martes, 1 de agosto de 2017

Ensaio: A arte da fotografia; interpretações, sensações e inspirações.
Jorge Villavisencio.

Quando pensamos sobre uma determinada fotografia, o primeiro que se nos vem na mente “que significado tem isto”, pode ser uma foto familiar, uma paisagem, um edifício, uma cidade, entidades vivas ou mortas, um sim fim de objetos, etc. Mas tem algo a mais que pode ser interpretado de outros modos. Que pode levar a outras sensações, inclusive a novas inspirações que são sensíveis a cada um ou ao comum das pessoas.

Mas sem duvida registra aquele momento, que num futuro marca a historia de um determinado aspecto que pode ser num futuro ou presente como produto de uma investigação. O registro desse momento pode ser importante para alguém.

A observação aguçada se torna determinante para o entendimento do que a fotografia quer dizer. Para o escritor e filosofo francês Denis Diderot (1713-1784) do tempo do iluminismo do século XVIII explica:

“Comtemplar a massa do momento tumultuoso: a energia de cada individuo desenvolve toda sua violência e como ninguém tem precisamente seu mesmo grau, passa assim como a folha de um arvore: nenhuma tenha o mesmo verde; então ninguém tem a mesma ação ou a mesma postura... o artista conserve a lei das energias e seus interesses... sua composição será verdadeira na sua totalidade...” (Diderot, {1766} 1998:38).

Precisamente o registo de aquele momento, não só marca aquele tempo, mais também aquela ação que se torna impar de aquele instante. Para o notável fotografo mineiro Sebastião Salgado (1994), a fotografia é só um segundo que resume toda a vida dele, mas a fotografia é uma forma de vida, para isto se torna importante se organizar, é dar a importância ao que seja pertinente.

“... deve ser compreendido como um modelo de funcionamento, uma maneira de definir relações do poder com a vida cotidiana dos homens.” (Foucault, 2000:237).

Na vida contemporânea é com o uso das novas tecnologias como ferramentas de comunicação e de pesquisa de informação, se tornam cada vez mais comuns seu uso, nos seus smartphones, tablets, notebook, etc. Pareceria que a maquina fotográfica se torna obsoleta, mas devemos deixar claro que o fotografo profissional ainda faz uso dessas maquinas, cada vez mais com mais recursos, instrumental necessário para o desenvolvimento profissional da fotografia.
Que seria sem o descobrimento da fotografia atribuída em 1826 ao francês Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833).

Mas penso que a citação de Foucault se torna pertinente, com relação à fotografia. Quem não parou um determinado momento da vida para registrar aquele instante com alguma fotografia, é-claro registra a vida cotidiana das pessoas (ou outros), como também pode gerar essa fotografia como uma relação de poder. Cabe a cada um ter sua interpretação do que quer dizer ou gerar um determinado estimulo, seja este de forma positiva ou negativa.

Também na interpretação de determinada fotografia, pode causar um bom estimulo a criatividade de algum assunto que seja pertinente para aquele momento, mas pode também gerar um desgaste emocional de forma negativa. Penso que como é arte, depende muito do estado anímico de quem está fotografando, como também quem está interpretando.

“A evolução da civilização ao margem pertencemos a algo, de uma amplitude a um poder que transcende o que podamos fazer individualmente e como grupo”.
(Eladio Dieste; in Gutiérrez, 1998:41)

“A ideologia de uma interpretação da realidade e, como tal, é um recorte parcial dela. Quando atuamos desde uma ideologia e desde uma realidade às vezes equivocamos os caminhos, para achar respostas acertadas”.
(Gutiérrez, 1998:149)

Vamos a refletir sobre estas duas citações, a primeira do arquiteto moderno de Uruguai Eladio Dieste (1917-2000), dificilmente na atualidade podemos fazer todo de forma individual, hoje trabalhamos em equipe, exemplos claros de fotógrafos especializados, neste caso em arquitetura como: o fotografo Tcheco Michal Grosman, especializado em arquitetura de interiores e exteriores em fotos de noite; para o português João Morgado, em fotografias aéreas de arquitetura; o francês Romain Matteï, especializado em fotografias de arquitetura, vida selvagem, street viagens, experimental, e macrofotografia; o fotografo húngaro Adam Dobrovits, que de forma criativa utiliza casamentos, retratos, estúdio, natureza, fotos abstratas, surreais, macro, rural, urbanas e fotos de arquitetura; o polonês Michal Karcz, que tem uma paixão por pintura e fotografia, paixão que é o principal segredo por trás de suas fotos fascinantes e únicas; o fotografo alemão Matthias Haker, que cria interesse em fotografia de arquitetura, viagens, prédios abandonados e paisagens; para o brasileiro Paul Clemence, interessado em arte, design e arquitetura, o que permite que ele capture suas fotos de arquitetura em especial de estruturas, entre outros.

A segunda citação está relacionada com os primeiros caminhos, que nem sempre vamos a levar a diante, mais bem tomamos como primeiras ideias (experiências), que no futuro possam tornar (depois de amadurecidas e reflexionadas) em ideais. Estes ideais, penso que são mais inteligentes, porque em primeiro lugar levam a interpretações que são mais sensíveis, pelo menos de aquele tempo. Colocamos como exemplo o trabalho do fotografo Sebastião Salgado, que depois de uma experiência na África, e das formas de vida em aquele lugar, traz em suas imagens muita reflexão da realidade, levando ao espectador a uma reflexão mais profunda das necessidades sociais da vida do ser humano.

“... em muitos casos, a reflexão sobre os meios pelos próprios meios é de origem mesmo da história... de como funciona o processo...” (Johnson, 2003:121)

A fotografia tem vários recursos técnicos que se aplicam na maneira de expor o trabalho, estas podem ser fotos em preto e branco (Sebastião Salgado utiliza essa forma nas suas fotos), ou a color, estas imagens podem estar em movimento, de modo panorâmico ou de detalhe, no primeiro plano - algo que possa sugerir maior importância, ponto de fuga – que de continuidade espacial, tonalidade – que possam indagar com mais ou menos força na imagem, de vista panorâmica – utilizando lentes de grande angular, uma infinidade de recursos que tornam importantes para a expressão da foto. Muitos fotógrafos especializados, já tem como forma ou estilo fotográfico, é claro são reconhecidos por suas fotografias como temos expressado anteriormente (fotógrafos especializados em arquitetura e paisagem).

“Mas, é obvio que a probabilidade de achar alguma coisa em determinado lugar, depende tanto da probabilidade de presença da coisa no seu lugar, como a sensibilidade do instrumento da busca e habilidade do seu manejo”. (Bunge, 2000:89)

Para concluir nosso ensaio, temos tomado como referencia final a citação do filosofo e humanista argentino Mario Bunge (1919), e dizer, para que de certo a imagem, “tem que estar no lugar certo, no momento certo” (frase comum de nos simples mortais), penso que nem sempre é fácil, muito tempo de dedicação e experiência colabora com o que quer dizer determinada fotografia. Mas sem duvida se captada a fotografia tem uma resposta imediata ao comum das pessoas, que se sensibilizam, é-claro criam expectativas para o observador, é, por conseguinte criam-se sensações que podem ter inspirações.

Goiânia, 1 de agosto de 2017.
Arq. MSc. Jorge Villavisencio.



Bibliografia:

DIDEROT, Denis; Pensamientos sueltos sobre la pintura {1766}, Editorial Tecnos S.A., Madrid, 1988.

FOUCAULT, Michel; Vigilar y castigar, Editora Siglo XXI, México, 2009.

GUTIÉRREZ, Ramón; Arquitectura Latinoamericana en el siglo XX, Lunwerg Editores, Barcelona, 1998.

JOHNSON, Steven; Sistemas Emergentes: o que tem em comum as formigas, neuromas, cidades e software, Editora Fondo de Cultura Economica, México, 2003.

BUNGE, Mario; Epistemologia, Editora Siglo XXI, Barcelona, 2004.


miércoles, 26 de julio de 2017

Indagações sobre a metafísica na arte de projetar.
Jorge Villavisencio.

Segundo Maria Aparecida Martins no seu livro “A Nova Metafísica” alguns termos e visões está mudando na maneira de perceber a vida. Conceitos como reorganizar, redimensionar, redirecionar, transformar, modificar ficam como ferramentas de percepção nos novos modos de produção e visão do mundo. Desta maneira pensamos que podem ajudar a ter novos ideais e ideias que no auxiliam na arte de projetar.

Quando definimos a palavra metafísica como substantivo feminino, existem a priori dos conceitos. O primeiro no sentido aristotélico: subdivisão fundamental da filosofia, caracterizada pela investigação das realidades que transcendem a experiência sensível, capaz de fornecer um fundamento a todas as ciências particulares, por meio da reflexão a respeito da natureza primacial do ser; filosofia primeira.

No segundo sentido do filosofo prussiano Immanuel Kant (1724-1804) explica: estudo das formas ou leis constitutivas da razão, fundamento de toda especulação a respeito de realidades suprassensíveis (a totalidade cósmica, Deus ou a alma humana), e fonte de princípios gerais para o conhecimento empírico.

F.01 – Casa Batllo, Barcelona – Antoni Gaudí.
Fonte: Acervo Antoni Gaudí.

Vejamos no primeiro conceito (Aristóteles) que precede de uma “experiência sensível” da natureza do ser. Pensamos que este esta relacionado com a “energia” que cria os átomos seja animal, vegetal e mineral. Porque entendemos que o átomo é a que compõe a matéria. A pesar que o significado do átomo que significa em grego que se diz que é indivisível. Mais hoje sabemos que não é assim, este é divisível em prótons, nêutrons e elétrons. Exemplo caro que: dois átomos de hidrogeno + um átomo de oxigeno é igual a uma molécula de agua.

Desta forma: “com 7 notas musicais, quantas músicas já forem compostas? ; com 26 letras do alfabeto, quantas palavras já foram formadas?; com mais de uma centena de átomos, quantos arranjos (substancias) podem ser feitos?”. (Martins; 2009:9)

Podemos pensar que o significado de composição de direcionar e transformar está presente em todo momento, a natureza viva, que através do tempo muitos arquitetos tem se inspirado para tomar partido arquitetônicas de seus conceitos extraídos do organicismo.

F.02 – Casa Planells, Barcelona – Jose Maria Jujol.
Fonte: Pinterest.

“Embora o organismo tenha surgido nas primeiras décadas do século XX com obras de Antoni Gaudí, Josep Maria Jujol, Frank Lloyd Wright ou Alvar Aalto tenha sido definido com base nas interpretações de Bruno Zevi em mediados do século XX, sua aceitação perdura na atualidade”. (Montaner; 2016:28)

Si bem a “energia” que nos precede e vincula com a natureza como o explica Montaner sua aceitação ainda perdura. Essa força do significado “energia” da palavra grega nos invade com uma potencia, cria atividade, nós da capacidade de realizar um determinado trabalho (projeto) com certa eficácia. Agora o fato de poder transformar esses pensamentos que vem da natureza pode alterar nossos destinos na maneira de viver. Sem duvida a cidade e seus edifícios alteram nossa forma de pensar e de viver.

F.03 – Guggenheim Museum, New York – Frank Lloyd Wright.
Fonte: Associated Press.

“A palavra - Universo - quer dizer isso: uno diversificada, uma mesma energia, porém transformada. E a ciência que estuda a transformações da energia Física, e apropria energia Física também transforma seus conceitos”. (Martins; 2009:13)

F.04 – Casa da Cultura – Alvar Aalto.
Fonte: Flickr user Wotjrk.

A diversidade das cidades e edifícios deve ser de maneira ampla, sempre atendendo o que a população precisa. Que como sabemos nem sempre é atendida a pleno. A transformação de essa energia física indica e pensada de maneira metafórica vincula e transforma a novos conceitos contemporâneos, como exemplos claros na maneira de ver a arquitetura com pensamentos (conceitos) arquitetônicos bioclimáticos, ecológicos, sustentáveis e holísticos.

F.05 – Escola, Bangladesh – Anna Heringer.
Fonte: Kurt Hoebest.

Mas isto não é só de agora si colocamos de maneira ecológica e de suas transformações pensadas no século XIX fundadas por Ernst Haeckel e Charles Darwin, e de pensamento contemporâneo da arquitetura bioclimática de Anna Heringer em Bangladesh, ou de tecnologia socializada de Shigeru Ban.

F.06 – Museu de Arte, Aspen – Shigeru Ban.
Fonte: ArchDaily Brasil.

A segunda parte está relacionada com o pensamento kantiano das formas constitutivas da razão, e da própria especulação, elementos que propiciam o conhecimento empírico do cosmos ou da alma humana. Pensamos que este assunto deve tomar a devida atenção do significado do ser. Tarefa que não e fácil explicar.

“O homem é um ser energético manifestando-se em vários níveis. Se ele tem matéria (corpo físico), consequentemente tem energia. Você não se esqueceu de que a matéria é feita de átomos é os átomos são energia...” (Martins; 2009:19).

Mas o homem tem lados que fazem parte de seu ser: o espiritual (relacionado com Deus), o lado mental, o astral (relacionado com o cosmos), o etérico e o físico. Mas tudo isto de uma maneira do “todo junto”. Pareceria que pensamos todo ao mesmo tempo.

F.07 – Centro Cultural Oscar Niemeyer (2006), Goiânia – Oscar Niemeyer.
Fonte: Divulgação Ascom.

Um dos assuntos que agregam valor (como estratégia) na maneira de projetar edifícios e cidades é de tomar partido todo ao mesmo tempo: o lugar, o programa, a estrutura, a circulação, o volume, a materialidade e a espacialidade. Mas sem duvida cada parte tem que ser analisada com o devido cuidado. Se não se corre risco de tomar um partido sem fundamento. O fundamento se da com o aporte analítico das condicionantes que se nos oferecem.

F.08 – Cidade da Musica (2014), Rio de Janeiro – Arq. Christian de Portzamparc.
Fonte: Mais Arquitetura.

Como exemplo tomaremos os edifícios de ordem cultural: “Pelos caminhos da reflexão, fundamentos na observação de diversos centros e suas programações, supõe-se que eles se enquadram na Cultura de sustentação, destinando-se a um público que possa ter condições mínimas de aproveitamento de suas oferendas, dentro de aquela idéia de – bem possuído. Neste sentido, os espaços culturais, mesmos construídos para divulgar cultura...” (Milanesi, 2003:163).

F.09 – Museu Iberê Camargo (2003), Porto Alegre – Arq. Álvaro Siza.
Fonte: Vitruvius.

Tem edifícios de ordem cultural de maneira contemporânea que dão reflexo imediato e significado aos lugares onde estão inseridos os edifícios dentro da cidade. Aqui alguns exemplos de projetos contemporâneos, como do: Centro Cultural Oscar Niemeyer – Goiânia (2006) – Arq. Oscar Niemeyer, que não só levam espaços culturais, mais também áreas de convivência e de lazer; Cidade da Musica – Rio de Janeiro (2014) – Arq. Christian de Portzamparc, que agrega uma nova ordem ao espaço urbano e de outra maneira de ver a cidade; do belo projeto do Museu Iberê Camargo – Porto Alegre (2003) – Arq. Álvaro Siza, em que se apropria do espaço urbano de expetativas e de expectação como modelo de vinculo espacial; ou do projeto moderno do MASP– São Paulo (1968) – Arq. Lina Bo Bardi, que leva a arte como Museu, fica hoje como um ícone de manifestações populares em São Paulo.

“Uma critica moderna, viva e social e intelectualmente útil, ousada, não serve por isso, apenas para preparar para o prazer estético das obras históricas; serve também sobre tudo para colocar o ambiente social em que vivemos, dos espaços urbanos e arquitetônicos dentro dos quais se passa a maior parte dos nossos dias, a fim de que os reconheçamos – saibamos vê-los”. (Zevi, 2009:200).

F.10 – MASP (1968), Porto São Paulo – Arq. Lina Bo Bardi.
Fonte: Tempo Integral.

Para terminar, gostaríamos de colocar esta citação: “Existe uma conexão pensamento-realidade, muito sutil, mas muito forte. Você esta recordando que, quanto mais sutil a energia, mais forte ela é”. (Martins; 2009:47).


Goiânia, 26 de julho de 2017.
Arq. MSc. Jorge Villavisencio.


Bibliografia:

MARTINS, Maria Aparecida; A Nova Metafísica: a visão que temos nós mesmos está mudando, Centro de Estudos Vida & Consciência Editora, São Paulo, 2009.

MONTANER, Josep Maria; A condição contemporânea da arquitetura, Editora Gustavo Gili, São Paulo, 2006.

MILANESI, Luis; A Casa da Invenção, Ateliê Editora, Cotia, São Paulo, 2003.

ZEVI, Bruno; Saber ver a arquitetura, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2009.


miércoles, 22 de febrero de 2017

Aportes nas percepções urbanas de Gordon Cullen.

Aportes nas percepções urbanas de Gordon Cullen.
Jorge Villavisencio.

Si bem é certo o livro Paisagem Urbana (Concise Townscape) de Gordon Cullen (1914-1994) é de 1971, mais chega ao Brasil (versão em português) no ano de 1983 cuja tradução está a cargo de Isabel Correia e Carlos de Macedo. Penso que nesta citação pode resumir o espírito da proposta:

“Efetivamente, uma cidade é algo mais do que o bem-estar e de facilidades que leva a maioria das pessoas a preferem – independentemente de outras razões – viver em comunidade a viverem isoladas”. (Cullen, 1983:9)

Sem duvida a cidade é de viver em comunidade, a construção da mesma são as mesmas pessoas, onde habitam nos seus edifícios. “A arte de relacionamento”. (ver Imagem 02, 03 e 07)

01 – Curitiba – Museu (do Olho) Oscar Niemeyer – As sensações do espaço urbano.
Fonte: Jorge Villavisencio (2013)

Explica no seu livro que há três aspectos a considerar: a óptica, o local e o conteúdo.
A primeira trata de como transita o transeunte, é caro da visão de sucessão de surpresas, como visão serial, como imagem existente e imagem emergente. A segunda define a pessoas na noção de espaço e das sensações de espaços abertos e espaços fechados. Por ultimo a terceira com a própria constituição do espaço, más adverte que há uma grande falta de sensibilidade na construção de cidades.

“A primeira coisa a fazer é popularizar o mais possível a Arte do Meio-Ambiente, partindo do principio que uma maior participação emocional das pessoas conduzirá necessariamente ao aperfeiçoamento...”. (Cullen, 1983:17)

02 – Centro Histórico de Curitiba – O dialogo com a Paisagem Urbana.
Fonte: Jorge Villavisencio (2013)

Pensamos que a participação das pessoas podem criar novas fontes e necessidades, claro vinculadas ao meio-ambiente (ver imagem 03, 05 e 08), a construção da mesma depende do quadro de dialogo que as pessoas produzam, ouvir é muito importante, para poder entender as próprias necessidades da população. Indica: “Todavia o objetivo fundamental dos urbanistas continua ser a comunicação com o público, não entanto pela via democrática, como pela via emocional”. (Cullen, 1983:18)

Na visão serial o percurso revela uma sucessão de pontos de vista, é essas saliências e reentrâncias cria uma terceira dimensão. Assim como os desníveis os elementos de separação de transparência de visão serial. (ver imagem 01 e 04)

Sem duvida tanto nas caraterísticas urbanas como na arquitetura de edifícios a “apropriação do espaço” cria circunstancias de aderência com a visão de espaço, muitas vezes enunciadas na arquitetura moderna nos CIAM de 1933, e do próprio Lucio Costa. Não poderias projetar nada de maneira correta sem conhecer com profundidade as condicionantes que norteiam maneira projetual.

03 – Centro Histórico de Belo Horizonte – Espaços Públicos de convivência.
Fonte: Jorge Villavisencio (2012)

No território ocupado – “... abrigo, conveniência e um ambiente aprazível são a causa mais frequente da apropriação do espaço” (Cullen, 1983:25). Más advertem que o movimento das pessoas que transitam nas cidades.

Consideramos que um dos pontos importantes se dá no compartimento dos edifícios com a cidade, como território ocupado pelo homem. Nestas satisfazem tanto suas necessidades sócias como comerciais. “O homem não bastam às galerias de pintura: eles necessitam de emoção, do dramatismo que é possível fazer surgir do céu...”. (Cullen, 1983:30)

Diversas vezes nos escritos do emérito arquiteto Oscar Niemeyer, cita que a arquitetura tem que “emocionar”, pensamos que desta forma cria novas expectativas de visão de futuro, ver imagem embaixo 04.

04 – Centro de Belo Horizonte – O movimento das pessoas.
Fonte: Jorge Villavisencio (2012)

Diversas vezes Cullen explica sobre a questão do “Aqui e Além”, na nossa maneira de ver o “aqui” é algo conhecido ou de mais fácil reconhecimento, mais a questão do “além” vai como meta-pensamentos que pode ir ao desconhecido, para poder conhecer. “... sensação do Além é a qualidade, de certo modo lírica, de algo que está ao mesmo tempo presente e sempre fora do nosso alcance...” (Cullen, 1983:36). Más indica que o Aqui é algo conhecido, é também do Além e também conhecido exemplos claros é nas busca deles como: focalização, desníveis, perspectivas, estreitamentos, delimitação, etc. Na questão de “perspectiva grandiosa explica: que podem tirar partido do Aqui e do Além” (Cullen, 1983:43), claro como perspectiva.

Também, na colocação de Cullen na questão de “flutuação” numa cidade como local habitado a disposição de espaços onde criam movimento das pessoas cria de fato emoções. Más ao ser delimitado um reage como algo estático (ver imagem 01 e 04), uma cenário que diferente ao percurso do exterior com o interior. Em que define estou Aqui, estou fora. Penso que o interessante seria que o edifício “comunique” ao convite de conhecer, de participar da vida ativa da cidade, penso que poderíamos definir como o espaço vazio ou de espaço de convivência, algo que este relacionado do exterior-interior, como passagem ou percurso de transição. Desta forma Cullen cria aquela “expectativa – Aqui e do Além em que o primeiro é conhecido, más não o segundo do Além é desconhecido”. (Cullen, 1983:51)

05 – Belém – Estação das Docas – A história como resgate da identidade urbana.
Fonte: Jorge Villavisencio (2011)

A definição de Cullen no aspecto do espaço urbano, como categoria: sejam metrópole, cidade, arcádia, parque, zona industrial, zona rural, e solo virgem. Más consideramos, que hoje estas categorias forem acrescentando (lembrando que originalmente seus escritos são de 1971) e tem transcorrido mais 40 anos. Nas possíveis teorias podem indicar que existem: megalópole como Tóquio, Nova York, São Paulo, México, etc. Agora megacidade ou cidade global como define Saskia Sassen como Londres, Sidnei, Hong Kong, Dubai, Pequim, Paris, Barcelona, Miami, etc.

Um dos pontos que nos parece importante citar são as linhas de forças ao, “Uma vez que a sua missão é de, em qualquer caso, resolver conflitos e localizar funções vivas, é uma vez que as metodologias, que seguem inevitavelmente uma particularização, o êxito com que ela se identificar e interpretar visualmente as mais significativas linhas de forca determinará em grande parte se a cidade irá ser morfologicamente caraterizada e inteligível”. (Cullen, 1983:113)

06 – Centro de Belém – Espaço público de convivência e de motivação urbana.
Fonte: Jorge Villavisencio (2011)

Podemos deduzir que as linhas de forcas são onde se cria “atração” (ver imagem 01 e 06), assim de interesse das partes que compõe a cidade, estes pontos que ser tornam como elementos focais, uma estrutura que este em processo de formação, devemos dizer as cidades são cambiantes, sé modificam com o passar do tempo, mais os lugares como a historia queda da mente das pessoas que habitam essa cidade algo indelével, pode ser uma praça, um edifício, algo que está presente na vida do cotidiano.

“O homem é possuidor de uma mente que o dirige, que antecipa o que tem na frente, é distingue um obstáculo ou caminho. Pelo tanto apresenta pela rua o que deve o que deve mostrar para o visitante o que é seu caminho apropriado... como orientação espacial... que proporcionam sensação...”. (Arnheim, 2001:63)

07 – Centro Histórico de Lima – Perú – Jirón de la Unión – O pasado e o presente no cenário urbano.
Fonte: Jorge Villavisencio (2013)

Agora o lado interpretativo corresponde a suas próprias expectativas – por onde eu vou, o que procuro, o que é o ponto de atração que faz que me leve aquele ponto que procuro, é aí que existe a nossa referencia na nossa mente, que seria o ponto de atração que define as linhas de forças.

Para Max Weber ao dizer: “Pode-se tentar definir de diversas formas a – cidade, porem é comum a todas representa-la por um estabelecimento compacto (ao menos relativamente), como uma localidade e não casarios mais ou menos dispersos. Nas cidades, as casas estão em geral muito juntas, atualmente, vai à regra, com as paredes encostadas. A ideia corrente traz, além disso, para a palavra cidade outras caraterísticas puramente quantitativas, quando diz, por exemplo, que se trata de uma grande localidade. Essa caraterização não é em si mesma imprecisa”. (Velho, 1976:68)

08 – Lima – Perú – Parque El Olivar – Distrito de San Isidro – Viver na boa convivência com o meio ambiente.
Fonte: Jorge Villavisencio (2013)

O conceito de cidade compacta na nossa maneira de ver é uma realidade (ver imagem 04), cada vez mais necessária, levar infraestrutura para alguns poucos resulta muito onerosa para manutenção da cidade, más consideramos que as áreas públicas devem tomar mais incremento, espaços públicos resultam bons lugares de convivência. Como explica Weber à cidade não pode ser tomada como pontos meramente quantitativos, é-claro o adensamento das cidades deve ser mais dosado, nos sentido de permitir as escalas (skyline) cumpram um papel de preponderância no sentido mais harmônico com a realidade, não podemos generalizar, até cada cidade tem suas próprias caraterísticas e expectativas.

09 – Vitoria – Praia Camburi – Espaços públicos para pessoas, ciclovias e veículos – delimitando espaços e usos.
Fonte: Jorge Villavisencio (2014)

Queremos terminar abordando dois assuntos: a primeira que trata no sentido de “pertença” do lugar, e a segunda que trata da materialidade da cidade.
Na nossa maneira de ver o sentido de “pertença” esta ligado a historia da cidade, algo que este presente na vida cotidiana das pessoas. Sem duvida pode ser um simples edifício, uma rua, uma escultura, uma praça, etc. É o elo onde habitam nas suas cidades e seus lugares. (ver imagem 5 e 7)

“A principal reivindicação da Paisagem Urbana é de ter contribuído para o levante da estrutura do mundo subjetivo. Porque se não estiver registrada a que é que nos podemos ajustar?” (Cullen, 1983:196)

10 – Vitoria – Espirito Santo.
Fonte: Jorge Villavisencio (2014)

Pensamos que o ajuste de toda proposta urbana existente a ser modificada, podendo entregar assim um ar de contemporaneidade, é-claro das próprias necessidades que vão aparecendo com o espaço e o tempo, é melhor ainda com a participação ativa da população, sugere conotações com bases solidas, exemplo claro das propostas da Prefeita de Paris Anne Hidalgo no seu projeto Reinventare Parise.

“Arquitetura e Arte – Dentro deste campo das praxes alternativas, há um campo muito amplo de todas aquelas experiências nas quais, além do espaço do museu, a arte e a arquitetura andam juntas a fim de realizar intervenções no espaço público...” (Montaner, 2016:100)

No cabe duvida que através do tempo edifícios de índole cultural tem modificado (ver imagem 01) a vida do espaço urbano, assim criando novas formas de atração de estes espaços, a participação da população nestes marcos termina sendo uma atividade que pode ser cotidiana ou de fim de semana. Pensamos que não necessariamente temos que adentar a estes edifícios, más o entorno urbano a estes termina sendo tão importante que os próprios edifícios, propiciando assim à boa convivência das pessoas que o frequentam.

“Indícios – E entre estas, a primeira é a observação da ondulação da vitalidade que transmite a paisagem. Até o pavimento de um pátio ganha interesse com a existência de seus drenos”. (Cullen, 1983:182)

As texturas dos materiais empregados na paisagem urbana podem dar sim continuidade espacial, desta forma fazem o convite ao transeunte, uma espécie de ser convidativo ao entorno, más também podem delimitar seus espaços de seus usos ao qual foi assinalado. (ver imagem 04, 09 e 10)

Gostaríamos de concluir nosso breve ensaio é dizer o que Gordon Cullen indica ao dizer que “há muito a fazer”, indicado que temos que juntar, separar, dividir, ocultar, revelar, concentrar, diluir, prender, libertar, atrasar e acelerar. Pensamos que estas ferramentas nós darão mecanismo e novos pensamentos das realidades e das necessidades das pessoas que habitam nos espaços urbanos. Nem todo conceito é uma realidade, ele vai se modificando com o passar do tempo, pensar e agir em prospecção está vinculado às realidades dos acontecimentos contemporâneos, das necessidades urbanas, criando desta forma diversas vitalidades nas suas cidades.


Goiânia, 22 de fevereiro de 2017.

Arq. MSc. Jorge Villavisencio



Bibliografia:

CULLEN, Gordon; Paisagem Urbana, Edições 70 Ltda., Lisboa, 1983.

ARHEEIM, Rudolf; La forma visual de la arquitectura, Editora Gustavo, Gili, Barcelona, 2001.

VELHO, Otávio Guilherme (Org.); O fenômeno Urbano, Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1976.

MONTANER. Josep Maria; A condição contemporânea da arquitetura, Editora Gustavo Gili, São Paulo, 2016.



jueves, 19 de enero de 2017

O ensaio como técnica da crítica da arquitetura.

O ensaio como técnica da crítica da arquitetura.
Jorge Villavisencio.

Através do tempo temos utilizado a crítica da arquitetura como instrumento de entendimento do estudo da arte e da técnica do que é a arquitetura e urbanismo. Desta forma podemos entender melhor os fatos das produções que englobam os edifícios e suas cidades, mais deve existir, sim, uma pesquisa que a nossa maneira de ver tem que ser continua ou continuada dos vários elementos que compõe estás produções. Consideramos que não é uma tarefa fácil, porque a investigação previa deve ser de bom calibre ou de uma credibilidade correta. Mais existe uma liberdade de expressão nos ensaios críticos, como o explica Josep Maria Montaner.

“O ensaio, entendido como uma indagação libre e criativa, não exaustivo, nem especializado, destituído de um caráter rigorosamente sistemático, é a mais genuína ferramenta da crítica.” (Montaner, 2015:13) {1}

Sem duvida, a maneira livre como cada um apresenta seu ensaio tem uma formulação que esta em contato com sua própria percepção dos objetos manteria de estudo. É-claro das próprias experiências que um tem no espaço e no tempo (intuição pessoal). Mais nos pensamos que o caráter sistêmico deve existir, primeiro para que o ensaio tenha sim um caráter de veracidade comprovada e só através da linha da “investigação cientifica” e dos referentes (pesquisa, citações, bibliografia, etc.) faz que a crítica tenha essa credibilidade. Segundo que o tema matéria do ensaio cria sim um interesse pessoal com a proposta de estudo, e difícil que não se tenha relação com a proposta do ensaio.

Desta forma tem uma continuidade e uma direção na formulação do trabalho. Mas como o explicam que todo deve estar “inter-relacionado”, não porque si o objeto de estudo ensaísta deve acometer um determinado objeto, mais bem tem que estar com muitos outros assuntos, para que exista sim um paralelismo com a proposta, entregar os vários aspectos que deve conter uma crítica. Mas estamos de acordo com que o ensaio crítico não é um assunto terminado ou consumado, existe uma abertura para que este seja reformulado ou continuado.

Até porque a investigação cientifica tem essa forma de ser, “dar continuidade ao trabalho cientifico”. Desta forma vai se aprimorando o trabalho, transformando, reformulando, para outras ocasiões.

Mais devemos deixar claro que a crítica da arquitetura é um “julgamento” de um determinado objeto está aderida a parte que corresponde a sua própria estética, desta forma podemos ampliar a outros assuntos, como onde foi inserida determinado produto (lugar), qual foi à tecnologia que foi aplicada entre outros, por que tem essa forma, e qual e sua relação com o ambiente, enfim são tantos assuntos que nascem da crítica da arquitetura, porque ela é ao final uma dialética constante com o objeto.

A “interpretação” que um possa ter do objeto, poderia ser a síntese de vários assuntos, porque como se sabe sempre deve estar “aberto” ao dialogo, e nunca deve ser uma coisa fechada.

“A propostas da arquitetura feitas como colagem de fragmentos...” (Montaner, 2016:70) {2}

Ao apreciar a citação de Montaner, podemos intuir dois assuntos, o primeiro tem uma relação com os diferentes aspectos (fragmentos) que contém uma obra de arquitetura, seria como poder entender cada parte que compõe a obra, desta forma poderíamos entender o todo como explicava Leonardo Benévolo ao falar do “elenco” (atores) da arquitetura, da composição de sua forma e suas partes. O segundo está relacionado com a história da arquitetura, por que ao final de contas não poderíamos fazer uma crítica da arquitetura sem conhecer a teoria da arquitetura e a história da arquitetura. É a forma correta de fazer uma crítica da arquitetura, que seja correta e com credibilidade.

“A resistência ao estudo da forma deriva, em parte, da acusação em que achacava-se aos arquitetos e teóricos ao haver-se dedicado de tratar a que os edifícios como puras formas, sem considerar suas funções praticas e sociais.” (Arnheim, 2001:8)

É interessante a advertência e da forma de colocação de Arhheim, até porque seria como ignorar o entorno do lugar, a finalidade da obra, e qual seria sua função social. Criar a forma pela forma, na nossa maneira de ver e sem consenso, e sem conceito nenhum, algo que seria irrelevante para a arquitetura e a cidade, sem valor nenhum. Mais através do tempo tenho pesquisado sobre este assunto, e incrível e irrelevante que alguns profissionais tenham atuado dessa maneira sem conceito nenhum, mas sim tem um objetivo à obra, não como função social, mais sim como destino dos usuários – a forma pela forma.

Penso que todo projeto de arquitetura e urbanismo tem uma “intensão” algo que foi muito bem explicado por Lucio Costa e recentemente por nosso querido arquiteto (recentemente falecido) João Filgueiras Lima – Lelé, todos temos sim uma determinada intensão objeto de seu projeto, até porque as ideias e ideais se sentem plasmado nos seus projetos. Isso tem um valor agregado e valorizado na arquitetura, por isso pode criar uma crítica esmerada na arquitetura com valor teórico e histórico, penso que com o tempo pode ficar como referencia para outros projetos no futuro.

“Uma obra de arquitetura não só serve abrigar atividades, mais também para ser contemplada, porque a arquitetura resolve necessidades físicas mais também de necessidades espirituais ou de fantasias...” (Carriquiry, 2005:18)

Nunca devemos esquecer que a arquitetura é arte e ciência, por isso a contemplação faz parte do sentido e da espiritualidade que está impregnada na sua arte. Por isso Le Corbusier no primeiro tercio do século XX, em especial nos CIAM na Carta de Atenas de 1933 explica de forma clara que a arquitetura tem que ter o espírito de seu tempo.
Para terminar, a crítica da arquitetura que contem bases solidas nas suas teorias e na sua historia, tem questões que são relevantes e importantes para a realização de todo ensaio que se preze por ter uma identidade que cada ensaísta tem, desta forma cria seu próprio espírito de seu tempo, é sem duvida serve para dar continuidade na sua dialética na arte de fazer espaços com prospecção.

Goiânia, 19 de janeiro de 2017.
Arq. MSc. Jorge Villavisencio


Bibliografia

MONTANER, Josep Maria; Arquitetura e Crítica, Ed. Gustavo Gili, São Paulo, 2015. {1}

MONTANER, Josep Maria; A condição contemporânea da arquitetura, Ed. Gustavo Gili, São Paulo, 2016. {2}

ARNHEIM, Rudolf; La forma visual de la arquitectura, Ed. Gustavo Gili, Barcelona, 2001.

CARRIQUIRY, Inés Claux; La arquitectura y el proceso de diseño, Ed. Universidad San Marin de Porres, Lima, 2005.


jueves, 10 de noviembre de 2016

As teorias da arquitetura contemporânea dos brancos e dos cinzentos.

As teorias da arquitetura contemporânea dos brancos e dos cinzentos.
Jorge Villavisencio.

Neste ensaio faremos nosso aporte a o que se denomina as possíveis teorias da arquitetura contemporânea dos brancos e dos cinzentos. Com a chegada do século XXI, muitas pessoas arquitetos, filósofos, sociólogos, ambientalistas, etc., se têm preocupado do porque projetamos nossas cidades e seus edifícios desta forma, é claro, as teorias da arquitetura e do urbanismo tentam explicar sua produção.


Do passado ao presente.

No primeiro lugar com o termino da arquitetura moderna, e da chegada do pós-modernismo no final da década dos anos 60 e inicio dos 70, teve uma serie de ataques dos estilos que vinha aplicando no mundo todo. Mais esta nova forma de ser, se comenta seriam incapazes de explicar suas teorias, uma espécie de antimodernismo, penso para criar uma nova percepção de uma arquitetura que procure explicar uma serie de questões que poderiam ser relevantes para a arquitetura contemporânea.

C.001 – Edifício Portland (1980) Oregon – Michel Graves.
Fonte: Pinterest.

Tanto nos Estados Unidos e na Europa na época dos anos 70, as produções da arquitetura, não se tinha uma preocupação social. Mais bem uma preocupação em relação às outras condicionantes mais chegadas ao sentimento estético, da forma, e da tecnologia.


Os fundamentos.

Mais existia uma serie de arquitetos e escritórios de arquitetura que eram fies a arquitetura moderna, é claro entendemos que a arquitetura moderna teve uma ruptura com a tradição, um racionalismo mais condescendente a uma realidade com bases solidas, más com conceitos amplos, (para citar alguns: atitude racionalista, higiene, sonho de ordem, ar otimista, preocupação com espacialidade, bases matemáticas e da geometria e modulação, cuidados normativos, civilidade, entre outros), que forem se assentado através de vários séculos. Com a chegada do Iluminismo e principalmente com a Revolução Francesa nos finais do século XVIII (1789), a nossa maneira de ver abre um novo ambiente na arquitetura moderna, os novos pensamentos dos Congressos Internacionais da Arquitetura Moderna – CIAM, com pensamentos e acaloradas discussões e de seus legados dos grandes mestres da arquitetura moderna como Claude Nicolas Ledoux (1736-1806), Karl Friedrich Schinkel (1791-1841), Le Corbusier (1897-1965), Mies van der Rohe (1886-1969), Adolf Loos (1870-1933), Alvar Aalto (1898-1976), Theo van Doesburg (1883-1931), Louis Sullivan (1856-1924), Louis Kahn (1901-1974), Frank Lloyd Wright (1867-1959), entre outros importantes arquitetos que deixarem suas marcas indeléveis. As Escolas de Arquitetura como da Bauhaus de Walter Gropius (1883-1969), o pensamento utópico do barão Georges-Eugène Haussmann (1809-1891) e suas intervenções em Paris, entre outros abrirem precedente.

C.002 – Casa Santa Monica (1978) Califórnia – Frank Ghery.
Fonte: Pinterest.

Consideramos que a contemporaneidade tem sim precedentes com a modernidade, não é questão de só esquecer o passado, e o presente só é valido. O precedente é importante, também não e uma questão historicista, a história nos ensina, assim foi, é assim será, até porque é preciso entender o passado para entender o presente e o futuro.


O futuro é agora.

Mais existe sim uma ruptura, “Essas eram as aspirações dos artistas modernos. Todos os movimentos que eles criaram, independentemente de suas singularidades, estão ligados às noções de novo e ruptura... era preciso que a arte se tornasse tão inovadora e radical quanto à vida”. (Canton, 2009:18-19).

C.003 – Edifice American Telefone and Telegraph - AT&T (1982) New York – Phillip Johnson.
Fonte: L´espace du débat.

Pensamos que uma das afirmações importantes da arquitetura contemporânea está ligada e este pensamento. “Também faziam afirmações sobre a lógica tectônica superior a seus projetos, a maior honestidade na expressão da estrutura e a elevada fidelidade aos imperativos dos materiais e da tecnologia contemporâneos”. (Ghirardo, 2009:26)

Não temos duvida, primeiro que a estrutura como um todo mantem a forma da edificação, e inclusive faz parte do partido arquitetônico, segundo a materialidade do edifício hoje também faz parte do partido e do processo criativo da arquitetura contemporânea, terceiro a tecnologia está presente em todo momento do ser contemporâneo, cada dia nasce uma nova forma tecnológica que alivia e colabora com o processo construtivo e criativo.


Os brancos e os cinzentos.

Explica-se que nos Estados unidos nasce à ideia conhecida como os “brancos” que são: Peter Eisenman (1932-), Richard Meier (1934-), Charles Gwathmey (1938-2009) e Michel Graves (1934-2015), que de alguma forma seguiam as benevolências da arquitetura moderna, “... uma estética pura e polida” (Ghirardo, 2009:27). Por outro lado os “cinzentos” de Robert Venturi (1925-), Charles Moore (1925-1993) {ver imagem C.006}, Robert Sten (1939-), “... rejeitavam cada vez mais a aparência branca em favor dos estilos históricos e elementos arquitetônicos.” (Ghirardo, 2009:27), todos estes ocupavam muitas paginas das revistas dos anos 70.

C.004 – Casa do Bombeiro, Fábrica Vitra (1994) Well-am-Rhein, Alemanha – Zaha Hadid.
Fonte: Cimento Itambé.

Mais também na Europa se defendiam criações historicistas do grupo dos brancos como do arquiteto britânico Quilan Terry (1937-), do arquiteto luxemburguês Leon Krier (1943-) {ver imagem C.005}, do arquiteto e professor italiano Paolo Portoghesi (1931-), todos estes amplamente divulgados nas mídias, tanto nos sites da internet ou por médios escritos.
Mais com o passar do tempo alguns forem mudando como do caso de Michel Graves com seu famoso Edifício Portland (1980) em Oregon {ver imagem C.001}, talvez a ideia dos brancos fosse mudando com o tempo, e com possibilidade de entrar nos grupos dos cinzentos.

Pensamos que arquitetura contemporânea nada está dito, ainda estamos na procura de novas teorias, novas fontes, mais criatividade, e pouco consensual, mais sim que tenham percepção com as necessidades atuais.

Mais um dos problemas que é a velocidade e a voracidade do mercado, das pessoas faz que mudem constantemente, não vamos um achar um consenso “único”, vai ter mudanças constantes o tempo-espaço faz sentido na contemporaneidade, cria sim muito desconcerto (as teorias do Caos explicam isso) com poucas possibilidades de sucesso, mais isto já é normal, as pessoas cada vez se isolam nos seus ambientes de trabalho, nas suas moradias, nas formas de viver, é atual, é contemporâneo, mais penso que existiram novas formas de pensar, é de viver, a mudança constante nos levará a um mundo melhor, claro em numa forma positiva e mais hedonista, algo assim: “seja o que for que não deixe seu barco encalhar”. (Flocker, 2007:93).

Temos que cuidar o conceito da vanguarda, não como algo novo, mais bem como fundamento teórico que tenha prospecção vinculada com as necessidades das pessoas. Porque assim já aconteci-o com o pensamento neovanguardista.
“A maioria das propostas neovanguardistas não apresenta nenhuma relevância historicista. Se recorrem a marcos, estes sempre serão os momentos fundacionais das vanguardas do século XX. Reconhece-se apenas um universo – a estrita modernidade – e todos seus referentes são eletrônicos e artificiais”. (Montaner, 2012:117)

C.005 – La Citta Balneare, Seaside, Florida – Leon Krier.
Fonte: desconhecida.

Temos que dizer que tanto Robert Venturi e Michel Graves {ver imagem C.001} obterem o premio Rome Prize, onde se dedicarem muitos anos na pesquisa da arquitetura italiana, mais Graves ao abandonar os “brancos” ele incorpora uma situação maneirista, com efeitos clássicos da arquitetura italiana.

Também Frank Gehry (1929-) na casa de Santa Monica (EEUU) em 1978 {ver imagem C.002} com algo diferente com a escolha dos materiais, até ortodoxo, muitos teóricos a calcificam como uma arquitetura má, mais teve criticas, que consideramos que são importantes para a arquitetura contemporânea. Imaginemos que si não existe-se a crítica da arquitetura, que é fundamental, cria reflexos na nossa maneira de fazer e de pensar na arquitetura.

“Se essa distanciação, existe o perigo de, aquilo que hoje nos parece ser tendenciosa mais importante para a arquitetura, se vir a revelar apenas como um caminho falso, uma moda passageira do espirito da época”. (Tietz, 2008:100)

C.006 – Piazza D´Italia (1978), New Orleans– Charles Moore.
Fonte: Idesingnproject.

O arquiteto norte-americano Phillip Johnson (1906-2005), também apresenta uma interpretação dos “brancos” como é o edifício do American Telefone and Telegraph (AT&T – 1982) de New York {ver imagem C.003}, na qual faz uma reinterpretação do passado levado a criar as três partes aplicadas no passado: o embasamento, o corpo, e a coroação.

“Na arquitetura, isso levou a um enfoque igualmente insistente do significado: é importante que a questão não fosse analisar como se produzia o importante, mais sim investir o arquiteto da responsabilidade de criar edifícios que irradiassem significado.” (Ghirardo, 2009:32)

C.007 – Linked Hybrid (2003-2008) Pequim, China – Steven Holl.
Fonte: Sunrisemusics.


Reflexões e considerações finais.

Consideramos importante que a arquitetura tenha significado, mais que possa ser explicado nas teorias da arquitetura, mais esse significado possa estar vinculado nas realidades atuais das pessoas, das suas próprias necessidades, é-claro pensar de modo pluralista.
Pensamos que através da nossa história do urbanismo, espaços públicos, como praças, áreas livres, espaços de uso cultural tem levado a uma boa convivência das pessoas que frequentam e que se servem destes espaços, que são tão importantes para a vida saudável das cidades.

Gostaria antes de terminar nosso ensaio, em explicar nosso pensamento sobre a arquitetura e o urbanismo contemporâneo, mais ao nível de reflexão que uma explicação sobre estes dois últimos pontos, sobre a questão sobre a arquitetura hibrida, e a questão sobre os edifícios que tenham sustentabilidade.

A primeira tem relação com os edifícios híbridos, exemplo claro da obra de Steven Holl no projeto Linked Hybrid (2003-2008) em Pequim na China {ver imagem C.007}, uma ideia que vem tomando incremento e se configura como “ideal”, é que vem se aplicando nestes últimos tempos do século XXI, se analisamos em forma profunda e perspicaz.
Como exemplo concreto do que vem acontecendo com os recentes trabalhos da Prefeita de Paris refeita de Paris Anne Hidalgo, quando convoca em 2015 para o concurso de 23 espaços púbicos que são de propriedade da prefeitura parisiense, que tem como conceito “densidade, diversidade, energia e resiliência”, onde o fazer de novo ou de uma maneira diferente. Então, as propostas apresentadas tem uma comutação com as comunidades que fazem parte da vida destes edifícios. Não existe um edifício que seja isolado, para um uso especifico. Existem sim vários usos nestes edifícios, uma hibridez que está presente em todo momento. Penso que isto sim é contemporâneo.

A segunda está relacionada com a questão da “sustentabilidade”, não temos duvida que com a chegada do processo da sustentabilidade, no sentido amplo da palavra “susteniere”, os assuntos mudarem, talvez como uma maneira de proteger o ambiente, do menos consumo de energia, e das formas de viver, mais harmônica com as necessidades atuais.

Como exemplo pode citar: “... otimizando da capacidade funcional da habitação, transferindo, para um segundo momento, a avalição dos custos; especificação dos materiais de construção alinhados com os princípios da sustentabilidade, priorizando aqueles materiais com o menor impacto ambiental...” (Romero, 2009:479).

Não temos duvida que os pensamentos contemporâneos estejam ligados aos princípios da palavra “sustiniere”, pensar e atuar de forma diferente não e concedente com a realidade contemporânea, valorizar e incrementar as necessidades das pessoas que protejam e valorizem “a vida como um todo”.
Por ultimo, pensar em forma interdisciplinar, já é uma constante na vida das pessoas, temos convicção que os possíveis caminhos estejam relacionados com: a hibridez, a interatividade, a humanização, a inclusão, o empreendedorismo, é sem duvida a sustentabilidade, desta forma fazem parte da vida contemporâneas do século XXI.

Goiânia, 8 de novembro de 2016.

Arq. MSc. Jorge Villavisencio.


Bibliografia

CANTON, Katia; Do Moderno ao Contemporâneo, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2009.

MONTANER, Josep Maria; A modernidade superada: ensaios sobre arquitetura contemporânea, Editora Gustavo Gili, São Paulo, 2012.

TIETZ, Jürgen; Historia da arquitetura contemporânea, Editora HF. Ullmann, Tandem Verlag – GmbH, 2008.

GHIRARDO, Diane; Arquitetura contemporânea: uma história concisa, Ed. Martins Fontes, São Paulo, 2009.

ROMERO, Marta Adriana Bustos; Reabilitação Ambiental: Sustentável Arquitetônica e Urbanística, Editado FAU/UNB, Brasília, 2009.

FLOKER, Michael; Manual do hedonista: dominando a esquecida arte do prazer, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2007.


martes, 1 de noviembre de 2016

Propostas e ideias na arquitetura contemporânea na bacia amazónica no Perú – 15° Bienal de Venécia 2016.

Propostas e ideias na arquitetura contemporânea na bacia amazónica no Perú – 15° Bienal de Venécia 2016.
Jorge Villavisencio.

Com a recente publicação dos resultados da 15° Bienal de Arquitetura em Venécia 2016, vimos que forem outorgados prêmios a vários arquitetos e escritórios de arquitetura com propostas que podem fazer a diferença na pratica contemporânea de fazer arquitetura e urbanismo.

S.001 – Cidade Capital de Iquitos, Departamento de Loreto – vista do Rio Amazonas.
Fonte: Jorge Villavisencio (2014)

Não temos duvida que a bacia do Rio Amazonas tenha despertado interesse ao mundo todo, tantas vezes colocado na Agenda 21, como efeito que no dia 22 de dezembro de 1989 que convoca a Assembleia das Nações Unida – ONU, para reverter os efeitos que vem sendo instalados nessa região. De esta forma criar novas estratégias que “revertessem os efeitos da degradação ambiental”, com os esforços nacionais e internacionais para promover o desenvolvimento sustentável e ambientalmente saudável em todos estes países.

S.002 – Cidade de Iquitos – vista do Rio Amazonas.
Fonte: Jorge Villavisencio (2014)

Em primeiro lugar através de tantas décadas a bacia do Amazonas vem sendo degradadas, é o mal já está feito, penso que o único que nos resta é contemporizar esse espaço maltratado. Teria que passar muitas outras décadas até séculos para que se instale o que a natureza cria. Em segundo lugar a bacia amazônica está composta por Brasil, Colômbia, Venezuela e Perú, estes vínculos tem que estar mais arraigados para que se produzam novas estratégias e consensos destes países em querer fazer melhor ou de uma maneira diferente. O conceito de “sustentabilidade” se dá em todos os âmbitos sejam estes ambientais, é principalmente na esfera socioeconômica.

S.003 – Espaço ambiental típico do lugar.
Fonte: Jorge Villavisencio (2014)

Também no mês de junho de 2012 se realizo a Conferencia sobre das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento na cidade de Rio de Janeiro. O RIO+20 que na realidade é uma readequação da partitura do que foi visto na Agenda 21 que foi realizada na mesma cidade no dia 14 de junho de 1992. Sem duvida tendo transcorrido 20 anos, o momento e as realidades em termo globais são diferentes, mais considero que os temas apresentados – em termos de síntese foi uma revisão das metas propostas na Agenda 21 de 1992.

Como indicamos acima, não podemos só estar revisando partituras, protocolos e readequações do que vem acontecendo no amazonas.

Segundo a Constituição Federal do Brasil de 1988 indica claramente no seu Art. 225 – “Todos tem direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do solo e essencialmente sadia a qualidade de vida...” (Constituição Federal do Brasil – 1988).

S.004 – Bairro de Belém, Iquitos – temporada de baixa do Rio Amazonas. Reparem as palafitas.
Fonte: Jorge Villavisencio (2014)

Para isto na região do Amazonas na parte do ocidental, especificamente no Perú, a que é denominada a “Região da Selva”, é com a graça do Premio da Bienal de Venécia 2016, que na realidade foi o Segundo Lugar (Leão de Prata) para o escritório peruano de arquitetura Crousse & Barclay, com a proposta de fazer escolas nessa região. Tema principal deste ensaio que temos titulado de: “Propostas e ideias na arquitetura contemporânea na bacia amazónica no Perú – 15° Bienal de Venécia 2016”.

S.005 – Caras de etnia “Bora” feito de forma artesanal por Fernando Yahuarcani (origem Bora).
Fonte: Jorge Villavisencio (2014)

Consideramos importante esta citação: “... é preciso definir certos conceitos afins que são utilizados para caracterizar a arquitetura bem relacionada com o meio ambiente. Poderíamos dizer que a arquitetura bioclimática é aquela que tradicionalmente construía com materiais do local e se integrava com seu entorno imediato, inspirando-se na arquitetura vernacular”. (Montaner {1}, 2016:113).

Antes de dar inicio a nossas considerações sobre a descrição e pensamentos (reflexões) do que consideramos que é um grande tema, temos que fazer algumas considerações iniciais. Primeiro temos que tomar consciência que o problema não só radica em “proteção do meio ambiente”, temos que ter outras propostas “criativas” para que tenha sustentabilidade em todos os âmbitos.

S.006 – A técnica construtiva com materiais do lugar.
Fonte: Jorge Villavisencio (2014)

Em segundo lugar, consideramos que no contexto geral dessa região do Amazonas, pouco se tem feito para o desenvolvimento sustentável donde habitam esses seres humanos, que praticamente estão esquecidos, é que só se dedicam a proteção ineficiente do meio ambiente e das culturas e condutas desse povo esquecido mais vitorioso nas formas de viver. Terceiro o mundo todo está atento ao que acontece na bacia do amazonas, seja esta porque é um pulmão da humanidade, é pela quantidade de “agua” que tem em esta parte do continente, que como sabemos cada vez se tornará mais escassa a agua pela crescente população que tem o mundo.

S.007 – Inauguração da primeira escola.
Fonte: MINEDU. (2016)

Em quarto lugar, temos certeza que os programas educacionais na construção de escolas em todos os níveis têm levado melhoras a população em especial ao povo com dificuldades socioeconômicas para o desenvolvimento correto e sustentável em diferentes lugares, educação e cultura, pensamos que é sinônimo de desenvolvimento, a história nos ensina que países que são desenvolvidos aplicarem massivamente em “educação e cultura”, é algo irrefutável que faz parte da consciência dos povos, mais nesta parte da bacia do amazonas, parecesse que é um mundo esquecido. Além-claro do pouco interesse de politicas publicas que permitam dar continuidade a este tipo de projetos.

S.008 – Forma de construção típica com materiais do lugar.
Fonte: Jorge Villavisencio (2014)


O lugar.

Sabe-se que atinge o espaço regional e territorial no Perú, vários Departamento estão involucrados que são: Loreto, Ucayali, Junín, Madre de Dios e San Martín, é uma região muito extensa, é tem muito a fazer.

S.009 – Vista externa da escola proposta – arquitetos Crousse & Barclay.
Fonte: Bienales de Arquitectura. (2016)

“O território amazônico do Perú se define na Lei 27037 – Lei de promoção da inversão na Amazônia peruana, se indica 61,09% da superfície do território nacional (Perú), com um total de 785.201,74 km2, que pode ser comparada com superfície total do Chile com 756.096,00 km2. Segundo o Censo Nacional de Infraestrutura Educativa 2013 mais do 50% das escolas devem renovar-se ou precisam de um esforço estrutural: Além que não existe informação correta do estado das mais de 4,000 escolas... O PLAN SELVA é um sistema flexível e alternativo para atender as zonas rurais que não contam com saneamento físico legal,... se pode acelerar os processo e vencer a burocracia. E assim que contém um catálogos de módulos que podem ser feitos de acordo com os requerimentos pedagógicos é ser transladados de forma rápida. No ano 2015 o Plan Selva se inicio a implementação de um sistema em 10 instituições educativas, que no ano de 2016 possa criar a interversão de 69 escolas”. (15° Bienal de Arquitetura em Venécia – 2016).

S.010 – Vista interna da escola proposta – arquitetos Crousse & Barclay.
Fonte: Bienales de Arquitectura. (2016)


O projeto.

Através do Ministério de Educação - MINEDU do Perú, se realiza como estratégia na criação do plano de desenvolvimento chamado de “PLAN SELVA” corresponde ao Programa Nacional de Infraestrutura Educativa (PRONIED), que basicamente se trata de contribuir para a realização de construção e reabilitação de varias escolas na região.
A proposta pelo escritório de arquitetura Crousse & Barclay cujos proprietários são Jean Pierre Crousse e Sandra Barclay tem denominado de “Nuestro Frente Amazónico”, penso que é uma referencia ao lugar. O concurso da 15° Bienal de Venécia 2016, tiverem mais de 60 escritórios de arquitetura.

O projeto apresentado ao Ministério de Educação do Perú pelo escritório de arquitetura Crousse & Barclay onde indicam: “Os módulos se compõem por estruturas de aço e madeira, o que facilita seu translado nas zonas geográficas de difícil acesso. Podem ser armados segundo suas necessidades, pode-se substituir uma escola completa ou melhorar uma parte dela (salas de aula, banheiros, salas de usos múltiplos, cozinha e outros). Os pisos são em módulos elevados para proteger das precipitações das possíveis inundações. Os ambientes têm tetos altos e inclinados para dar sombra e se proteger das intensas chuvas, assim contam com uma ventilação e iluminação em forma adequada”. (MINEDU - 31/05/2016).

S.011 – Escola – arquitetos Crousse & Barclay.
Fonte: Bienales de Arquitectura. (2016)

“As obras incluem a implementação de salas de aulas, área para os docentes, midiateca, sala de usos múltiplos, pátio coberto, banhos, cozinhas melhoradas, assim como mobiliário. Também serão instalados para-raios biodigestores e sistemas de captação de agua pluvial”. (MINEDU - 31/05/2016).

S.012 – Escola – arquitetos Crousse & Barclay.
Fonte: Bienales de Arquitectura. (2016)

Penso da forma que foi dotado o programa arquitetônico, tem muita flexibilidade, é poderíamos pensar que este tipo de obra pode-se implementar em diversas partes da bacia amazônica. É mais estamos pensando que este tipologia de projeto pode tranquilamente ser feita em qualquer parte, claro que cumpram com as caraterísticas deste tipo de espaço amazônico.

“Técnicas e materiais mais avançados, se bem empregados, podem contribuir para tornar a arquitetura mais sustentável”. (Montaner {2}, 2012:163).

Sem duvidas as técnicas construtivas têm colaborado para que a arquitetura se torne mais ágil e dinâmica nas formas de concepção de sua materialidade. Além-claro que este tipo de sistema construtivo de tipologia modular se adapta bem as dificuldades do lugar. Não é fácil chegar a estes lugares pela falta de comunicação do transporte terrestre, também as vias fluviais são de temporada, a mão de obra especializada é escassa ou não tem, assim como a disponibilidade dos materiais que são empregados, a madeira usada tem que ser certificada para que não haja desmatamento. Mais penso que levar educação e cultura a esses espaços quase esquecidos, sem duvida vale a pena a tentativa.


Considerações Finais.

“Agenda 21 – Indicadores: Como exemplos de indicadores de Sustentabilidade poderiam aprontar, em primeiro lugar, por sua expressão, os Indicadores da Agenda 21: um documento consensual, para a qual contribuíam governos e instituições da sociedade civil de 179 países, e que se traduz em ações e conceito de desenvolvimento sustentável”. (Romero; Satteler; 2009:295)

Como bem indica Satteler o documento é consensual, algo já discutido, que tem uma firme decisão dos países que o conformam. Mais o efeito da sustentabilidade se dá em todas as esferas socioeconômicas, é claro, como este tipo de projeto como dos arquitetos Crousse & Barclay levam toda este conceito para estes lugares que fazem parte da bacia amazônica.

S.013 – Bairro de Belém, Iquitos/Perú – temporada de baixa do Rio Amazonas.
Fonte: Jorge Villavisencio (2014)

Para terminar, pensamos que temos demorado muito, em tomar “ações” e não decisões, porque já forem tomadas tanto na ONU, Agenda 21, Rio+20, em fim. O que precisamos é de agir em forma mais rápida, para que estes lugares, espaços esquecidos tenham o mínimo necessário para uma qualidade de vida que seja mais “digna” com as necessidades do povo amazônico. Projetos que levam em forma esmerada cultura, educação e sustentabilidade a arquitetura pode colaborar, é muito, em estar mais presente de forma correta com espacialidade com contemporaneidade, das necessidades que sociedade como um todo solicita.

Goiânia, 1 de novembro de 2016.

Arq. MSc. Jorge Villavisencio.



Bibliografia:

MONTANER, Josep Maria; A condição contemporânea da arquitetura, Editora Gustavo Gili, São Paulo, 2016. {1}

MONTANER, Josep Maria; A modernidade superada: ensaios sobre arquitetura contemporânea, Editora Gustavo Gili, São Paulo, 2012. {2}

ROMERO, Marta Adriana Bustos; Reabilitação Ambiental: Sustentável Arquitetônica e Urbanística, Editado FAU/UNB, Brasília, 2009. – {Miguel Aloysio Satteler, Ph.D - Capitulo 8 pp. 458-517}

Assembleia Geral das Nações Unidas – ONU (1989).

Conferencia das Nações sobre Médio Ambiente e Desenvolvimento, Agenda 21 (1992).

RIO+20 (2012).

Constituição Federal do Brasil – 1988.

15° Bienal de Arquitetura em Venécia (2016):
http://bienalesdearquitectura.es/index.php/es/propuestas-por-paises/6309-peru-plan-selva

El País (17/10/2016):
http://brasil.elpais.com/brasil/2016/10/17/cultura/1476663835_416321.html?id_externo_rsoc=Fb_BR_CM

Ministerio de Educación – MINEDU/Perú: (2015-2016):
http://www.minedu.gob.pe/n/noticia.php?id=38342
http://www.minedu.gob.pe/n/noticia.php?id=38974



jueves, 20 de octubre de 2016

Arquitetura e politicas urbanas contemporâneas na Colômbia.

Arquitetura e politicas urbanas contemporâneas na Colômbia.
Jorge Villavisencio.

Introdução.

Recentemente temos visto que foi laureado com o Premio da Paz 2016 o Presidente da Colômbia Juan Manuel Santos, mais se deve ao tentar “pacificar” a Colômbia. Mais só foi possível a um trabalho muito amplo que começo há mais de duas décadas. Não temos duvidas que as politicas empregadas na sucessão de seus políticos gerarem avance, uma subsequência de ideias, que se tornarem “ideais” para um pais que foi massacrado pelo terrorismo, o narcotráfico, o desgoverno, vindo de interesses particulares em forma singular, e não pluralista como deveria ser feito. Porque devemos entender que as politicas publicas “são de todos” – o que o povo quer – e não de interesses pessoais como sucede nesta parte de continente da américa do sul.

R.001 – Projetos Urbanos Integrados, Medellín (2004)
Fonte: Luis Fernández-Galiano (2010)

A arquitetura e o urbanismo tem ajudado, é muito, a este processo de pacificação, com seus trabalhos nas decisões na maneira projetual, em cidades como Santa Marta, Bogotá, Cali, Medellín, Cartagena, e outros. Mais isto só foi possível, porque pensamos no conceito do “Zeitgeist” (“o espírito da época”.), é-claro ao atendimento e clamor do povo, assim como de projetos pontuais de arquitetos que se tornarem conhecidos internacionalmente como são: Alejandro Echeverri, Felipe Mesa, Giancarlo Mazzanti, Daniel Bermúdez, Daniel Motta, Juan Manuel Peláez, Daniel Bonilla, Simón Vélez, Alejandro Bernal, Camilo Restrepo, e claro do excepcional arquiteto Rogelio Salmona, entre outros.

Alguns projetos urbanos como em Medellín, com seu PIU – Projetos Urbanos Integrados (ver imagem R.001), onde existe uma baixa nos índice socioeconômico, ou como de uma linha mais ecológica na cidade de Santa Marta com muita qualidade no seu desenho que é a Ronda do Rio Sinú (2006), na cidade Montería feito pelos arquitetos Alfredo Villamaría, Carlos Montoya, Julio Parra e Jorge Cortes.

R.002 – Projeto do Coliseu de Medellín (2010) – Felipe Mesa e Giancarlo Mazzanti.
Fonte: Luis Fernández-Galiano (2010)

O lugar – aspectos urbanos.

Colômbia esta localizado na parte norte da américa do sul, com uma população de 47 milhões de habitantes (censo 2016), segundo a Constituição de 1991 conta 32 departamentos e 1 distrito capital que é a cidade de Bogotá. Colômbia é o pais mais terceiro pais mais populoso da américa latina depois de Brasil e México.
A cidade de Bogotá tem uma população de mais de 9 milhões de habitantes (área metropolitana). Colômbia esta banhada pelo Oceano Pacifico e do Mar do Caribe, e se divide entre a parte litorânea, a parte amazônica e da cordilheira dos andes. Tem uma ampla diversidade cultural, o pais dividido entre a costa Atlântica, a zona de Antioqueña, e na zona de Medellín e a savana de Bogotá.

R.003 – Projeto da Biblioteca Virgílio Barco, Bogotá (2002) – Rogelio Salmona.
Fonte: Luis Fernández-Galiano (2010)

Para os que conhecemos a Colômbia é um pais com uma diversidade cultural evocado pelas suas regiões (zonas geográficas), assim como de uma alegria das pessoas (apesar de suas dificuldades socioeconômicas) se sente muito sensível a diversidade das cores de suas vestimentas típicas de suas regiões, mais principalmente pela musica que tipifica a todo o pais que é a “salsa”, esta musica se fez conhecida no mundo todo pela riqueza de seus instrumentos típicos, e pela forma sensual de sua dança.

Como apreciaremos muitos dos conceitos dos trabalhos tanto no lado urbano, como explicamos na introdução aspectos como do PIU ou do Rio Sinú, assim como dos projetos arquitetônicos como dos arquitetos Giancarlo Mazzanti e Felipe Mesa (Plan b) do Coliseu de Medellín (2010) (ver imagem R.002) em Antioquía, ou da Biblioteca Espanha de Mazzanti (ver imagem R.005) onde conceitualmente se toma como partido da própria geografia do lugar, atrelado a uma topografia e das matérias existentes onde forem feitos o seus edifícios.

R.004 – Projeto da Escola Las Mercedes, Medellín (2008) – Juan Manuel Peláez.
Fonte: Luis Fernández-Galiano (2010)

“A acupuntura urbana também foi adotada como metáfora pelo politico e arquiteto brasileiro Jaime Lerner a fim de identificar sua introdução de um eficiente sistema de transporte público na cidade de Curitiba durante seus três mandatos como prefeito de 1971/75, 1979/83 e 1989/92.” (Frampton, 2008:427).

Na citação do arquiteto e historiador da arquitetura moderna Kenneth Frampton, tem uma relação com o que está acontecendo na Colômbia, primeiro por que Frampton tem trabalhado acima da ideia do “regionalismo”, dos lugares, segundo porque em varias partes da Colômbia estão identificados como sistemas de conexos em viabilidade de transporte de massas. Mais também equipamentos urbanos como edifícios de escolas, bibliotecas, centros de cultura, centros de lazer, entre outros, tem contribuído para o desenvolvimento das regiões, pensamos que estes equipamentos (edifícios) públicos enriquecem o cenário urbano.

R.005 – Projeto da Biblioteca España, Medellín – Giancarlo Mazzanti.
Fonte: Luis Fernández-Galiano (2010)

“Desta forma passarem a caracterizar como espaços para conhecer, discutir e criar. Deixó de existir barreiras conceituais entre bibliotecas públicas, e centros de cultura.” (Milanesi, 2003:109).
É correto pensar da maneira como coloca Luís Milanesi, até porque esta tipologia de edificações agrada, ‘e muito, a população de maneira geral.

Dificilmente uma cidade não gosta destes equipamentos urbanos. Alguns teóricos da arquitetura o classificam não só como geradores de cultura e de lazer, mais também como lugares importantes de “convivência”. Desta forma está aderida o conceito de Milanesi, de que esses espaços criam sim uma discussão, penso que como uma linguagem crítica do lugar, das pessoas, da convivência, e possivelmente de algumas soluções geradas pela própria convivência que o espaço público propicia.

“Essa melhora geral dos equipamentos urbanos, acompanhada pela introdução de um sistema de ônibus de alta velocidade, foi recentemente reproduzida em Bogotá, Colômbia, durante sucessivas administrações de Enrique Peñalosa e Anatas Mockus.” (Frampton, 2008:427).

Então, podemos entender que não foi só os edifícios como bibliotecas, escolas, museus e outras edificações (claro que fazem parte do conjunto da obra), mais a decisão de integrar estes edifícios com a cidade, como indica Frampton com um transporte publico de massa.

Os edifícios contemporâneos.

Na arquitetura de suas edificações na Colômbia basicamente nesta nova fase contemporânea se dá em base a uma arquitetura de ordem publica, uma pluralidade que foi conquistando o espaço urbanos em lugares estratégicos ou mais necessitados, desta forma o pais como um todo teve percepções que estes edifícios poderiam sim cambiar a forma de pensar, de como a arquitetura poderia melhorar a todos.

R.006 – Projeto do Orquidário, Medellín – Planb e Jprcr.
Fonte: Luis Fernández-Galiano (2010)

Projetos simples como da Escola Espanha em Medellín de Giancarlo Mazzanti (ver imagem R.005), onde suas formas poliédricas remetem ao paisagem do lugar, estas formas com a boa aceitação da materialidade, faz que este edifício torne-se importante para a cidade.

Também, a obra da Escola das Mercedes em Medellín (Antioquia) de Juan Carlos Peláez (ver imagem R.004), onde na cobertura de sua edificação avistam a paisagem da cidade.
Sem duvida a obra mais publicada foi do Orquidário de Medellín (ver imagem R.006) do Planb de Felipe Mesa e Alejandro Bernal e dos arquitetos da Jprcr de Camilo e Paul Retrepo, onde sua forma modular é muito flexível colaboram em uma unidade que está integrada como o médio ambiente.

R.007 – Projeto da Biblioteca Publica, Villanueva, Casanare – Torres, Piñol, Ramírez & Meza.
Fonte: Luis Fernández-Galiano (2010)

A Biblioteca Pública em Villanueva (ver imagem R.007), em Casanare dos arquitetos Torres, Piñol, Ramires e Carlos Meza, onde na proposta tectônica faz que exista uma boa ventilação natural em seu edifício. A materialidade da obra permite enxergar certa simplicidade, que na nossa opinião é conducente com realidade do lugar.

A Casa Jardim em Cali (ver imagem R.007) de Camilo Garcia e Diego Barajas, que remitem a algo lúdico, não só pela forma do edifício mais sim pela boa escola dos materiais, algo que alude a uma porção de borboletas, que é muito típico e natural no tropico.

R.008 – Projeto da Casa Jardim, Cali – Camilo Garcia e Diego Barajas.
Fonte: Luis Fernández-Galiano (2010)

Para terminar consideramos de muito bom tom o belo texto de Silvia Arango, onde indica que todo foi possível pela integração de vários grupos de arquitetos de diferentes gerações, as quais a denomina de “quatro gerações” de estes últimos anos, a de Rogerio Salmona e Enrique Triani. Uma geração mais madura encabeçada por Daniel Bermúdes e Sergio Trujillo, a outra geração dos arquitetos Felipe Uribe de Bedout, Giancarlo Mazzanti e Daniel Bonilla, e por ultimo a geração de Felipe Mesa, Juan Manuel Peláez e Simón Hosie, onde se agrupam com nomes criados nos seus escritórios como Planb, Opus, Ctgr e MGP.

Consideramos importante o indicado por Silvia Arango, porque apesar das diferentes grupos de gerações diferentes puderem dar continuidade as novas propostas espaciais de uma arquitetura contemporânea, além- claro da bondade popular do povo colombiano assim como das administrações publicas que permitirem ter esse cambio.


Goiânia, 20 de outubro de 2016.

Arq. MSc. Jorge Villavisencio.



Bibliografia

MONTANER, Josep; A condição contemporânea da arquitetura, Editora Gustavo Gili, São Paulo, 2016.

TIETZ, Jürgen; Historia da arquitetura contemporânea, Editora HF. Ullmann, Tandem Verlag – GmbH, 2008.

FRAMPTON, Kenneth; Arquitetura Moderna {1997}, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2008.

MILANESI, Luís; A Casa da Invenção, Editora Ateliê, Cotia, São Paulo, 2003.

FERNÁNDEZ-GALIANO, Luis (coordinador); Atlas del siglo XXI – América, Ed. Fundación BBVA, Bilbao, 2010. (Silvia Arango pg. 161-191)

ZEVI, Bruno; Saber ver a arquitetura, Ed. Martins Fontes, São Paulo, 2009.

EDWARS, Brian; Guía Básica de Sostenibilidad, Editora Gustavo Gili, Barcelona, 2008.