar nada de maneira correta sem conhecer com profundidade as condicionantes que norteiam maneira projetual.

03 – Centro Histórico de Belo Horizonte – Espaços Públicos de convivência.
Fonte: Jorge Villavisencio (2012)

No território ocupado – “... abrigo, conveniência e um ambiente aprazível são a causa mais frequente da apropriação do espaço” (Cullen, 1983:25). Más advertem que o movimento das pessoas que transitam nas cidades.

Consideramos que um dos pontos importantes se dá no compartimento dos edifícios com a cidade, como território ocupado pelo homem. Nestas satisfazem tanto suas necessidades sócias como comerciais. “O homem não bastam às galerias de pintura: eles necessitam de emoção, do dramatismo que é possível fazer surgir do céu...”. (Cullen, 1983:30)

Diversas vezes nos escritos do emérito arquiteto Oscar Niemeyer, cita que a arquitetura tem que “emocionar”, pensamos que desta forma cria novas expectativas de visão de futuro, ver imagem embaixo 04.

04 – Centro de Belo Horizonte – O movimento das pessoas.
Fonte: Jorge Villavisencio (2012)

Diversas vezes Cullen explica sobre a questão do “Aqui e Além”, na nossa maneira de ver o “aqui” é algo conhecido ou de mais fácil reconhecimento, mais a questão do “além” vai como meta-pensamentos que pode ir ao desconhecido, para poder conhecer. “... sensação do Além é a qualidade, de certo modo lírica, de algo que está ao mesmo tempo presente e sempre fora do nosso alcance...” (Cullen, 1983:36). Más indica que o Aqui é algo conhecido, é também do Além e também conhecido exemplos claros é nas busca deles como: focalização, desníveis, perspectivas, estreitamentos, delimitação, etc. Na questão de “perspectiva grandiosa explica: que podem tirar partido do Aqui e do Além” (Cullen, 1983:43), claro como perspectiva.

Também, na colocação de Cullen na questão de “flutuação” numa cidade como local habitado a disposição de espaços onde criam movimento das pessoas cria de fato emoções. Más ao ser delimitado um reage como algo estático (ver imagem 01 e 04), uma cenário que diferente ao percurso do exterior com o interior. Em que define estou Aqui, estou fora. Penso que o interessante seria que o edifício “comunique” ao convite de conhecer, de participar da vida ativa da cidade, penso que poderíamos definir como o espaço vazio ou de espaço de convivência, algo que este relacionado do exterior-interior, como passagem ou percurso de transição. Desta forma Cullen cria aquela “expectativa – Aqui e do Além em que o primeiro é conhecido, más não o segundo do Além é desconhecido”. (Cullen, 1983:51)

05 – Belém – Estação das Docas – A história como resgate da identidade urbana.
Fonte: Jorge Villavisencio (2011)

A definição de Cullen no aspecto do espaço urbano, como categoria: sejam metrópole, cidade, arcádia, parque, zona industrial, zona rural, e solo virgem. Más consideramos, que hoje estas categorias forem acrescentando (lembrando que originalmente seus escritos são de 1971) e tem transcorrido mais 40 anos. Nas possíveis teorias podem indicar que existem: megalópole como Tóquio, Nova York, São Paulo, México, etc. Agora megacidade ou cidade global como define Saskia Sassen como Londres, Sidnei, Hong Kong, Dubai, Pequim, Paris, Barcelona, Miami, etc.

Um dos pontos que nos parece importante citar são as linhas de forças ao, “Uma vez que a sua missão é de, em qualquer caso, resolver conflitos e localizar funções vivas, é uma vez que as metodologias, que seguem inevitavelmente uma particularização, o êxito com que ela se identificar e interpretar visualmente as mais significativas linhas de forca determinará em grande parte se a cidade irá ser morfologicamente caraterizada e inteligível”. (Cullen, 1983:113)

06 – Centro de Belém – Espaço público de convivência e de motivação urbana.
Fonte: Jorge Villavisencio (2011)

Podemos deduzir que as linhas de forcas são onde se cria “atração” (ver imagem 01 e 06), assim de interesse das partes que compõe a cidade, estes pontos que ser tornam como elementos focais, uma estrutura que este em processo de formação, devemos dizer as cidades são cambiantes, sé modificam com o passar do tempo, mais os lugares como a historia queda da mente das pessoas que habitam essa cidade algo indelével, pode ser uma praça, um edifício, algo que está presente na vida do cotidiano.

“O homem é possuidor de uma mente que o dirige, que antecipa o que tem na frente, é distingue um obstáculo ou caminho. Pelo tanto apresenta pela rua o que deve o que deve mostrar para o visitante o que é seu caminho apropriado... como orientação espacial... que proporcionam sensação...”. (Arnheim, 2001:63)

07 – Centro Histórico de Lima – Perú – Jirón de la Unión – O pasado e o presente no cenário urbano.
Fonte: Jorge Villavisencio (2013)

Agora o lado interpretativo corresponde a suas próprias expectativas – por onde eu vou, o que procuro, o que é o ponto de atração que faz que me leve aquele ponto que procuro, é aí que existe a nossa referencia na nossa mente, que seria o ponto de atração que define as linhas de forças.

Para Max Weber ao dizer: “Pode-se tentar definir de diversas formas a – cidade, porem é comum a todas representa-la por um estabelecimento compacto (ao menos relativamente), como uma localidade e não casarios mais ou menos dispersos. Nas cidades, as casas estão em geral muito juntas, atualmente, vai à regra, com as paredes encostadas. A ideia corrente traz, além disso, para a palavra cidade outras caraterísticas puramente quantitativas, quando diz, por exemplo, que se trata de uma grande localidade. Essa caraterização não é em si mesma imprecisa”. (Velho, 1976:68)

08 – Lima – Perú – Parque El Olivar – Distrito de San Isidro – Viver na boa convivência com o meio ambiente.
Fonte: Jorge Villavisencio (2013)

O conceito de cidade compacta na nossa maneira de ver é uma realidade (ver imagem 04), cada vez mais necessária, levar infraestrutura para alguns poucos resulta muito onerosa para manutenção da cidade, más consideramos que as áreas públicas devem tomar mais incremento, espaços públicos resultam bons lugares de convivência. Como explica Weber à cidade não pode ser tomada como pontos meramente quantitativos, é-claro o adensamento das cidades deve ser mais dosado, nos sentido de permitir as escalas (skyline) cumpram um papel de preponderância no sentido mais harmônico com a realidade, não podemos generalizar, até cada cidade tem suas próprias caraterísticas e expectativas.

09 – Vitoria – Praia Camburi – Espaços públicos para pessoas, ciclovias e veículos – delimitando espaços e usos.
Fonte: Jorge Villavisencio (2014)

Queremos terminar abordando dois assuntos: a primeira que trata no sentido de “pertença” do lugar, e a segunda que trata da materialidade da cidade.
Na nossa maneira de ver o sentido de “pertença” esta ligado a historia da cidade, algo que este presente na vida cotidiana das pessoas. Sem duvida pode ser um simples edifício, uma rua, uma escultura, uma praça, etc. É o elo onde habitam nas suas cidades e seus lugares. (ver imagem 5 e 7)

“A principal reivindicação da Paisagem Urbana é de ter contribuído para o levante da estrutura do mundo subjetivo. Porque se não estiver registrada a que é que nos podemos ajustar?” (Cullen, 1983:196)

10 – Vitoria – Espirito Santo.
Fonte: Jorge Villavisencio (2014)

Pensamos que o ajuste de toda proposta urbana existente a ser modificada, podendo entregar assim um ar de contemporaneidade, é-claro das próprias necessidades que vão aparecendo com o espaço e o tempo, é melhor ainda com a participação ativa da população, sugere conotações com bases solidas, exemplo claro das propostas da Prefeita de Paris Anne Hidalgo no seu projeto Reinventare Parise.

“Arquitetura e Arte – Dentro deste campo das praxes alternativas, há um campo muito amplo de todas aquelas experiências nas quais, além do espaço do museu, a arte e a arquitetura andam juntas a fim de realizar intervenções no espaço público...” (Montaner, 2016:100)

No cabe duvida que através do tempo edifícios de índole cultural tem modificado (ver imagem 01) a vida do espaço urbano, assim criando novas formas de atração de estes espaços, a participação da população nestes marcos termina sendo uma atividade que pode ser cotidiana ou de fim de semana. Pensamos que não necessariamente temos que adentar a estes edifícios, más o entorno urbano a estes termina sendo tão importante que os próprios edifícios, propiciando assim à boa convivência das pessoas que o frequentam.

“Indícios – E entre estas, a primeira é a observação da ondulação da vitalidade que transmite a paisagem. Até o pavimento de um pátio ganha interesse com a existência de seus drenos”. (Cullen, 1983:182)

As texturas dos materiais empregados na paisagem urbana podem dar sim continuidade espacial, desta forma fazem o convite ao transeunte, uma espécie de ser convidativo ao entorno, más também podem delimitar seus espaços de seus usos ao qual foi assinalado. (ver imagem 04, 09 e 10)

Gostaríamos de concluir nosso breve ensaio é dizer o que Gordon Cullen indica ao dizer que “há muito a fazer”, indicado que temos que juntar, separar, dividir, ocultar, revelar, concentrar, diluir, prender, libertar, atrasar e acelerar. Pensamos que estas ferramentas nós darão mecanismo e novos pensamentos das realidades e das necessidades das pessoas que habitam nos espaços urbanos. Nem todo conceito é uma realidade, ele vai se modificando com o passar do tempo, pensar e agir em prospecção está vinculado às realidades dos acontecimentos contemporâneos, das necessidades urbanas, criando desta forma diversas vitalidades nas suas cidades.


Goiânia, 22 de fevereiro de 2017.

Arq. MSc. Jorge Villavisencio



Bibliografia:

CULLEN, Gordon; Paisagem Urbana, Edições 70 Ltda., Lisboa, 1983.

ARHEEIM, Rudolf; La forma visual de la arquitectura, Editora Gustavo, Gili, Barcelona, 2001.

VELHO, Otávio Guilherme (Org.); O fenômeno Urbano, Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1976.

MONTANER. Josep Maria; A condição contemporânea da arquitetura, Editora Gustavo Gili, São Paulo, 2016.