martes, 1 de agosto de 2017

Ensaio: A arte da fotografia; interpretações, sensações e inspirações.
Jorge Villavisencio.

Quando pensamos sobre uma determinada fotografia, o primeiro que se nos vem na mente “que significado tem isto”, pode ser uma foto familiar, uma paisagem, um edifício, uma cidade, entidades vivas ou mortas, um sim fim de objetos, etc. Mas tem algo a mais que pode ser interpretado de outros modos. Que pode levar a outras sensações, inclusive a novas inspirações que são sensíveis a cada um ou ao comum das pessoas.

Mas sem duvida registra aquele momento, que num futuro marca a historia de um determinado aspecto que pode ser num futuro ou presente como produto de uma investigação. O registro desse momento pode ser importante para alguém.

A observação aguçada se torna determinante para o entendimento do que a fotografia quer dizer. Para o escritor e filosofo francês Denis Diderot (1713-1784) do tempo do iluminismo do século XVIII explica:

“Comtemplar a massa do momento tumultuoso: a energia de cada individuo desenvolve toda sua violência e como ninguém tem precisamente seu mesmo grau, passa assim como a folha de um arvore: nenhuma tenha o mesmo verde; então ninguém tem a mesma ação ou a mesma postura... o artista conserve a lei das energias e seus interesses... sua composição será verdadeira na sua totalidade...” (Diderot, {1766} 1998:38).

Precisamente o registo de aquele momento, não só marca aquele tempo, mais também aquela ação que se torna impar de aquele instante. Para o notável fotografo mineiro Sebastião Salgado (1994), a fotografia é só um segundo que resume toda a vida dele, mas a fotografia é uma forma de vida, para isto se torna importante se organizar, é dar a importância ao que seja pertinente.

“... deve ser compreendido como um modelo de funcionamento, uma maneira de definir relações do poder com a vida cotidiana dos homens.” (Foucault, 2000:237).

Na vida contemporânea é com o uso das novas tecnologias como ferramentas de comunicação e de pesquisa de informação, se tornam cada vez mais comuns seu uso, nos seus smartphones, tablets, notebook, etc. Pareceria que a maquina fotográfica se torna obsoleta, mas devemos deixar claro que o fotografo profissional ainda faz uso dessas maquinas, cada vez mais com mais recursos, instrumental necessário para o desenvolvimento profissional da fotografia.
Que seria sem o descobrimento da fotografia atribuída em 1826 ao francês Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833).

Mas penso que a citação de Foucault se torna pertinente, com relação à fotografia. Quem não parou um determinado momento da vida para registrar aquele instante com alguma fotografia, é-claro registra a vida cotidiana das pessoas (ou outros), como também pode gerar essa fotografia como uma relação de poder. Cabe a cada um ter sua interpretação do que quer dizer ou gerar um determinado estimulo, seja este de forma positiva ou negativa.

Também na interpretação de determinada fotografia, pode causar um bom estimulo a criatividade de algum assunto que seja pertinente para aquele momento, mas pode também gerar um desgaste emocional de forma negativa. Penso que como é arte, depende muito do estado anímico de quem está fotografando, como também quem está interpretando.

“A evolução da civilização ao margem pertencemos a algo, de uma amplitude a um poder que transcende o que podamos fazer individualmente e como grupo”.
(Eladio Dieste; in Gutiérrez, 1998:41)

“A ideologia de uma interpretação da realidade e, como tal, é um recorte parcial dela. Quando atuamos desde uma ideologia e desde uma realidade às vezes equivocamos os caminhos, para achar respostas acertadas”.
(Gutiérrez, 1998:149)

Vamos a refletir sobre estas duas citações, a primeira do arquiteto moderno de Uruguai Eladio Dieste (1917-2000), dificilmente na atualidade podemos fazer todo de forma individual, hoje trabalhamos em equipe, exemplos claros de fotógrafos especializados, neste caso em arquitetura como: o fotografo Tcheco Michal Grosman, especializado em arquitetura de interiores e exteriores em fotos de noite; para o português João Morgado, em fotografias aéreas de arquitetura; o francês Romain Matteï, especializado em fotografias de arquitetura, vida selvagem, street viagens, experimental, e macrofotografia; o fotografo húngaro Adam Dobrovits, que de forma criativa utiliza casamentos, retratos, estúdio, natureza, fotos abstratas, surreais, macro, rural, urbanas e fotos de arquitetura; o polonês Michal Karcz, que tem uma paixão por pintura e fotografia, paixão que é o principal segredo por trás de suas fotos fascinantes e únicas; o fotografo alemão Matthias Haker, que cria interesse em fotografia de arquitetura, viagens, prédios abandonados e paisagens; para o brasileiro Paul Clemence, interessado em arte, design e arquitetura, o que permite que ele capture suas fotos de arquitetura em especial de estruturas, entre outros.

A segunda citação está relacionada com os primeiros caminhos, que nem sempre vamos a levar a diante, mais bem tomamos como primeiras ideias (experiências), que no futuro possam tornar (depois de amadurecidas e reflexionadas) em ideais. Estes ideais, penso que são mais inteligentes, porque em primeiro lugar levam a interpretações que são mais sensíveis, pelo menos de aquele tempo. Colocamos como exemplo o trabalho do fotografo Sebastião Salgado, que depois de uma experiência na África, e das formas de vida em aquele lugar, traz em suas imagens muita reflexão da realidade, levando ao espectador a uma reflexão mais profunda das necessidades sociais da vida do ser humano.

“... em muitos casos, a reflexão sobre os meios pelos próprios meios é de origem mesmo da história... de como funciona o processo...” (Johnson, 2003:121)

A fotografia tem vários recursos técnicos que se aplicam na maneira de expor o trabalho, estas podem ser fotos em preto e branco (Sebastião Salgado utiliza essa forma nas suas fotos), ou a color, estas imagens podem estar em movimento, de modo panorâmico ou de detalhe, no primeiro plano - algo que possa sugerir maior importância, ponto de fuga – que de continuidade espacial, tonalidade – que possam indagar com mais ou menos força na imagem, de vista panorâmica – utilizando lentes de grande angular, uma infinidade de recursos que tornam importantes para a expressão da foto. Muitos fotógrafos especializados, já tem como forma ou estilo fotográfico, é claro são reconhecidos por suas fotografias como temos expressado anteriormente (fotógrafos especializados em arquitetura e paisagem).

“Mas, é obvio que a probabilidade de achar alguma coisa em determinado lugar, depende tanto da probabilidade de presença da coisa no seu lugar, como a sensibilidade do instrumento da busca e habilidade do seu manejo”. (Bunge, 2000:89)

Para concluir nosso ensaio, temos tomado como referencia final a citação do filosofo e humanista argentino Mario Bunge (1919), e dizer, para que de certo a imagem, “tem que estar no lugar certo, no momento certo” (frase comum de nos simples mortais), penso que nem sempre é fácil, muito tempo de dedicação e experiência colabora com o que quer dizer determinada fotografia. Mas sem duvida se captada a fotografia tem uma resposta imediata ao comum das pessoas, que se sensibilizam, é-claro criam expectativas para o observador, é, por conseguinte criam-se sensações que podem ter inspirações.

Goiânia, 1 de agosto de 2017.
Arq. MSc. Jorge Villavisencio.



Bibliografia:

DIDEROT, Denis; Pensamientos sueltos sobre la pintura {1766}, Editorial Tecnos S.A., Madrid, 1988.

FOUCAULT, Michel; Vigilar y castigar, Editora Siglo XXI, México, 2009.

GUTIÉRREZ, Ramón; Arquitectura Latinoamericana en el siglo XX, Lunwerg Editores, Barcelona, 1998.

JOHNSON, Steven; Sistemas Emergentes: o que tem em comum as formigas, neuromas, cidades e software, Editora Fondo de Cultura Economica, México, 2003.

BUNGE, Mario; Epistemologia, Editora Siglo XXI, Barcelona, 2004.


miércoles, 26 de julio de 2017

Indagações sobre a metafísica na arte de projetar.
Jorge Villavisencio.

Segundo Maria Aparecida Martins no seu livro “A Nova Metafísica” alguns termos e visões está mudando na maneira de perceber a vida. Conceitos como reorganizar, redimensionar, redirecionar, transformar, modificar ficam como ferramentas de percepção nos novos modos de produção e visão do mundo. Desta maneira pensamos que podem ajudar a ter novos ideais e ideias que no auxiliam na arte de projetar.

Quando definimos a palavra metafísica como substantivo feminino, existem a priori dos conceitos. O primeiro no sentido aristotélico: subdivisão fundamental da filosofia, caracterizada pela investigação das realidades que transcendem a experiência sensível, capaz de fornecer um fundamento a todas as ciências particulares, por meio da reflexão a respeito da natureza primacial do ser; filosofia primeira.

No segundo sentido do filosofo prussiano Immanuel Kant (1724-1804) explica: estudo das formas ou leis constitutivas da razão, fundamento de toda especulação a respeito de realidades suprassensíveis (a totalidade cósmica, Deus ou a alma humana), e fonte de princípios gerais para o conhecimento empírico.

F.01 – Casa Batllo, Barcelona – Antoni Gaudí.
Fonte: Acervo Antoni Gaudí.

Vejamos no primeiro conceito (Aristóteles) que precede de uma “experiência sensível” da natureza do ser. Pensamos que este esta relacionado com a “energia” que cria os átomos seja animal, vegetal e mineral. Porque entendemos que o átomo é a que compõe a matéria. A pesar que o significado do átomo que significa em grego que se diz que é indivisível. Mais hoje sabemos que não é assim, este é divisível em prótons, nêutrons e elétrons. Exemplo caro que: dois átomos de hidrogeno + um átomo de oxigeno é igual a uma molécula de agua.

Desta forma: “com 7 notas musicais, quantas músicas já forem compostas? ; com 26 letras do alfabeto, quantas palavras já foram formadas?; com mais de uma centena de átomos, quantos arranjos (substancias) podem ser feitos?”. (Martins; 2009:9)

Podemos pensar que o significado de composição de direcionar e transformar está presente em todo momento, a natureza viva, que através do tempo muitos arquitetos tem se inspirado para tomar partido arquitetônicas de seus conceitos extraídos do organicismo.

F.02 – Casa Planells, Barcelona – Jose Maria Jujol.
Fonte: Pinterest.

“Embora o organismo tenha surgido nas primeiras décadas do século XX com obras de Antoni Gaudí, Josep Maria Jujol, Frank Lloyd Wright ou Alvar Aalto tenha sido definido com base nas interpretações de Bruno Zevi em mediados do século XX, sua aceitação perdura na atualidade”. (Montaner; 2016:28)

Si bem a “energia” que nos precede e vincula com a natureza como o explica Montaner sua aceitação ainda perdura. Essa força do significado “energia” da palavra grega nos invade com uma potencia, cria atividade, nós da capacidade de realizar um determinado trabalho (projeto) com certa eficácia. Agora o fato de poder transformar esses pensamentos que vem da natureza pode alterar nossos destinos na maneira de viver. Sem duvida a cidade e seus edifícios alteram nossa forma de pensar e de viver.

F.03 – Guggenheim Museum, New York – Frank Lloyd Wright.
Fonte: Associated Press.

“A palavra - Universo - quer dizer isso: uno diversificada, uma mesma energia, porém transformada. E a ciência que estuda a transformações da energia Física, e apropria energia Física também transforma seus conceitos”. (Martins; 2009:13)

F.04 – Casa da Cultura – Alvar Aalto.
Fonte: Flickr user Wotjrk.

A diversidade das cidades e edifícios deve ser de maneira ampla, sempre atendendo o que a população precisa. Que como sabemos nem sempre é atendida a pleno. A transformação de essa energia física indica e pensada de maneira metafórica vincula e transforma a novos conceitos contemporâneos, como exemplos claros na maneira de ver a arquitetura com pensamentos (conceitos) arquitetônicos bioclimáticos, ecológicos, sustentáveis e holísticos.

F.05 – Escola, Bangladesh – Anna Heringer.
Fonte: Kurt Hoebest.

Mas isto não é só de agora si colocamos de maneira ecológica e de suas transformações pensadas no século XIX fundadas por Ernst Haeckel e Charles Darwin, e de pensamento contemporâneo da arquitetura bioclimática de Anna Heringer em Bangladesh, ou de tecnologia socializada de Shigeru Ban.

F.06 – Museu de Arte, Aspen – Shigeru Ban.
Fonte: ArchDaily Brasil.

A segunda parte está relacionada com o pensamento kantiano das formas constitutivas da razão, e da própria especulação, elementos que propiciam o conhecimento empírico do cosmos ou da alma humana. Pensamos que este assunto deve tomar a devida atenção do significado do ser. Tarefa que não e fácil explicar.

“O homem é um ser energético manifestando-se em vários níveis. Se ele tem matéria (corpo físico), consequentemente tem energia. Você não se esqueceu de que a matéria é feita de átomos é os átomos são energia...” (Martins; 2009:19).

Mas o homem tem lados que fazem parte de seu ser: o espiritual (relacionado com Deus), o lado mental, o astral (relacionado com o cosmos), o etérico e o físico. Mas tudo isto de uma maneira do “todo junto”. Pareceria que pensamos todo ao mesmo tempo.

F.07 – Centro Cultural Oscar Niemeyer (2006), Goiânia – Oscar Niemeyer.
Fonte: Divulgação Ascom.

Um dos assuntos que agregam valor (como estratégia) na maneira de projetar edifícios e cidades é de tomar partido todo ao mesmo tempo: o lugar, o programa, a estrutura, a circulação, o volume, a materialidade e a espacialidade. Mas sem duvida cada parte tem que ser analisada com o devido cuidado. Se não se corre risco de tomar um partido sem fundamento. O fundamento se da com o aporte analítico das condicionantes que se nos oferecem.

F.08 – Cidade da Musica (2014), Rio de Janeiro – Arq. Christian de Portzamparc.
Fonte: Mais Arquitetura.

Como exemplo tomaremos os edifícios de ordem cultural: “Pelos caminhos da reflexão, fundamentos na observação de diversos centros e suas programações, supõe-se que eles se enquadram na Cultura de sustentação, destinando-se a um público que possa ter condições mínimas de aproveitamento de suas oferendas, dentro de aquela idéia de – bem possuído. Neste sentido, os espaços culturais, mesmos construídos para divulgar cultura...” (Milanesi, 2003:163).

F.09 – Museu Iberê Camargo (2003), Porto Alegre – Arq. Álvaro Siza.
Fonte: Vitruvius.

Tem edifícios de ordem cultural de maneira contemporânea que dão reflexo imediato e significado aos lugares onde estão inseridos os edifícios dentro da cidade. Aqui alguns exemplos de projetos contemporâneos, como do: Centro Cultural Oscar Niemeyer – Goiânia (2006) – Arq. Oscar Niemeyer, que não só levam espaços culturais, mais também áreas de convivência e de lazer; Cidade da Musica – Rio de Janeiro (2014) – Arq. Christian de Portzamparc, que agrega uma nova ordem ao espaço urbano e de outra maneira de ver a cidade; do belo projeto do Museu Iberê Camargo – Porto Alegre (2003) – Arq. Álvaro Siza, em que se apropria do espaço urbano de expetativas e de expectação como modelo de vinculo espacial; ou do projeto moderno do MASP– São Paulo (1968) – Arq. Lina Bo Bardi, que leva a arte como Museu, fica hoje como um ícone de manifestações populares em São Paulo.

“Uma critica moderna, viva e social e intelectualmente útil, ousada, não serve por isso, apenas para preparar para o prazer estético das obras históricas; serve também sobre tudo para colocar o ambiente social em que vivemos, dos espaços urbanos e arquitetônicos dentro dos quais se passa a maior parte dos nossos dias, a fim de que os reconheçamos – saibamos vê-los”. (Zevi, 2009:200).

F.10 – MASP (1968), Porto São Paulo – Arq. Lina Bo Bardi.
Fonte: Tempo Integral.

Para terminar, gostaríamos de colocar esta citação: “Existe uma conexão pensamento-realidade, muito sutil, mas muito forte. Você esta recordando que, quanto mais sutil a energia, mais forte ela é”. (Martins; 2009:47).


Goiânia, 26 de julho de 2017.
Arq. MSc. Jorge Villavisencio.


Bibliografia:

MARTINS, Maria Aparecida; A Nova Metafísica: a visão que temos nós mesmos está mudando, Centro de Estudos Vida & Consciência Editora, São Paulo, 2009.

MONTANER, Josep Maria; A condição contemporânea da arquitetura, Editora Gustavo Gili, São Paulo, 2006.

MILANESI, Luis; A Casa da Invenção, Ateliê Editora, Cotia, São Paulo, 2003.

ZEVI, Bruno; Saber ver a arquitetura, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2009.


miércoles, 22 de febrero de 2017

Aportes nas percepções urbanas de Gordon Cullen.

Aportes nas percepções urbanas de Gordon Cullen.
Jorge Villavisencio.

Si bem é certo o livro Paisagem Urbana (Concise Townscape) de Gordon Cullen (1914-1994) é de 1971, mais chega ao Brasil (versão em português) no ano de 1983 cuja tradução está a cargo de Isabel Correia e Carlos de Macedo. Penso que nesta citação pode resumir o espírito da proposta:

“Efetivamente, uma cidade é algo mais do que o bem-estar e de facilidades que leva a maioria das pessoas a preferem – independentemente de outras razões – viver em comunidade a viverem isoladas”. (Cullen, 1983:9)

Sem duvida a cidade é de viver em comunidade, a construção da mesma são as mesmas pessoas, onde habitam nos seus edifícios. “A arte de relacionamento”. (ver Imagem 02, 03 e 07)

01 – Curitiba – Museu (do Olho) Oscar Niemeyer – As sensações do espaço urbano.
Fonte: Jorge Villavisencio (2013)

Explica no seu livro que há três aspectos a considerar: a óptica, o local e o conteúdo.
A primeira trata de como transita o transeunte, é caro da visão de sucessão de surpresas, como visão serial, como imagem existente e imagem emergente. A segunda define a pessoas na noção de espaço e das sensações de espaços abertos e espaços fechados. Por ultimo a terceira com a própria constituição do espaço, más adverte que há uma grande falta de sensibilidade na construção de cidades.

“A primeira coisa a fazer é popularizar o mais possível a Arte do Meio-Ambiente, partindo do principio que uma maior participação emocional das pessoas conduzirá necessariamente ao aperfeiçoamento...”. (Cullen, 1983:17)

02 – Centro Histórico de Curitiba – O dialogo com a Paisagem Urbana.
Fonte: Jorge Villavisencio (2013)

Pensamos que a participação das pessoas podem criar novas fontes e necessidades, claro vinculadas ao meio-ambiente (ver imagem 03, 05 e 08), a construção da mesma depende do quadro de dialogo que as pessoas produzam, ouvir é muito importante, para poder entender as próprias necessidades da população. Indica: “Todavia o objetivo fundamental dos urbanistas continua ser a comunicação com o público, não entanto pela via democrática, como pela via emocional”. (Cullen, 1983:18)

Na visão serial o percurso revela uma sucessão de pontos de vista, é essas saliências e reentrâncias cria uma terceira dimensão. Assim como os desníveis os elementos de separação de transparência de visão serial. (ver imagem 01 e 04)

Sem duvida tanto nas caraterísticas urbanas como na arquitetura de edifícios a “apropriação do espaço” cria circunstancias de aderência com a visão de espaço, muitas vezes enunciadas na arquitetura moderna nos CIAM de 1933, e do próprio Lucio Costa. Não poderias projetar nada de maneira correta sem conhecer com profundidade as condicionantes que norteiam maneira projetual.

03 – Centro Histórico de Belo Horizonte – Espaços Públicos de convivência.
Fonte: Jorge Villavisencio (2012)

No território ocupado – “... abrigo, conveniência e um ambiente aprazível são a causa mais frequente da apropriação do espaço” (Cullen, 1983:25). Más advertem que o movimento das pessoas que transitam nas cidades.

Consideramos que um dos pontos importantes se dá no compartimento dos edifícios com a cidade, como território ocupado pelo homem. Nestas satisfazem tanto suas necessidades sócias como comerciais. “O homem não bastam às galerias de pintura: eles necessitam de emoção, do dramatismo que é possível fazer surgir do céu...”. (Cullen, 1983:30)

Diversas vezes nos escritos do emérito arquiteto Oscar Niemeyer, cita que a arquitetura tem que “emocionar”, pensamos que desta forma cria novas expectativas de visão de futuro, ver imagem embaixo 04.

04 – Centro de Belo Horizonte – O movimento das pessoas.
Fonte: Jorge Villavisencio (2012)

Diversas vezes Cullen explica sobre a questão do “Aqui e Além”, na nossa maneira de ver o “aqui” é algo conhecido ou de mais fácil reconhecimento, mais a questão do “além” vai como meta-pensamentos que pode ir ao desconhecido, para poder conhecer. “... sensação do Além é a qualidade, de certo modo lírica, de algo que está ao mesmo tempo presente e sempre fora do nosso alcance...” (Cullen, 1983:36). Más indica que o Aqui é algo conhecido, é também do Além e também conhecido exemplos claros é nas busca deles como: focalização, desníveis, perspectivas, estreitamentos, delimitação, etc. Na questão de “perspectiva grandiosa explica: que podem tirar partido do Aqui e do Além” (Cullen, 1983:43), claro como perspectiva.

Também, na colocação de Cullen na questão de “flutuação” numa cidade como local habitado a disposição de espaços onde criam movimento das pessoas cria de fato emoções. Más ao ser delimitado um reage como algo estático (ver imagem 01 e 04), uma cenário que diferente ao percurso do exterior com o interior. Em que define estou Aqui, estou fora. Penso que o interessante seria que o edifício “comunique” ao convite de conhecer, de participar da vida ativa da cidade, penso que poderíamos definir como o espaço vazio ou de espaço de convivência, algo que este relacionado do exterior-interior, como passagem ou percurso de transição. Desta forma Cullen cria aquela “expectativa – Aqui e do Além em que o primeiro é conhecido, más não o segundo do Além é desconhecido”. (Cullen, 1983:51)

05 – Belém – Estação das Docas – A história como resgate da identidade urbana.
Fonte: Jorge Villavisencio (2011)

A definição de Cullen no aspecto do espaço urbano, como categoria: sejam metrópole, cidade, arcádia, parque, zona industrial, zona rural, e solo virgem. Más consideramos, que hoje estas categorias forem acrescentando (lembrando que originalmente seus escritos são de 1971) e tem transcorrido mais 40 anos. Nas possíveis teorias podem indicar que existem: megalópole como Tóquio, Nova York, São Paulo, México, etc. Agora megacidade ou cidade global como define Saskia Sassen como Londres, Sidnei, Hong Kong, Dubai, Pequim, Paris, Barcelona, Miami, etc.

Um dos pontos que nos parece importante citar são as linhas de forças ao, “Uma vez que a sua missão é de, em qualquer caso, resolver conflitos e localizar funções vivas, é uma vez que as metodologias, que seguem inevitavelmente uma particularização, o êxito com que ela se identificar e interpretar visualmente as mais significativas linhas de forca determinará em grande parte se a cidade irá ser morfologicamente caraterizada e inteligível”. (Cullen, 1983:113)

06 – Centro de Belém – Espaço público de convivência e de motivação urbana.
Fonte: Jorge Villavisencio (2011)

Podemos deduzir que as linhas de forcas são onde se cria “atração” (ver imagem 01 e 06), assim de interesse das partes que compõe a cidade, estes pontos que ser tornam como elementos focais, uma estrutura que este em processo de formação, devemos dizer as cidades são cambiantes, sé modificam com o passar do tempo, mais os lugares como a historia queda da mente das pessoas que habitam essa cidade algo indelével, pode ser uma praça, um edifício, algo que está presente na vida do cotidiano.

“O homem é possuidor de uma mente que o dirige, que antecipa o que tem na frente, é distingue um obstáculo ou caminho. Pelo tanto apresenta pela rua o que deve o que deve mostrar para o visitante o que é seu caminho apropriado... como orientação espacial... que proporcionam sensação...”. (Arnheim, 2001:63)

07 – Centro Histórico de Lima – Perú – Jirón de la Unión – O pasado e o presente no cenário urbano.
Fonte: Jorge Villavisencio (2013)

Agora o lado interpretativo corresponde a suas próprias expectativas – por onde eu vou, o que procuro, o que é o ponto de atração que faz que me leve aquele ponto que procuro, é aí que existe a nossa referencia na nossa mente, que seria o ponto de atração que define as linhas de forças.

Para Max Weber ao dizer: “Pode-se tentar definir de diversas formas a – cidade, porem é comum a todas representa-la por um estabelecimento compacto (ao menos relativamente), como uma localidade e não casarios mais ou menos dispersos. Nas cidades, as casas estão em geral muito juntas, atualmente, vai à regra, com as paredes encostadas. A ideia corrente traz, além disso, para a palavra cidade outras caraterísticas puramente quantitativas, quando diz, por exemplo, que se trata de uma grande localidade. Essa caraterização não é em si mesma imprecisa”. (Velho, 1976:68)

08 – Lima – Perú – Parque El Olivar – Distrito de San Isidro – Viver na boa convivência com o meio ambiente.
Fonte: Jorge Villavisencio (2013)

O conceito de cidade compacta na nossa maneira de ver é uma realidade (ver imagem 04), cada vez mais necessária, levar infraestrutura para alguns poucos resulta muito onerosa para manutenção da cidade, más consideramos que as áreas públicas devem tomar mais incremento, espaços públicos resultam bons lugares de convivência. Como explica Weber à cidade não pode ser tomada como pontos meramente quantitativos, é-claro o adensamento das cidades deve ser mais dosado, nos sentido de permitir as escalas (skyline) cumpram um papel de preponderância no sentido mais harmônico com a realidade, não podemos generalizar, até cada cidade tem suas próprias caraterísticas e expectativas.

09 – Vitoria – Praia Camburi – Espaços públicos para pessoas, ciclovias e veículos – delimitando espaços e usos.
Fonte: Jorge Villavisencio (2014)

Queremos terminar abordando dois assuntos: a primeira que trata no sentido de “pertença” do lugar, e a segunda que trata da materialidade da cidade.
Na nossa maneira de ver o sentido de “pertença” esta ligado a historia da cidade, algo que este presente na vida cotidiana das pessoas. Sem duvida pode ser um simples edifício, uma rua, uma escultura, uma praça, etc. É o elo onde habitam nas suas cidades e seus lugares. (ver imagem 5 e 7)

“A principal reivindicação da Paisagem Urbana é de ter contribuído para o levante da estrutura do mundo subjetivo. Porque se não estiver registrada a que é que nos podemos ajustar?” (Cullen, 1983:196)

10 – Vitoria – Espirito Santo.
Fonte: Jorge Villavisencio (2014)

Pensamos que o ajuste de toda proposta urbana existente a ser modificada, podendo entregar assim um ar de contemporaneidade, é-claro das próprias necessidades que vão aparecendo com o espaço e o tempo, é melhor ainda com a participação ativa da população, sugere conotações com bases solidas, exemplo claro das propostas da Prefeita de Paris Anne Hidalgo no seu projeto Reinventare Parise.

“Arquitetura e Arte – Dentro deste campo das praxes alternativas, há um campo muito amplo de todas aquelas experiências nas quais, além do espaço do museu, a arte e a arquitetura andam juntas a fim de realizar intervenções no espaço público...” (Montaner, 2016:100)

No cabe duvida que através do tempo edifícios de índole cultural tem modificado (ver imagem 01) a vida do espaço urbano, assim criando novas formas de atração de estes espaços, a participação da população nestes marcos termina sendo uma atividade que pode ser cotidiana ou de fim de semana. Pensamos que não necessariamente temos que adentar a estes edifícios, más o entorno urbano a estes termina sendo tão importante que os próprios edifícios, propiciando assim à boa convivência das pessoas que o frequentam.

“Indícios – E entre estas, a primeira é a observação da ondulação da vitalidade que transmite a paisagem. Até o pavimento de um pátio ganha interesse com a existência de seus drenos”. (Cullen, 1983:182)

As texturas dos materiais empregados na paisagem urbana podem dar sim continuidade espacial, desta forma fazem o convite ao transeunte, uma espécie de ser convidativo ao entorno, más também podem delimitar seus espaços de seus usos ao qual foi assinalado. (ver imagem 04, 09 e 10)

Gostaríamos de concluir nosso breve ensaio é dizer o que Gordon Cullen indica ao dizer que “há muito a fazer”, indicado que temos que juntar, separar, dividir, ocultar, revelar, concentrar, diluir, prender, libertar, atrasar e acelerar. Pensamos que estas ferramentas nós darão mecanismo e novos pensamentos das realidades e das necessidades das pessoas que habitam nos espaços urbanos. Nem todo conceito é uma realidade, ele vai se modificando com o passar do tempo, pensar e agir em prospecção está vinculado às realidades dos acontecimentos contemporâneos, das necessidades urbanas, criando desta forma diversas vitalidades nas suas cidades.


Goiânia, 22 de fevereiro de 2017.

Arq. MSc. Jorge Villavisencio



Bibliografia:

CULLEN, Gordon; Paisagem Urbana, Edições 70 Ltda., Lisboa, 1983.

ARHEEIM, Rudolf; La forma visual de la arquitectura, Editora Gustavo, Gili, Barcelona, 2001.

VELHO, Otávio Guilherme (Org.); O fenômeno Urbano, Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1976.

MONTANER. Josep Maria; A condição contemporânea da arquitetura, Editora Gustavo Gili, São Paulo, 2016.



jueves, 19 de enero de 2017

O ensaio como técnica da crítica da arquitetura.

O ensaio como técnica da crítica da arquitetura.
Jorge Villavisencio.

Através do tempo temos utilizado a crítica da arquitetura como instrumento de entendimento do estudo da arte e da técnica do que é a arquitetura e urbanismo. Desta forma podemos entender melhor os fatos das produções que englobam os edifícios e suas cidades, mais deve existir, sim, uma pesquisa que a nossa maneira de ver tem que ser continua ou continuada dos vários elementos que compõe estás produções. Consideramos que não é uma tarefa fácil, porque a investigação previa deve ser de bom calibre ou de uma credibilidade correta. Mais existe uma liberdade de expressão nos ensaios críticos, como o explica Josep Maria Montaner.

“O ensaio, entendido como uma indagação libre e criativa, não exaustivo, nem especializado, destituído de um caráter rigorosamente sistemático, é a mais genuína ferramenta da crítica.” (Montaner, 2015:13) {1}

Sem duvida, a maneira livre como cada um apresenta seu ensaio tem uma formulação que esta em contato com sua própria percepção dos objetos manteria de estudo. É-claro das próprias experiências que um tem no espaço e no tempo (intuição pessoal). Mais nos pensamos que o caráter sistêmico deve existir, primeiro para que o ensaio tenha sim um caráter de veracidade comprovada e só através da linha da “investigação cientifica” e dos referentes (pesquisa, citações, bibliografia, etc.) faz que a crítica tenha essa credibilidade. Segundo que o tema matéria do ensaio cria sim um interesse pessoal com a proposta de estudo, e difícil que não se tenha relação com a proposta do ensaio.

Desta forma tem uma continuidade e uma direção na formulação do trabalho. Mas como o explicam que todo deve estar “inter-relacionado”, não porque si o objeto de estudo ensaísta deve acometer um determinado objeto, mais bem tem que estar com muitos outros assuntos, para que exista sim um paralelismo com a proposta, entregar os vários aspectos que deve conter uma crítica. Mas estamos de acordo com que o ensaio crítico não é um assunto terminado ou consumado, existe uma abertura para que este seja reformulado ou continuado.

Até porque a investigação cientifica tem essa forma de ser, “dar continuidade ao trabalho cientifico”. Desta forma vai se aprimorando o trabalho, transformando, reformulando, para outras ocasiões.

Mais devemos deixar claro que a crítica da arquitetura é um “julgamento” de um determinado objeto está aderida a parte que corresponde a sua própria estética, desta forma podemos ampliar a outros assuntos, como onde foi inserida determinado produto (lugar), qual foi à tecnologia que foi aplicada entre outros, por que tem essa forma, e qual e sua relação com o ambiente, enfim são tantos assuntos que nascem da crítica da arquitetura, porque ela é ao final uma dialética constante com o objeto.

A “interpretação” que um possa ter do objeto, poderia ser a síntese de vários assuntos, porque como se sabe sempre deve estar “aberto” ao dialogo, e nunca deve ser uma coisa fechada.

“A propostas da arquitetura feitas como colagem de fragmentos...” (Montaner, 2016:70) {2}

Ao apreciar a citação de Montaner, podemos intuir dois assuntos, o primeiro tem uma relação com os diferentes aspectos (fragmentos) que contém uma obra de arquitetura, seria como poder entender cada parte que compõe a obra, desta forma poderíamos entender o todo como explicava Leonardo Benévolo ao falar do “elenco” (atores) da arquitetura, da composição de sua forma e suas partes. O segundo está relacionado com a história da arquitetura, por que ao final de contas não poderíamos fazer uma crítica da arquitetura sem conhecer a teoria da arquitetura e a história da arquitetura. É a forma correta de fazer uma crítica da arquitetura, que seja correta e com credibilidade.

“A resistência ao estudo da forma deriva, em parte, da acusação em que achacava-se aos arquitetos e teóricos ao haver-se dedicado de tratar a que os edifícios como puras formas, sem considerar suas funções praticas e sociais.” (Arnheim, 2001:8)

É interessante a advertência e da forma de colocação de Arhheim, até porque seria como ignorar o entorno do lugar, a finalidade da obra, e qual seria sua função social. Criar a forma pela forma, na nossa maneira de ver e sem consenso, e sem conceito nenhum, algo que seria irrelevante para a arquitetura e a cidade, sem valor nenhum. Mais através do tempo tenho pesquisado sobre este assunto, e incrível e irrelevante que alguns profissionais tenham atuado dessa maneira sem conceito nenhum, mas sim tem um objetivo à obra, não como função social, mais sim como destino dos usuários – a forma pela forma.

Penso que todo projeto de arquitetura e urbanismo tem uma “intensão” algo que foi muito bem explicado por Lucio Costa e recentemente por nosso querido arquiteto (recentemente falecido) João Filgueiras Lima – Lelé, todos temos sim uma determinada intensão objeto de seu projeto, até porque as ideias e ideais se sentem plasmado nos seus projetos. Isso tem um valor agregado e valorizado na arquitetura, por isso pode criar uma crítica esmerada na arquitetura com valor teórico e histórico, penso que com o tempo pode ficar como referencia para outros projetos no futuro.

“Uma obra de arquitetura não só serve abrigar atividades, mais também para ser contemplada, porque a arquitetura resolve necessidades físicas mais também de necessidades espirituais ou de fantasias...” (Carriquiry, 2005:18)

Nunca devemos esquecer que a arquitetura é arte e ciência, por isso a contemplação faz parte do sentido e da espiritualidade que está impregnada na sua arte. Por isso Le Corbusier no primeiro tercio do século XX, em especial nos CIAM na Carta de Atenas de 1933 explica de forma clara que a arquitetura tem que ter o espírito de seu tempo.
Para terminar, a crítica da arquitetura que contem bases solidas nas suas teorias e na sua historia, tem questões que são relevantes e importantes para a realização de todo ensaio que se preze por ter uma identidade que cada ensaísta tem, desta forma cria seu próprio espírito de seu tempo, é sem duvida serve para dar continuidade na sua dialética na arte de fazer espaços com prospecção.

Goiânia, 19 de janeiro de 2017.
Arq. MSc. Jorge Villavisencio


Bibliografia

MONTANER, Josep Maria; Arquitetura e Crítica, Ed. Gustavo Gili, São Paulo, 2015. {1}

MONTANER, Josep Maria; A condição contemporânea da arquitetura, Ed. Gustavo Gili, São Paulo, 2016. {2}

ARNHEIM, Rudolf; La forma visual de la arquitectura, Ed. Gustavo Gili, Barcelona, 2001.

CARRIQUIRY, Inés Claux; La arquitectura y el proceso de diseño, Ed. Universidad San Marin de Porres, Lima, 2005.